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Mulher – Ruy de Noronha Outubro 28, 2008

Filed under: poesia,Rui de Noronha,Ruy de Noronha,Unicepe — looking4good @ 2:07 am

Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil…
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.

A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.

Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.

Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela – Chama-lhe Mulher!

António Ruy de Noronha nasceu na Ilha de Moçambique a 28 de Outubro de 1909 e morreu em Lourenço Marques a 25 de Dezembro de 1943. Mestiço, de pai indiano, de origem brâmane, e de mãe negra, foi funcionário público (Serviço de Portos e Caminho de Ferro) e jornalista. Usou, por vezes, o pseudónimo de Carranquinha de Aguilar. Os seus «Sonetos» (ed. póstuma, 1943) revelam influência de Antero, Feijó e Nobre, mas o seu poema mais célebre intitula-se «Quenguêlêquê!…». Os seus contos e críticas literárias não foram até hoje recolhidos em volume. Uma desilusão amorosa, causada pelo preconceito racial, fez, segundo os seus amigos, com que o escritor se deixasse morrer no hospital da capital de Moçambique, com 34 anos.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor neste blog: Por Amar-te Tanto

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Por amar-te tanto – Rui de Noronha Outubro 28, 2005

Filed under: poesia,Ruy de Noronha — looking4good @ 12:45 pm
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jasmins

Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei-de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei-de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob aluz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto…

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
– e eu nada tenho por amar-te tanto…

António Ruy de Noronha (n. Moçambique 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943)
in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edição UNICEPE – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL – 2004

 

Por amar-te tanto – Rui de Noronha

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Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei-de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei-de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob aluz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto…

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
– e eu nada tenho por amar-te tanto…

António Ruy de Noronha (n. Moçambique 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943).

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edição UNICEPE – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL – 2004