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Amor, é um arder, que se não sente – Abade de Jazente Maio 6, 2009

Filed under: Abade de Jazente,poesia — looking4good @ 1:22 am

Amor é um arder, que se não sente;
É ferida, que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.

É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia a mais cruel, e a mais impura;
É frágoa, que devora o fogo ardente.

É um triste penar entre lamentos,
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.

É suspiros lançar de quando, em quando;
É quem me causa eternos sentimentos:
É quem me mata, e vida me está dando.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizadfa por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores

Abade de Jazente (Paulino António Cabral de Vasconcelos), nasceu em Reguengo, Amarante a 6 de Maio de 1719 e morreu em Amarante a 20 de Novembro de 1789.

Ler do mesmo autor, neste blog, Um dos meus bisavôs foi mercador…

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Um de meus bisavôs foi mercador… – Abade de Jazente Novembro 20, 2007

Filed under: Abade de Jazente,poesia — looking4good @ 7:03 am

Um de meus bisavôs foi mercador,
outro foi de alfaiate oficial,
outro tendeiro foi sem cabedal
e outro, que juiz foi, foi lavrador.

O meu paterno avô foi professor
de Latim, que ensinou bem ou mal,
e o materno viveu no seu casal,
de qu’inda agora eu mesmo sou senhor.

Meu pai médico foi e homem de bem,
minha mãe «dom» teria, porque, enfim,
muitas menos do que ela agora o têm.

Abade eu fui e, saber de mim
alguma cousa mais quiser alguém
saiba que versos faço e faço assim.

Abade de Jazente (n. em Amarante a 6 de Maio de 1719; m. em Amarante a 20 Nov. 1789)

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe , 2004

Nota: Mais uma maravilha que este pequeno livrinho nos dá a conhecer.