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Conversa Sentimental – Paul Verlaine Janeiro 8, 2009

Filed under: Paul Verlaine,poesia — looking4good @ 12:36 pm
Parque – imagem daqui

No velho parque deserto e gelado
Duas formas passaram há bocado.

Com os olhos mortos e os lábios moles,
Mal se ouvem, a custo, as suas vozes.

No velho parque deserto e gelado
Dois espectros evocaram o passado.

— Recordas-te do nosso êxtase antigo?
— Por que razão acha que ainda consigo?

— Bate, ao ouvires meu nome, o coração?
Vês ainda a minha alma em sonhos? — Não.

— Ah! bons tempos de prazer indizível
Unindo as nossas bocas! — É possível.

— Como era azul, o céu, e grande a esperança!
— Mas é prò negro céu que hoje se lança.

Lá caminhavam plas aveias loucas
E só a noite ouviu as suas bocas.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Paul-Marie Verlaine (n. em Metz, França, em 30 de Março de 1844; m. Paris 8 Jan. 1896)

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No ermo da mata o som da trompa ecoa… – Paul Verlaine Março 30, 2007

Filed under: Paul Verlaine,poesia — looking4good @ 5:29 pm

No ermo da mata o som da trompa ecoa,
Vem expirar embaixo da colina.
E uma dor de orfandade se imagina
Na brisa, que em labridos erra à toa.

A alma do lobo nessa voz ressoa…
Enche os vales e o céu, baixa à campina,
Numa agonia que à ternura inclina
E que tanto seduz quanto magoa.

Para tornar mais suave esse lamento,
Através do crepúsculo sangrento,
Como linho desfeito a neve cai.

Tão brando é o ar da tarde, que parece
Um suspiro do outono. E a noite desce
Sobre a paisagem lenta que se esvai.

(Tradução de Manuel Bandeira)

Paul-Marie Verlaine (n. em Metz, França, em 30 de Março de 1844; m. Paris 8 Jan. 1896)

 

No ermo da mata o som da trompa ecoa… – Paul Verlaine

Filed under: Paul Verlaine,poesia — looking4good @ 5:29 pm

No ermo da mata o som da trompa ecoa,
Vem expirar embaixo da colina.
E uma dor de orfandade se imagina
Na brisa, que em labridos erra à toa.

A alma do lobo nessa voz ressoa…
Enche os vales e o céu, baixa à campina,
Numa agonia que à ternura inclina
E que tanto seduz quanto magoa.

Para tornar mais suave esse lamento,
Através do crepúsculo sangrento,
Como linho desfeito a neve cai.

Tão brando é o ar da tarde, que parece
Um suspiro do outono. E a noite desce
Sobre a paisagem lenta que se esvai.

(Tradução de Manuel Bandeira)

Paul-Marie Verlaine (n. em Metz, França, em 30 de Março de 1844; m. Paris 8 Jan. 1896)

 

Meu sonho familiar – Paul Verlaine Março 9, 2007

Filed under: Paul Verlaine,poesia — looking4good @ 6:06 pm

Às vezes sonho o sonho estranho e persistente
de u’a mulher que eu amo e me é desconhecida.
Sempre a mesma não é, essa mulher querida,
mas também, é certo, não é outra, totalmente.

Ela me compreende e me ama… Tão somente
a essa mulher desvendo o coração e a vida.
Mas também minha fronte, pela dor ferida,
ela só é quem sabe afagar, docemente…

Ela é morena, ou loira, ou ruiva? Eu o ignoro.
Seu nome? Apenas sei que é doce e que é sonoro
como os nomes de amantes que a Vida exilou.

Parece olhar de estátua o seu olhar vazio.
E tem na voz, longínqua e calma, o lento, o frio,
o triste acento de uma voz que se calou…

(trad. de Luís Martins)

Paul Verlaine ( 1844 – 1896)