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Quem dorme à noite comigo – Reinaldo Ferreira Junho 30, 2008

Filed under: Fado,Musica,poesia,Reinaldo Ferreira — looking4good @ 12:39 am

Reinaldo Ferreira morreu em Lourenço Marques, actual Maputo, faz hoje 49 anos. Pode pensar que não o conhece mas certamente sabe alguma coisa dele. Veja se não reconhece este poema!

Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.

Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira nasceu em Barcelona (Espanha) a 20 de Março de 1922 e morreu de cancro em Lourenço Marques (Moçambique) a 30 de Junho de 1959.

Este poema ficou celebrizado na voz de Amália Rodrigues num fado «Medo» com música de Alain Oulman. Pode ouvi-lo de seguida, quer na voz de Amália, quer noutra interpretação de Mariza. Bom dia, boa poesia e boa música !

Amália Rodrigues – Medo (Quem dorme à noite comigo)

Mariza – Medo (Quem dorme à noite comigo)

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Quem dorme à noite comigo? – Reinaldo Ferreira Março 20, 2008

Filed under: Amália Rodrigues,Fado,Mariza,Reinaldo Ferreira — looking4good @ 1:11 am

Reinaldo Ferreira nasceu faz hoje precisamente 86 anos. Pode pensar que não o conhece mas certamente sabe alguma coisa dele. Veja se não reconhece este poema!

Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.

Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira nasceu em Barcelona (Espanha) a 20 de Março de 1922 e morreu de cancro em Lourenço Marques (Moçambique) a 30 de Junho de 1959.

Este poema ficou celebrizado na voz de Amália Rodrigues num fado «Medo» com música de Alain Oulman. Pode ouvi-lo de seguida, quer na voz de Amália, quer noutra interpretação de Mariza. Bom dia, boa poesia e boa música !

Amália Rodrigues – Medo (Quem dorme à noite comigo)

Mariza – Medo (Quem dorme à noite comigo)

 

Passemos, tu e eu, devagarinho … – Reinaldo Ferreira

Filed under: poesia,Reinaldo Ferreira,Unicepe — looking4good @ 1:03 am
Passemos, tu e eu, devagarinho,
sem ruído, sem quase movimento,
tão mansos que a poeira do caminho
a pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
de folhas arrastadas pelo vento,
saibam beber o precioso vinho,
a rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir…
E se a noite quiser, pode cobrir
triunfalmente o céu de nuvens calmas…

De costas para o Sol, então veremos
fundir-se as duas sombras que tivemos
numa só sombra, como as nossas almas.

Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira nasceu em Barcelona (Espanha) a 20 de Março de 1922 e morreu de cancro em Lourenço Marques (Moçambique) a 30 de Junho de 1959. Filho do jornalista Reinaldo Ferreira (Repórter X), estudou no Porto até 1941 e radicou-se desde os 20 anos em Moçambique, onde foi funcionário dos Serviços de Administração Civil da colónia e colaborador do Rádio Clube de Lourenço Marques. Personalidade tímida e esquiva, só em 1960 os seus poemas foram reunidos em volume. Dele disse José Régio: «Este poeta é um pensador, este sensitivo um sarcasta ou irónico, este aceitante do absurdo um raciocinante. E tudo isto compõe o riquíssimo tecido dos seus poemas mais originais».

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.