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VELHO MOTIVO – Antonio Sardinha Setembro 9, 2008

Filed under: António Sardinha,poesia — looking4good @ 12:19 am

Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela…
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!

O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!

E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!

Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set. 1887; m. em Elvas a 10 Jan. de 1925)

Ler do mesmo autor Vesperal e Pastoral

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Vesperal – António Sardinha Setembro 9, 2007

Filed under: António Sardinha,poesia — looking4good @ 3:32 am
Olaia em céu azul

Se eu te pintasse, posta na tardinha,
pintava-te num fundo cor de olaia,
na mão suspensa, nessa mão que é minha,
o lenço fino acompanhando a saia!

Vejo-te assim, ó asa de andorinha,
em ar de infanta que perdeu a aia,
envolta numa luz que te acarinha,
na luz que desfalece e que desmaia!

Com teu encanto os dias me adamasques,
linda menina ingénua de Velásquez
a flutuar num mar de seda e renda.

Deixa cair dos lábios de medronho
a perfumada voz do nosso sonho,
mas tão baixinho que só eu entenda.

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set 1887; m. em Elvas a 10 Jan de 1925)

 

Vesperal – António Sardinha

Filed under: António Sardinha,poesia — looking4good @ 3:32 am
Olaia em céu azul

Se eu te pintasse, posta na tardinha,
pintava-te num fundo cor de olaia,
na mão suspensa, nessa mão que é minha,
o lenço fino acompanhando a saia!

Vejo-te assim, ó asa de andorinha,
em ar de infanta que perdeu a aia,
envolta numa luz que te acarinha,
na luz que desfalece e que desmaia!

Com teu encanto os dias me adamasques,
linda menina ingénua de Velásquez
a flutuar num mar de seda e renda.

Deixa cair dos lábios de medronho
a perfumada voz do nosso sonho,
mas tão baixinho que só eu entenda.

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set 1887; m. em Elvas a 10 Jan de 1925)

 

Vesperal – António Sardinha

Filed under: António Sardinha,poesia — looking4good @ 3:32 am
Olaia em céu azul

Se eu te pintasse, posta na tardinha,
pintava-te num fundo cor de olaia,
na mão suspensa, nessa mão que é minha,
o lenço fino acompanhando a saia!

Vejo-te assim, ó asa de andorinha,
em ar de infanta que perdeu a aia,
envolta numa luz que te acarinha,
na luz que desfalece e que desmaia!

Com teu encanto os dias me adamasques,
linda menina ingénua de Velásquez
a flutuar num mar de seda e renda.

Deixa cair dos lábios de medronho
a perfumada voz do nosso sonho,
mas tão baixinho que só eu entenda.

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set 1887; m. em Elvas a 10 Jan de 1925)

 

Vesperal – António Sardinha

Filed under: António Sardinha,poesia — looking4good @ 3:32 am
Olaia em céu azul

Se eu te pintasse, posta na tardinha,
pintava-te num fundo cor de olaia,
na mão suspensa, nessa mão que é minha,
o lenço fino acompanhando a saia!

Vejo-te assim, ó asa de andorinha,
em ar de infanta que perdeu a aia,
envolta numa luz que te acarinha,
na luz que desfalece e que desmaia!

Com teu encanto os dias me adamasques,
linda menina ingénua de Velásquez
a flutuar num mar de seda e renda.

Deixa cair dos lábios de medronho
a perfumada voz do nosso sonho,
mas tão baixinho que só eu entenda.

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set 1887; m. em Elvas a 10 Jan de 1925)

 

Pastoral – António Sardinha Janeiro 10, 2006

Filed under: António Sardinha,poesia — looking4good @ 3:51 pm
Foto: Patos daqui

Todos os dias quando morre o dia,
Pões-te a chamar os patos para os contar;
E os patos, conhecendo quem os cria,
Vêm para ti de longe a esvoaçar

e logo te acompanham. Que alegria
anima o teu rebanho singular!
Parece ser dum conto que eu ouvia,
-«Era uma vez…» – , à gente do meu lar.

«Filha de rei, com iras de criança,
guardando patos na ribeira mansa,
foi coisa de pasmar que nunca vi!»

Pois é a história da princesa loura
Que tu me fazes recordar, Senhora,
Assim com essa corte ao pé de ti!

António Maria de Sousa Sardinha (n. Monforte, 9 Set 1888; m. Elvas em 10 Jan 1925)

in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa , Edição UNICEPE, 2004