Nothingandall

Just another WordPress.com weblog

Arrufos – Artur Azevedo Julho 7, 2008

Filed under: Artur de Azevedo,poesia — looking4good @ 12:10 am
Homage to the past 1944. Marc Chagall (b. Vitebsk, Bielorrússia, 7 Jul 1887
— d. Saint-Paul-de-Vence, France, 28 Mar. 1985)

Não há no mundo quem amantes visse
que se quisessem como nos queremos…
Um dia, uma questiúncula tivemos
por um simples capricho, uma tolice.

«Acabemos com isto!», ela me disse
e eu respondi-lhe assim: «Pois acabemos!»
E fiz o que se faz em tais extremos:
tomei do meu chapéu com fanfarrice

e, tendo um gesto de desdém profundo,
saí cantarolando… (Está bem visto
que a forma, aí, contrafazia o fundo).

Escreveu-me… Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
eram capazes de acabar com isto!

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908. Era filho do cônsul português na capital do Maranhão e irmão do romancista Aluísio de Azevedo. Sem formação universitária, dedicou-se ao jornalismo e ao teatro, mas, no Ministério da Agricultura, ascendeu de amanuense a director-geral da Contabilidade. Foi, sobretudo, comediógrafo e contista. Como poeta, é um autor sarcástico.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Anúncios
 

Arrufos – Artur Azevedo

Filed under: Artur de Azevedo,poesia — looking4good @ 12:10 am
Homage to the past 1944. Marc Chagall (b. Vitebsk, Bielorrússia, 7 Jul 1887
— d. Saint-Paul-de-Vence, France, 28 Mar. 1985)

Não há no mundo quem amantes visse
que se quisessem como nos queremos…
Um dia, uma questiúncula tivemos
por um simples capricho, uma tolice.

«Acabemos com isto!», ela me disse
e eu respondi-lhe assim: «Pois acabemos!»
E fiz o que se faz em tais extremos:
tomei do meu chapéu com fanfarrice

e, tendo um gesto de desdém profundo,
saí cantarolando… (Está bem visto
que a forma, aí, contrafazia o fundo).

Escreveu-me… Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
eram capazes de acabar com isto!

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908. Era filho do cônsul português na capital do Maranhão e irmão do romancista Aluísio de Azevedo. Sem formação universitária, dedicou-se ao jornalismo e ao teatro, mas, no Ministério da Agricultura, ascendeu de amanuense a director-geral da Contabilidade. Foi, sobretudo, comediógrafo e contista. Como poeta, é um autor sarcástico.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.