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Mário Viegas faleceu há 13 anos Abril 1, 2009

Filed under: Mário Viegas,poesia — looking4good @ 12:32 am
A minha vida é o Teatro e o Teatro é a minha vida
António Mário Lopes Viegas (nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948). Foi um grande actor (ganhou o prémio Garret de melhor actor em 1987) e encenador português. Foi também um exímio declamador de poesia. Faleceu, em Lisboa, faz hoje precisamente treze anos e por isso deixamos aqui uma pequena lembrança, podendo ouvi-lo a dizer poemas de Pessoa:
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Mário Viegas desapareceu há doze anos Abril 1, 2008

Filed under: Alberto Caeiro,Fernando Pessoa,Mário Viegas,poesia — looking4good @ 7:37 pm
António Mário Lopes Viegas (nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948). Foi um grande actor (ganhou o prémio Garret de melhor actor em 1987) e encenador português. Foi também um exímio declamador de poesia. Faleceu, em Lisboa, faz hoje precisamente doze anos e por isso deixamos aqui uma pequena lembrança, podendo ouvi-lo dizer um poema, de que gosto muito particularmente, de Fernando Pessoa:

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores nâo serâo menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte nâo tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

 

Mário Viegas desapareceu há doze anos

Filed under: Alberto Caeiro,Fernando Pessoa,Mário Viegas,poesia — looking4good @ 7:37 pm
António Mário Lopes Viegas (nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948). Foi um grande actor (ganhou o prémio Garret de melhor actor em 1987) e encenador português. Foi também um exímio declamador de poesia. Faleceu, em Lisboa, faz hoje precisamente doze anos e por isso deixamos aqui uma pequena lembrança, podendo ouvi-lo dizendo poemas de Pessoa:

O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,

A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

(Alberto Caeiro)

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente.
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos…

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros…

-Alberto Caeiro-