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O longe e o perto – Ribeiro Couto Maio 30, 2009

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 12:43 pm
Jardim à Noite Uploaded on flickr.com by kapa jota

Logo que a noite envolve em sombras o jardim
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.

Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal “gosto amargo de infelizes”,
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.

Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.

Ribeiro de Almeida Couto (n. Santos, São Paulo a 12 Mar 1898; m. em Paris a 30 de Mai de 1963)

Ler do mesmo autor, neste blog: No Jardim Em Penumbra; Santos; Noite De Tormenta

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Santos – Ribeiro Couto Maio 30, 2008

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 12:38 am
Café foto daqui

Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.
0s pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.

Sou também teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo por todos os climas
E o cheiro do café me dá tua presença.

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto (n. em Santos (SP) a 12 de Março de 1898; m. em Paris a 30 de Maio de 1963).

 

Santos – Ribeiro Couto

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 12:38 am
Café foto daqui

Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.
0s pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.

Sou também teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo por todos os climas
E o cheiro do café me dá tua presença.

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto (n. em Santos (SP) a 12 de Março de 1898; m. em Paris a 30 de Maio de 1963).

 

Santos – Ribeiro Couto

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 12:38 am
Café foto daqui

Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.
0s pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.

Sou também teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo por todos os climas
E o cheiro do café me dá tua presença.

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto (n. em Santos (SP) a 12 de Março de 1898; m. em Paris a 30 de Maio de 1963).

 

Santos – Ribeiro Couto

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 12:38 am
Café foto daqui

Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.
0s pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.

Sou também teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo por todos os climas
E o cheiro do café me dá tua presença.

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto (n. em Santos (SP) a 12 de Março de 1898; m. em Paris a 30 de Maio de 1963).

 

Noite de Tormenta – Ribeiro Couto Março 12, 2008

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 12:52 am
A mão do vento é má e me procura;
fria, contra o meu rosto a não quisera,
mão que saiu de alguma sepultura
da mais perdida, mais remota era.

Nenhuma porta mais está segura:
o vento trouxe alguém que ali me espera,
alguém que, com cicios de conjura,
ri escarninho do pavor que gera.

Em noites de tormenta como esta,
penso na mão que outrora me acudia,
meigamente pousada em minha testa.

Cessou a chuva. O vento já não ouço.
A casa é como um berço… Principia
seu brando movimento de balouço…

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto nasceu em Santos (SP) a 12 de Março de 1898 e faleceu em Paris a 30 de Maio de 1963. Foi jornalista em São Paulo (1915/18) e, após concluído o curso de Direito (1919), no Rio (1919/22). Promotor público dos estados de São Paulo (1924/ 25) e de Minas Gerais (1926/28), acabou por se dedicar à carreira consular, a partir desta última data: Marselha, Paris, Haia, Lisboa, Belgrado. Estreou-se em livro com os «Poemetos de Ternura e Melancolia» (1924), dando origem ao penumbrismo (confidência, surdina, suavidade e meios tons). O seu avô materno era português e ele próprio ainda era primo do escritor Adolfo Casais Monteiro, o que provocou o volume de «Correspondência de Família» (1933). Quando permaneceu em Portugal como secretário de embaixada, reuniu as suas produções poéticas de 1914 a 1943 no volume «Dia Longo» (1944) e publicou também «Uma Noite de Chuva e outros contos». Depois, editar-se-iam ainda «Entre Mar e Rio» (1952) e «Sentimento Lusitano» (1963).

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

 

No Jardim em Penumbra – Ribeiro Couto Maio 30, 2007

Filed under: poesia,Ribeiro Couto — looking4good @ 8:28 pm
foto: Jardim silencioso

Na penumbra em que jaz o jardim silencioso
A tarde triste vai morrendo… desfalece…
Sobre a pedra de um banco um vulto doloroso
Vem sentar-se, isolado, e como que se esquece.

Deve ser um secreto, um delicado gozo
Permanecer assim, na hora em que a noite desce,
Anônimo, na paz do jardim silencioso,
Numa imobilidade extática de prece.

Em lugar tão propício à doçura das almas
Ele vem meditar muitas vezes, sozinho,
No mesmo banco, sob a carícia das palmas.

E uma só vez o vi chorar, um choro brando…
Fiquei a ouvir… Caíra a noite, de mansinho…
Uma voz de menina ao longe ia cantando.

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto (n. Santos, São Paulo a 12 Mar 1898; m. em Paris a 30 de Mai de 1963)