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Soneto V – Cláudio Manuel da Costa Julho 4, 2008

Filed under: Cláudio Manuel da Costa,poesia — looking4good @ 1:40 am
Pastando as ovelhas foto daqui

Na passagem do 220º. aniversário da morte do poeta

Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;

Nem por isso trocara o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, coas enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno.

Adorar as traições, amar o engano,
Ouvir dos lastimosos o gemido,
Passar aflito o dia, o mês, e o ano;

Seja embora prazer; que a meu ouvido
Soa melhor a voz do desengano,
Que da torpe lisonja o infame ruído.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

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Soneto V – Cláudio Manuel da Costa

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Pastando as ovelhas foto daqui

Na passagem do 220º. aniversário da morte do poeta

Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;

Nem por isso trocara o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, coas enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno.

Adorar as traições, amar o engano,
Ouvir dos lastimosos o gemido,
Passar aflito o dia, o mês, e o ano;

Seja embora prazer; que a meu ouvido
Soa melhor a voz do desengano,
Que da torpe lisonja o infame ruído.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Nize, Nize, onde estás? – Cláudio Manuel da Costa Junho 5, 2008

Filed under: Cláudio Manuel da Costa,poesia — looking4good @ 12:29 am
Nize, Nize, onde estás ? Aonde espera
achar-te uma alma, que por ti suspira,
se quanto a vista se dilata e gira
tanto mais de encontrar-te desespera!

Ah!, se ao menos teu nome ouvir pudera
entre esta aura suave, que respira!
Nize, cuido, que diz, mas é mentira;
Nise, cuidei que ouvia, e tal não era.

Grutas, troncos, penhascos da espessura,
se o meu bem, se a minh’alma em vós se esconde,
mostrai, mostrai-me a sua formosura.

Nem ao menos o eco me responde!
Ah, como é certa a minha desventura!
Nize, Nize, onde estás? Aonde? Aonde?

Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) nasceu em Mariana (MG) a 5 de Junho de 1729 e enforcou-se na cela da prisão, em Ouro Preto (MG), a 4 de Julho de 1789. Em 1749, partira para Coimbra, onde se formara em Cânones pela respectiva universidade. Depois de terminado o curso, fez uma estadia em Roma (1753). Em 1765, regressou ao Brasil, advogou em Vila Rica (primitivo nome da capital de Minas Gerais) e chegou a ser secretário de Estado durante três anos. Implicado na conspiração conhecida como Inconfidência Mineira, suicidou-se. Na sua poesia, este poeta brasileiro exprime saudades de Portugal (Lima, Mondego, Tejo).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa Julho 4, 2007

Filed under: Cláudio Manuel da Costa,poesia — looking4good @ 6:49 am
foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

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foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

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foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

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foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).