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Nunca eu te lesse, balada! – Gonçalves Crespo Março 11, 2009

Filed under: Gonçalves Crespo,poesia — looking4good @ 1:52 am


(…)

Ontem, à tarde, beijando-a
De teu lábio a viva rosa,
Lembrou-me a historia singela
Dessa balada amorosa;
E dentro em mim de repente
Tão estranha dor senti,
Que num ímpeto demente
De teu lábio úmido e ardente
Com torvo aspecto fugi!

Lembrou-me, cabeça louca!
Que se eu acaso morresse,
Talvez um outro sorvesse
Os beijos da tua bôca…

E no azul indefinido,
Ó minha piedosa anémona!
Cuidei ouvir o gemido
Da moribunda Desdémona…

Ai desavindo amor!
Perdoa, sombra adorada!
Nunca eu te avistasse flor!
Nunca eu te lesse, balada!

in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano, recolha, selecção e organização de Inês Ramos; prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho. Ministério dos Livros, 2009.

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor Na Roça; Mater Dolorosa

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Na Roça – Gonçalves Crespo Junho 11, 2008

Filed under: Gonçalves Crespo,poesia — looking4good @ 12:42 am
Chegando da Roça de Jocelino Soares daqui
Cercada de mestiças, no terreiro,
cisma a Senhora Moça; vem descendo
a noite e, pouco a pouco, escurecendo
o vale umbroso e o monte sobranceiro.

Brilham insectos no capim rasteiro,
vêm das matas os negros recolhendo;
na longa estrada, ecoa esmorecendo
o monótono canto de um tropeiro.

Atrás das grades, pardas borboletas,
crianças nuas lá se vão inquietas
na varanda, correndo, ladrilhada.

Desponta a lua, o sabiá gorgeia,
enquanto às portas do curral ondeia
a mugidora fila da boiada…

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883. Filho de português e mestiça, veio para Portugal aos 14 anos e matriculou-se, em 1870, na universidade de Coimbra, onde concluiu o bacharelato em Direito em 1875. Casou com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho (12 de Março de 1874) e foi deputado pelo círculo da Índia (1879 e 1884). Apesar de naturalizado português, é autor de alguns poemas tipicamente brasileiros. Não é por acaso que o principal expoente do Parnasianismo português é natural do Brasil, país onde esse movimento literário haveria de conhecer grande voga. Estreou-se com «Miniaturas» (1871), donde foi extraído o soneto «Na Roça», sendo os outros dois dos «Nocturnos» (1882).

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Na Roça – Gonçalves Crespo

Filed under: Gonçalves Crespo,poesia — looking4good @ 12:42 am
Chegando da Roça de Jocelino Soares daqui
Cercada de mestiças, no terreiro,
cisma a Senhora Moça; vem descendo
a noite e, pouco a pouco, escurecendo
o vale umbroso e o monte sobranceiro.

Brilham insectos no capim rasteiro,
vêm das matas os negros recolhendo;
na longa estrada, ecoa esmorecendo
o monótono canto de um tropeiro.

Atrás das grades, pardas borboletas,
crianças nuas lá se vão inquietas
na varanda, correndo, ladrilhada.

Desponta a lua, o sabiá gorgeia,
enquanto às portas do curral ondeia
a mugidora fila da boiada…

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883. Filho de português e mestiça, veio para Portugal aos 14 anos e matriculou-se, em 1870, na universidade de Coimbra, onde concluiu o bacharelato em Direito em 1875. Casou com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho (12 de Março de 1874) e foi deputado pelo círculo da Índia (1879 e 1884). Apesar de naturalizado português, é autor de alguns poemas tipicamente brasileiros. Não é por acaso que o principal expoente do Parnasianismo português é natural do Brasil, país onde esse movimento literário haveria de conhecer grande voga. Estreou-se com «Miniaturas» (1871), donde foi extraído o soneto «Na Roça», sendo os outros dois dos «Nocturnos» (1882).

