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PALÁCIO DA VENTURA – Antero de Quental Setembro 11, 2008

Filed under: Antero de Quental,poesia — looking4good @ 12:24 am
foto daqui

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!

Antero Tarquínio de Quental (n. 18 de Abr. 1891 em Ponta Delgada – m. 11 Set 1891 -suicídio-)

Ler do mesmo autor, neste blog: Idílio; Mors-amor

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PALÁCIO DA VENTURA – Antero de Quental

Filed under: Antero de Quental,poesia — looking4good @ 12:24 am
foto daqui

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!

Antero Tarquínio de Quental (n. 18 de Abr. 1891 em Ponta Delgada – m. 11 Set 1891 -suicídio-)

Ler do mesmo autor, neste blog: Idílio; Mors-amor

 

Mors-Amor – Antero de Quental Abril 18, 2008

Filed under: Antero de Quental,poesia — looking4good @ 12:59 am

picture from here

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: “Eu sou a Morte!”
Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”

Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 18 de Abril de 1842 e suicidou-se na mesma cidade da ilha de São Miguel a 11 de Setembro de 1891. Estanciou em Coimbra de 1858 a 1864 e aí obteve a formatura em Direito. Romanticamente anti-romântico, deu origem, em 1865, à famigerada Questão Coimbrã (polémica contra o Ultra-Romantismo) e promoveu, em 1871, as Conferências do Casino Lisbonense (proibidas pelo governo de então). Viajou até Paris em 1866 e até à América em 1869, além de se deslocar por várias vezes entre o seu arquipélago natal e o continente. Residiu em Vila do Conde de 1881 a 1890. Poeta e filósofo, foi o grão-mestre da chamada Geração de ’70. Física (gastroplegia), psíquica (nevrose maníaco-depressiva) e metafisicamente (pessimismo) doente, o «génio que era um santo» teve o fim trágico que era de prever. A sua principal obra poética são os «Sonetos» (1886).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Mors-Amor – Antero de Quental

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Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: “Eu sou a Morte!”
Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”

Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 18 de Abril de 1842 e suicidou-se na mesma cidade da ilha de São Miguel a 11 de Setembro de 1891. Estanciou em Coimbra de 1858 a 1864 e aí obteve a formatura em Direito. Romanticamente anti-romântico, deu origem, em 1865, à famigerada Questão Coimbrã (polémica contra o Ultra-Romantismo) e promoveu, em 1871, as Conferências do Casino Lisbonense (proibidas pelo governo de então). Viajou até Paris em 1866 e até à América em 1869, além de se deslocar por várias vezes entre o seu arquipélago natal e o continente. Residiu em Vila do Conde de 1881 a 1890. Poeta e filósofo, foi o grão-mestre da chamada Geração de ’70. Física (gastroplegia), psíquica (nevrose maníaco-depressiva) e metafisicamente (pessimismo) doente, o «génio que era um santo» teve o fim trágico que era de prever. A sua principal obra poética são os «Sonetos» (1886).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Mors-Amor – Antero de Quental

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Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: “Eu sou a Morte!”
Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”

Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 18 de Abril de 1842 e suicidou-se na mesma cidade da ilha de São Miguel a 11 de Setembro de 1891. Estanciou em Coimbra de 1858 a 1864 e aí obteve a formatura em Direito. Romanticamente anti-romântico, deu origem, em 1865, à famigerada Questão Coimbrã (polémica contra o Ultra-Romantismo) e promoveu, em 1871, as Conferências do Casino Lisbonense (proibidas pelo governo de então). Viajou até Paris em 1866 e até à América em 1869, além de se deslocar por várias vezes entre o seu arquipélago natal e o continente. Residiu em Vila do Conde de 1881 a 1890. Poeta e filósofo, foi o grão-mestre da chamada Geração de ’70. Física (gastroplegia), psíquica (nevrose maníaco-depressiva) e metafisicamente (pessimismo) doente, o «génio que era um santo» teve o fim trágico que era de prever. A sua principal obra poética são os «Sonetos» (1886).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Mors-Amor – Antero de Quental

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Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: “Eu sou a Morte!”
Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”

Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 18 de Abril de 1842 e suicidou-se na mesma cidade da ilha de São Miguel a 11 de Setembro de 1891. Estanciou em Coimbra de 1858 a 1864 e aí obteve a formatura em Direito. Romanticamente anti-romântico, deu origem, em 1865, à famigerada Questão Coimbrã (polémica contra o Ultra-Romantismo) e promoveu, em 1871, as Conferências do Casino Lisbonense (proibidas pelo governo de então). Viajou até Paris em 1866 e até à América em 1869, além de se deslocar por várias vezes entre o seu arquipélago natal e o continente. Residiu em Vila do Conde de 1881 a 1890. Poeta e filósofo, foi o grão-mestre da chamada Geração de ’70. Física (gastroplegia), psíquica (nevrose maníaco-depressiva) e metafisicamente (pessimismo) doente, o «génio que era um santo» teve o fim trágico que era de prever. A sua principal obra poética são os «Sonetos» (1886).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Idílio – Antero de Quental Abril 18, 2007

Filed under: Antero de Quental,poesia — looking4good @ 3:35 pm
foto: lírios vermelhos

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
colher nos vales lírios e boninas,
e galgamos dum fôlego as colinas,
dos rocios da noite inda orvalhadas,

ou, vendo o mar, das ermas encumeadas,
contemplamos as nuvens vespertinas,
que parecem fantásticas ruínas,
ao longe, no horizonte, amontoadas,

quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
sinto tremer-te a mão e empalidece…

O vento e o mar murmuram orações,
e a poesia das coisas se insinua
lenta e amorosa em nossos corações.

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Edições Unicepe 2004