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Visita Infalível – Félix Pacheco (no aniversário da morte do poeta) Dezembro 6, 2008

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 8:05 pm

Ouço-lhe o surdo passo e lhe pressinto o vulto
Na meia sombra ambiente. Invisível se esgueira
De manso, a foice às mãos, calada, sorrateira,
E já pronta a oficiar na lágrima o seu culto…

Nunca avisa a quem busca e chega sem tumulto,
E passeia indecisa e incerta, a casa inteira,
Parando em cada quarto, a espreitar, agoireira…
É cedo! Exclama. E ri com o seu riso oculto…

E vai-se… E torna a vir… Parte outra vez… Regressa…
Espera um pouco e volta… E repete, freqüente,
Mas sempre silenciosa, a obrigação sem pressa…

Ninguém suspeita nada, ou receia da sorte…
Desfila e corre o tempo indiferentemente…
Mas um dia, ai de nós! Entra a visita, é a morte!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

Ler do mesmo autor Estranhas Lágrimas

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Visita Infalível – Félix Pacheco (no aniversário da morte do poeta)

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 8:05 pm

Ouço-lhe o surdo passo e lhe pressinto o vulto
Na meia sombra ambiente. Invisível se esgueira
De manso, a foice às mãos, calada, sorrateira,
E já pronta a oficiar na lágrima o seu culto…

Nunca avisa a quem busca e chega sem tumulto,
E passeia indecisa e incerta, a casa inteira,
Parando em cada quarto, a espreitar, agoireira…
É cedo! Exclama. E ri com o seu riso oculto…

E vai-se… E torna a vir… Parte outra vez… Regressa…
Espera um pouco e volta… E repete, freqüente,
Mas sempre silenciosa, a obrigação sem pressa…

Ninguém suspeita nada, ou receia da sorte…
Desfila e corre o tempo indiferentemente…
Mas um dia, ai de nós! Entra a visita, é a morte!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

Ler do mesmo autor Estranhas Lágrimas

 

Símbolo d’arte – Félix Pacheco Agosto 2, 2008

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 3:50 am
Foto: Crisantemos Roxos

Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte…

E o meu símbolo d’arte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!

José Félix Alves Pacheco (n. Teresina, 2 de Agosto de 1879; m. Rio de Janeiro, 6 de Dez de 1935).
 

Símbolo d’arte – Félix Pacheco

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 3:50 am
Foto: Crisantemos Roxos

Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte…

E o meu símbolo d’arte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!

José Félix Alves Pacheco (n. Teresina, 2 de Agosto de 1879; m. Rio de Janeiro, 6 de Dez de 1935).
 

Estranhas Lágrimas – Félix Pacheco Dezembro 6, 2007

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 7:16 am
lágrimas

Lágrimas… Noutras épocas verti-as.
Não tinha o olhar enxuto como agora.
Alma, dizia então comigo, chora,
Que o pranto diminui as agonias.

Ah! Quantas vezes, pelas faces frias,
Por mal do meu amor, que se ia embora,
Gota a gota rolando, elas, outrora,
Marcaram noites e marcaram dias!

Vinham do oceano d’alma imenso e fundo,
Ondas de angústia em suspiroso arranco,
Numa desesperança acerba e louca…

Nos olhos, hoje, as lágrimas estanco,
Mas rolam todas, sem que as veja o mundo,
Sob a forma de risos, pela boca!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

 

Estranhas Lágrimas – Félix Pacheco

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 7:16 am
lágrimas

Lágrimas… Noutras épocas verti-as.
Não tinha o olhar enxuto como agora.
Alma, dizia então comigo, chora,
Que o pranto diminui as agonias.

Ah! Quantas vezes, pelas faces frias,
Por mal do meu amor, que se ia embora,
Gota a gota rolando, elas, outrora,
Marcaram noites e marcaram dias!

Vinham do oceano d’alma imenso e fundo,
Ondas de angústia em suspiroso arranco,
Numa desesperança acerba e louca…

Nos olhos, hoje, as lágrimas estanco,
Mas rolam todas, sem que as veja o mundo,
Sob a forma de risos, pela boca!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

 

Estranhas Lágrimas – Félix Pacheco

Filed under: Félix Pacheco,poesia — looking4good @ 7:16 am
lágrimas

Lágrimas… Noutras épocas verti-as.
Não tinha o olhar enxuto como agora.
Alma, dizia então comigo, chora,
Que o pranto diminui as agonias.

Ah! Quantas vezes, pelas faces frias,
Por mal do meu amor, que se ia embora,
Gota a gota rolando, elas, outrora,
Marcaram noites e marcaram dias!

Vinham do oceano d’alma imenso e fundo,
Ondas de angústia em suspiroso arranco,
Numa desesperança acerba e louca…

Nos olhos, hoje, as lágrimas estanco,
Mas rolam todas, sem que as veja o mundo,
Sob a forma de risos, pela boca!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)