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Fronteira – Tasso da Silveira (na passagem do 40º. aniversário da morte do poeta) Dezembro 3, 2008

Filed under: poesia,Tasso da Silveira — looking4good @ 1:48 am

Há o silêncio das estradas
e o silêncio das estrelas
e um canto de ave, tão branco,
tão branco, que se diria
também ser puro silêncio.
Não vem mensagem do vento,
nem ressonâncias longínquas
de passos passando em vão.
Há um porto de águas paradas
e um barco tão solitário,
que se esqueceu de existir.
Há uma lembrança do mundo
mas tão distante e suspensa…

Há uma saudade da vida
porém tão perdida e vaga,
e há a espera, a infinita espera,
a espera quase presença
da mão de puro mistério
que tomará minha mão
e me levará sonhando
para além deste silêncio,
para além desta aflição.

Tasso de Azevedo da Silveira (n. em Curitiba (PR) a 11 de Março de 1895 e morreu no Rio de Janeiro a 3 de Dezembro de 1968)

Ler do mesmo autor Poema 17 [Esquece o tempo. O tempo não existe]

 

Poema 17 – Tasso da Silveira Março 11, 2008

Filed under: poesia,Tasso da Silveira — looking4good @ 1:36 am

Esquece o tempo. O tempo não existe.
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.

Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural. A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos,
para que te encontrasse em minha vida…

Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente,
sina de navegar por este mar,

foi para que tivesse olhos orantes
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esperar…

Tasso de Azevedo da Silveira (n. em Curitiba (PR) a 11 de Março de 1895 e morreu no Rio de Janeiro a 3 de Dezembro de 1968)