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Na Roça – Gonçalves Crespo

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Chegando da Roça de Jocelino Soares daqui
Cercada de mestiças, no terreiro,
cisma a Senhora Moça; vem descendo
a noite e, pouco a pouco, escurecendo
o vale umbroso e o monte sobranceiro.

Brilham insectos no capim rasteiro,
vêm das matas os negros recolhendo;
na longa estrada, ecoa esmorecendo
o monótono canto de um tropeiro.

Atrás das grades, pardas borboletas,
crianças nuas lá se vão inquietas
na varanda, correndo, ladrilhada.

Desponta a lua, o sabiá gorgeia,
enquanto às portas do curral ondeia
a mugidora fila da boiada…

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883. Filho de português e mestiça, veio para Portugal aos 14 anos e matriculou-se, em 1870, na universidade de Coimbra, onde concluiu o bacharelato em Direito em 1875. Casou com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho (12 de Março de 1874) e foi deputado pelo círculo da Índia (1879 e 1884). Apesar de naturalizado português, é autor de alguns poemas tipicamente brasileiros. Não é por acaso que o principal expoente do Parnasianismo português é natural do Brasil, país onde esse movimento literário haveria de conhecer grande voga. Estreou-se com «Miniaturas» (1871), donde foi extraído o soneto «Na Roça», sendo os outros dois dos «Nocturnos» (1882).

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Na Roça – Gonçalves Crespo

Filed under: Gonçalves Crespo,poesia — looking4good @ 12:42 am
Chegando da Roça de Jocelino Soares daqui
Cercada de mestiças, no terreiro,
cisma a Senhora Moça; vem descendo
a noite e, pouco a pouco, escurecendo
o vale umbroso e o monte sobranceiro.

Brilham insectos no capim rasteiro,
vêm das matas os negros recolhendo;
na longa estrada, ecoa esmorecendo
o monótono canto de um tropeiro.

Atrás das grades, pardas borboletas,
crianças nuas lá se vão inquietas
na varanda, correndo, ladrilhada.

Desponta a lua, o sabiá gorgeia,
enquanto às portas do curral ondeia
a mugidora fila da boiada…

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883. Filho de português e mestiça, veio para Portugal aos 14 anos e matriculou-se, em 1870, na universidade de Coimbra, onde concluiu o bacharelato em Direito em 1875. Casou com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho (12 de Março de 1874) e foi deputado pelo círculo da Índia (1879 e 1884). Apesar de naturalizado português, é autor de alguns poemas tipicamente brasileiros. Não é por acaso que o principal expoente do Parnasianismo português é natural do Brasil, país onde esse movimento literário haveria de conhecer grande voga. Estreou-se com «Miniaturas» (1871), donde foi extraído o soneto «Na Roça», sendo os outros dois dos «Nocturnos» (1882).

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Mater Dolorosa – Gonçalves Crespo Junho 11, 2007

Filed under: Gonçalves Crespo,poesia — looking4good @ 12:54 pm
foto: Angústia, quadro de David Alfaro Siqueiros

Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa estátua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
das gementes alcíones o bando
via-se ao longe, em círculos, voando
dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
e a Lua sucedera, astro mavioso,
de alvor banhando os alcantis das fragas…

E aquela pobre mãe, não dando conta
que o Sol morrera, e que o luar desponta,
a vista embebe na amplidão das vagas…

António Cândido Gonçalves Crespo (n. Rio de Janeiro a 11 Mar 1846; m. em Lisboa a 11 Jun 1883)

 

Mater Dolorosa – Gonçalves Crespo

Filed under: Gonçalves Crespo,poesia — looking4good @ 12:54 pm
foto: Angústia, quadro de David Alfaro Siqueiros

Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa estátua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
das gementes alcíones o bando
via-se ao longe, em círculos, voando
dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
e a Lua sucedera, astro mavioso,
de alvor banhando os alcantis das fragas…

E aquela pobre mãe, não dando conta
que o Sol morrera, e que o luar desponta,
a vista embebe na amplidão das vagas…

António Cândido Gonçalves Crespo (n. Rio de Janeiro a 11 Mar 1846; m. em Lisboa a 11 Jun 1883)