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Soneto – José Maria do Amaral Março 14, 2009

Filed under: José Maria do Amaral,poesia — looking4good @ 1:12 am

Passaste como a estrela matutina,
Que se some na luz pura da aurora;
Da vida só viveste aquela hora
Em que a existência em flor luz sem neblina.

Ver-te e perder-te! De tão triste sina
Não passa a mágoa em mim, antes piora;
Sem ver-te já, minha alma ainda te adora
Em triste culto que a saudade ensina.

Não vivo aqui; a vida em ti só ponho,
Na fé, de Cristo filha, a dor abrigo,
Futuro em ti no céu vejo risonho!

este mundo, meu mundo é teu jazigo;
Dizem que a vida é triste e falaz sonho,
Se é sonho a vida, sonharei contigo.

José Maria do Amaral Filho (nasceu no Rio de Janeiro a 14 de Março de 1812 — faleceu em Niterói a 23 de Set. de 1885)

Ler do mesmo autor neste blog: Tristezas de Minha Alma Tão Sentidas

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Passaste como a estrela matutina – José Maria Amaral Setembro 23, 2008

Filed under: José Maria do Amaral,poesia,Unicepe — looking4good @ 8:14 pm
imagem daqui


Passaste como a estrela matutina,
que se some na luz pura da aurora;
da vida só viveste aquela hora
em que a existência em flor luz sem neblina.

Ver-te e perder-te! De tão triste sina
não passa a mágoa em mim, antes piora;
sem ver-te já, minh’alma ‘inda te adora
em triste culto que a saudade ensina.

Não vivo aqui; a vida em ti só ponho.
Na fé, de Cristo filha, a dor abrigo;
futuro em ti no céu vejo risonho!

Neste mundo, meu mundo é teu jazigo;
dizem que a vida é triste e falaz sonho;
se é sonho a vida, sonharei contigo.

JOSÉ MARIA DO AMARAL nasceu no Rio de Janeiro a 14 de Março de 1813 e faleceu em Niterói (RJ) a 23 de Setembro de 1885. Diplomado em Direito e Medicina por Paris, seguiu a carreira diplomática (Paris, Washington, capitais sul-americanas). Foi conselheiro do Império e deixou toda a sua obra dispersa por jornais e revistas. No fim da vida, a dúvida e o desespero atormentaram-no. O soneto, que incluímos, é dedicado à morte de uma filha.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Passaste como a estrela matutina – José Maria Amaral

Filed under: José Maria do Amaral,poesia,Unicepe — looking4good @ 8:14 pm
imagem daqui


Passaste como a estrela matutina,
que se some na luz pura da aurora;
da vida só viveste aquela hora
em que a existência em flor luz sem neblina.

Ver-te e perder-te! De tão triste sina
não passa a mágoa em mim, antes piora;
sem ver-te já, minh’alma ‘inda te adora
em triste culto que a saudade ensina.

Não vivo aqui; a vida em ti só ponho.
Na fé, de Cristo filha, a dor abrigo;
futuro em ti no céu vejo risonho!

Neste mundo, meu mundo é teu jazigo;
dizem que a vida é triste e falaz sonho;
se é sonho a vida, sonharei contigo.

JOSÉ MARIA DO AMARAL nasceu no Rio de Janeiro a 14 de Março de 1813 e faleceu em Niterói (RJ) a 23 de Setembro de 1885. Diplomado em Direito e Medicina por Paris, seguiu a carreira diplomática (Paris, Washington, capitais sul-americanas). Foi conselheiro do Império e deixou toda a sua obra dispersa por jornais e revistas. No fim da vida, a dúvida e o desespero atormentaram-no. O soneto, que incluímos, é dedicado à morte de uma filha.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Tristezas de minha alma tão sentidas… – José Maria do Amaral Março 14, 2008

Filed under: José Maria do Amaral,poesia — looking4good @ 1:38 am

Tristezas de minha alma tão sentidas,
Que sois doces memórias do passado,
Do tempo já vivido, e tão lembrado,
Ainda me dais as horas já perdidas!

Horas de tanto bem, tão bem vividas,
Quando vivi feliz e descuidado,
Sejam ao coração desenganado
Sonhos que enganem dores tão gemidas

Tem hoje o meu viver tal agonia,
Que é doçura a tristeza da saudade,
E a saudade do tempo é poesia.

Flores da quadra sois da mocidade,
Minha velhice em vós se refugia,
Tristezas de minha alma em soledade…

José Maria do Amaral (n. o Rio de Janeiro a 14 de Março de 1812; m. Niterói, 23 de Setembro de 1885)

 

Tristezas de minha alma tão sentidas… – José Maria do Amaral

Filed under: José Maria do Amaral,poesia — looking4good @ 1:38 am

Tristezas de minha alma tão sentidas,
Que sois doces memórias do passado,
Do tempo já vivido, e tão lembrado,
Ainda me dais as horas já perdidas!

Horas de tanto bem, tão bem vividas,
Quando vivi feliz e descuidado,
Sejam ao coração desenganado
Sonhos que enganem dores tão gemidas

Tem hoje o meu viver tal agonia,
Que é doçura a tristeza da saudade,
E a saudade do tempo é poesia.

Flores da quadra sois da mocidade,
Minha velhice em vós se refugia,
Tristezas de minha alma em soledade…

José Maria do Amaral (n. no Rio de Janeiro a 14 de Março de 1812; m. Niterói, 23 de Setembro de 1885)