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3 Maio – Dia da Mãe em Portugal Maio 3, 2009

Filed under: Dia,Eugénio de Andrade,Mãe,poesia — looking4good @ 2:15 am

Em Portugal, o Dia da Mãe começou por ser festejado no dia 8 de Dezembro em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. No entanto, hoje em dia é celebrado no primeiro domingo do mês de Maio, ou seja hoje!

POEMA À MÂE

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? –
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal…

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

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To A Green God – Eugénio de Andrade Janeiro 19, 2009

Filed under: Eugénio de Andrade,Paul Cézanne,pintura,poesia — looking4good @ 1:16 am
Chateau Noir, Oil on Canvas 1900-04 : 27 1/2″ x 32 1/4″
National Gallery of Art, Washington, D.C; Venturi 796
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)

Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era um corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce.

Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.

in 366 poemas que falam de amor, antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

Eugénio de Andrade (n. em 19 Jan 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão; m. no Porto a 13 Jun 2005).

Do mesmo autor ler neste blog:
 

To A Green God – Eugénio de Andrade

Filed under: Eugénio de Andrade,Paul Cézanne,pintura,poesia — looking4good @ 1:16 am
Chateau Noir, Oil on Canvas 1900-04 : 27 1/2″ x 32 1/4″
National Gallery of Art, Washington, D.C; Venturi 796
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)

Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era um corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce.

Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.

in 366 poemas que falam de amor, antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

Eugénio de Andrade (n. em 19 Jan 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão; m. no Porto a 13 Jun 2005).

Do mesmo autor ler neste blog:
 

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão – Eugénio de Andrade Janeiro 19, 2008

Filed under: Eugénio de Andrade,poesia — looking4good @ 1:38 am
Jeune garçon au gilet rouge – 1888-89 E.G. Bührle Collection, Zurich
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)


Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.

Eugénio de Andrade (n. em 19 Jan 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão; m. no Porto a 13 Jun 2005)

Do mesmo autor ler neste blog:
 

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão – Eugénio de Andrade

Filed under: Eugénio de Andrade,poesia — looking4good @ 1:38 am
Jeune garçon au gilet rouge – 1888-89 E.G. Bührle Collection, Zurich
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)


Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.

Eugénio de Andrade (n. em 19 Jan 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão; m. no Porto a 13 Jun 2005)

Do mesmo autor ler neste blog:
 

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão – Eugénio de Andrade

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Jeune garçon au gilet rouge – 1888-89 E.G. Bührle Collection, Zurich
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)


Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.

Eugénio de Andrade (n. em 19 Jan 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão; m. no Porto a 13 Jun 2005)

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Hoje deitei-me ao lado da minha solidão – Eugénio de Andrade

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Jeune garçon au gilet rouge – 1888-89 E.G. Bührle Collection, Zurich
Paul Cézanne (n. 19 de Jan.1839, em Aix-en-Provence; m. Oct. 22, 1906)


Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
o mistério das palavras maduras
ou a brancura de um amor que nos prendia.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar na voz das fontes.

Eugénio de Andrade (n. em 19 Jan 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão; m. no Porto a 13 Jun 2005)

Do mesmo autor ler neste blog: