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Eu sonhei que ia provando …- Fernando Caldeira Novembro 7, 2008

Filed under: Fernando Caldeira,poesia — looking4good @ 1:35 am
Camélia daqui

Eu sonhei que ia provando
pela tua boca mel, ia
a beijar uma camélia
e ao mesmo tempo sonhando

Era a que tinhas no meio
do decote do vestido
Se eu te não amasse, ah! creio
não a tinha talvez tido

Ingrata! a ver-me sem fala
ansioso e tu bem sabias…
ias contudo esfolhá-la
ali mesmo. Quem sabe? ias!

Depois, da mão descuidosa
lendo em minh’alma se leste
entre um sorriso celeste
deixaste cair a rosa

Caiu-te aos pés… N’um momento
era minha. Oh! faze ideia
quiz lhe dar a vida e dei-a
n’um longo beijo sedento

Mas trás um feltro consigo!
Trouxe-o talvez do teu seio!
Faz sonhar, mas não consigo
sonhar, que sonhas; eu sei-o

que, se o meu sonho só mente
não mente a flor, que em teu peito
murchava achando sómente
a neve de que ele é feito

Extraído daqui (o que se recomenda vivamente)
Fernando Afonso Geraldes Caldeira (n. em Águeda a 7 Nov. 1841; m. em Lisboa a 2 de Abril 1894).

Ler do mesmo autor neste blog: Fases da Vida

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Eu sonhei que ia provando …- Fernando Caldeira

Filed under: Fernando Caldeira,poesia — looking4good @ 1:35 am
Camélia daqui

Eu sonhei que ia provando
pela tua boca mel, ia
a beijar uma camélia
e ao mesmo tempo sonhando

Era a que tinhas no meio
do decote do vestido
Se eu te não amasse, ah! creio
não a tinha talvez tido

Ingrata! a ver-me sem fala
ansioso e tu bem sabias…
ias contudo esfolhá-la
ali mesmo. Quem sabe? ias!

Depois, da mão descuidosa
lendo em minh’alma se leste
entre um sorriso celeste
deixaste cair a rosa

Caiu-te aos pés… N’um momento
era minha. Oh! faze ideia
quiz lhe dar a vida e dei-a
n’um longo beijo sedento

Mas trás um feltro consigo!
Trouxe-o talvez do teu seio!
Faz sonhar, mas não consigo
sonhar, que sonhas; eu sei-o

que, se o meu sonho só mente
não mente a flor, que em teu peito
murchava achando sómente
a neve de que ele é feito

Extraído daqui (o que se recomenda vivamente)
Fernando Afonso Geraldes Caldeira (n. em Águeda a 7 Nov. 1841; m. em Lisboa a 2 de Abril 1894).

Ler do mesmo autor neste blog: Fases da Vida

 

Fases da Vida – Fernando Caldeira Novembro 7, 2007

Filed under: Fernando Caldeira,poesia — looking4good @ 7:25 pm

Abri meus olhos ao raiar da aurora
e parti. Veio o sol, e então, segui-a
a sombra, que eu julgava guiadora,
a minha própria sombra fugidia.

E foi subindo o sol; Ao meio dia,
Escondeu-se-me aos pés a sombra; agora,
se volvo o olhar onde passei outrora,
vejo-a seguir-me, a sombra que eu seguia.

A gente é o sol de um dia; sobe, avança,
passa o zénite e vai na imensidade
apagar-se do mar, onde se lança.

E a vida é a própria sombra; meia idade,
somos nós que a seguimos, e é a Esperança;
depois segue-nos ela: é a Saudade.

Fernando Afonso Geraldes Caldeira (n. em Águeda a 7 Nov. 1841; m. em Lisboa a 2 de Abril 1894)

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe 2004)

Aqui apetece-me pôr um comentário pessoal: Sublime !