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Aceitarás o amor como eu o encaro ?… – Mário de Andrade Outubro 9, 2008

Filed under: Mário de Andrade,poesia — looking4good @ 12:21 am
Paul-César Helleu 1859-1927, Nue allongée sur un canapé

Aceitarás o amor como eu o encaro ?…
…Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Mário Raul de Morais Andrade (n. em São Paulo, a 9 de Out de 1893; m. em São Paulo a 25 de Fev. de 1945)

Ler do mesmo autor : Quarenta anos

 

Aceitarás o amor como eu o encaro ?… – Mário de Andrade

Filed under: Mário de Andrade,poesia — looking4good @ 12:21 am
Paul-César Helleu 1859-1927, Nue allongée sur un canapé

Aceitarás o amor como eu o encaro ?…
…Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Mário Raul de Morais Andrade (n. em São Paulo, a 9 de Out de 1893; m. em São Paulo a 25 de Fev. de 1945)

Ler do mesmo autor : Quarenta anos

 

Quarenta Anos – Mário de Andrade Outubro 9, 2007

Filed under: Mário de Andrade,poesia — looking4good @ 12:52 am

A vida é pra mim, está se vendo,
uma felicidade sem repouso;
eu nem sei mais se gozo, pois que o gozo
só pode ser medido em se sofrendo.

Bem sei que tudo é engano, mas sabendo
disso, persisto em me enganar… Eu ouso
dizer que a vida foi o bem precioso
que eu adorei. Foi meu pecado… Horrendo

seria, agora que a velhice avança,
que me sinto completo e além da sorte,
me agarrar a esta vida fementida.

Vou fazer do meu fim minha esperança,
Ó sono, vem!… Que eu quero amar a morte
com o mesmo engano com que amei a vida.

Mário Raul de Morais Andrade (n. em São Paulo, a 9 de Out de 1893; m. em São Paulo a 25 de Fev. de 1945)