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Voz das Lágrimas – Augusto Casimiro na passagem dos 120 anos do nascimento Maio 10, 2009

Filed under: Augusto Casimiro,painting,poesia,Salvador Dali — looking4good @ 11:50 pm
Estudo de cabeça, segundo “Giuliano di Medici” de Michelangelo, 1982
Óleo sobre tela 75 x 75 cm Figueras, Fundação Gala-Salvador Dalí
Salvador Dali (n. Figueres 11 de Maio 1904 — m. 23 de Jan. 1989)

Que belos são os olhos marejados,
– Ó meu Amor – de lágrimas!… Parece
Que sobre os nossos olhos extasiados
Toda a Beleza e toda a graça desce…

Que numa lágrima somente, – abraço
Infinito e divino, – os altos céus
A nossa alma e a vastidão do espaço,
Se beijam, fundem, – realizam Deus…

Deixa correr as lágrimas…Só vêem
Aquelas almas lúcidas que têm
Os olhos claros, doces, de chorar…

Almas de Amor, sem voz que diga tudo,
Deslumbradas de céu, num gesto mudo,
Choram…

E o Pranto é um modo de falar…

poema recolhido daqui
Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
O Pooeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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O Poeta e a Nau – Augusto de Casimiro Setembro 23, 2008

Filed under: Augusto Casimiro,poesia — looking4good @ 12:12 am

Vai errante, no Mar, uma nau sem governo…
O oceano é chão, o céu azul fundindo em aço…
As velas mortas… Nem sequer vento galerno
As vem inchar para dormir no seu regaço!…

Sobre o antigo convés pesa um velho cansaço,
E ou destino fatal ou maldição do inferno,
O mastro grande em vão aponta para o espaço…
— Sobre as ondas a nau é um cárcere eterno!

Dominando em redor, lá na gávea mais alta,
Um marujo, a cantar, fala do Além, e exalta
Um passado esplendor sobre a nau sepulcral…

“Porque o vento há de vir aninhar-se nas velas!”
“Porque a nau voará, – tocará nas estrelas!…”
— O marujo é Poeta — e a nau… Portugal!

Augusto Casimiro (n. na freguesia de S. Gonçalo em Amarante a 11 de Maio de 1889 – m. em Lisboa a 23 Set 1967) .

 

O Poeta e a Nau – Augusto de Casimiro

Filed under: Augusto Casimiro,poesia — looking4good @ 12:12 am

Vai errante, no Mar, uma nau sem governo…
O oceano é chão, o céu azul fundindo em aço…
As velas mortas… Nem sequer vento galerno
As vem inchar para dormir no seu regaço!…

Sobre o antigo convés pesa um velho cansaço,
E ou destino fatal ou maldição do inferno,
O mastro grande em vão aponta para o espaço…
— Sobre as ondas a nau é um cárcere eterno!

Dominando em redor, lá na gávea mais alta,
Um marujo, a cantar, fala do Além, e exalta
Um passado esplendor sobre a nau sepulcral…

“Porque o vento há de vir aninhar-se nas velas!”
“Porque a nau voará, – tocará nas estrelas!…”
— O marujo é Poeta — e a nau… Portugal!

Augusto Casimiro (n. na freguesia de S. Gonçalo em Amarante a 11 de Maio de 1889 – m. em Lisboa a 23 Set 1967) .

 

Prece – Augusto Casimiro Maio 11, 2008

Filed under: Augusto Casimiro,poesia — looking4good @ 4:47 pm
O Mar foto daqui

SENHOR, a noite veio e a alma é vil
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade

Mas a chama, que a vida em nós criou
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

 

Sangue de Inês – Augusto Casimiro Maio 11, 2007

Filed under: Augusto Casimiro,poesia — looking4good @ 7:11 pm

Sangue de Inês…- A santa ingenuidade,
De quem vive a sonhar, por muito amor!
– Portugal é uma fonte de saudade
– Toda triste e saudosa a recordar…

Sangue de Inês que, morta, foi rainha,
E teve altar no amor dos amorosos,
E que passa ao luar, branca e sozinha
Entre a sombra dos troncos silenciosos…

Cedros velhos que os vistes, – cedros velhos
Que tanta vez os vistes de joelhos,
Extasiados, trémulos de Amor!…

Há paisagens que são almas rezando…
…E aqui vangueiro almas recordando,
Encantadas, ao redor…

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

 

Velando – Augusto Casimiro Setembro 23, 2005

Filed under: Augusto Casimiro,poesia — looking4good @ 12:46 pm

Junto dela, velando… E sonho e afago
imagens, sonhos, versos comovido…
Vejo-a dormir… O meu olhar é um lago
em que um lírio alvorece reflectido…

Vejo-a dormir e sonho… Só de vê-la
meu olhar se perfuma e, em minha vista,
há um céu de Amor a estremecê-la
e a devoção ansiosa dum Artista…

Nuvem poisada, alvente, sobre a neve
das montanhas do céu – ó sono leve,
hálito der jasmim, lírio, luar…

Respiração de flor, doçura, prece…
-Ó rouxinóis, calai! Fonte, adormece,
senão o meu Amor pode acordar!

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante, 11 Mai 1989; m. em Lisboa, 23 Set 1967)