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Motivo – Cecília Meireles (no dia do 107º. aniversário) Novembro 7, 2008

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 1:18 am

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

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Motivo – Cecília Meireles (no dia do 107º. aniversário)

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 1:18 am

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

 

A Chuva Chove – Cecília Meireles Novembro 9, 2007

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 7:22 am

Pela passagem do 43º. aniversário da morte da poetisa brasileira

Chuva daqui

A chuva chove mansamente… como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente… Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine…

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono…
Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono…

… Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha…
Paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneiros e missais…

(in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe, 2004)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

 

A Chuva Chove – Cecília Meireles

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 7:22 am

Pela passagem do 43º. aniversário da morte da poetisa brasileira

Chuva daqui

A chuva chove mansamente… como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente… Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine…

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono…
Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono…

… Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha…
Paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneiros e missais…

(in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe, 2004)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

 

A Chuva Chove – Cecília Meireles

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 7:22 am

Pela passagem do 43º. aniversário da morte da poetisa brasileira

Chuva daqui

A chuva chove mansamente… como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente… Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine…

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono…
Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono…

… Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha…
Paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneiros e missais…

(in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe, 2004)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

 

A Chuva Chove – Cecília Meireles

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 7:22 am

Pela passagem do 43º. aniversário da morte da poetisa brasileira

Chuva daqui

A chuva chove mansamente… como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente… Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine…

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono…
Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono…

… Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha…
Paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneiros e missais…

(in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe, 2004)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

 

Mulher ao Espelho – Cecília Meireles Novembro 7, 2007

Filed under: Cecília Meireles,poesia — looking4good @ 2:25 am
Mulher de Espelho 70×90
Óleo sobre tela by Akaki from here

No dia em que a autora faz 106 anos
Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora: Ou isto ou aquilo ; De um lado cantava o Sol
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005