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Berço – Pedro Homem de Mello Setembro 6, 2008

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 12:35 am
Violetas imagem daqui
Mansa criança brava,
Fui das mais,
Diferente.
Então, tristes, meus pais
Sentiram, certamente,
Em mim, como um castigo!

Noite e dia eu sonhava…
E era sempre comigo!

Depois, fugindo à gente
Eu procurava as flores,
Em todas encontrando
Jeito grácil e brando
De brinquedos e amores…

As violetas sombrias
Dos bosques de Cabanas
Essas, sim! Entendias
E julgava-as humanas!…

In Livro “Estrela Morta”

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de Setembro de 1904 – m. Porto, 5 de Março de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Uma ansia de nudez
Povo que lavas no rio
Fado
Não choreis os mortos
Revelação

 

Berço – Pedro Homem de Mello

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 12:35 am
Violetas imagem daqui
Mansa criança brava,
Fui das mais,
Diferente.
Então, tristes, meus pais
Sentiram, certamente,
Em mim, como um castigo!

Noite e dia eu sonhava…
E era sempre comigo!

Depois, fugindo à gente
Eu procurava as flores,
Em todas encontrando
Jeito grácil e brando
De brinquedos e amores…

As violetas sombrias
Dos bosques de Cabanas
Essas, sim! Entendias
E julgava-as humanas!…

In Livro “Estrela Morta”

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de Setembro de 1904 – m. Porto, 5 de Março de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Uma ansia de nudez
Povo que lavas no rio
Fado
Não choreis os mortos
Revelação

 

Obrigado – Pedro Homem de Mello Março 5, 2008

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 1:16 am

Por teu sorriso anônimo, discreto,
(O meu país é um reino sossegado…)

Pela ausência da carne em teu afeto,
Obrigado!

Pelo perdão que o teu olhar resume,
Por tua formosura sem pecado,
Por teu amor sem ódio e sem ciúme,
Obrigado!

Por no jardim da noite, a horas más,
A tua aparição não ter faltado,
Pelo teu braço de silêncio e paz,
Obrigado!

Por não passar um dia em que eu não diga
— Existo, sem futuro e sem passado.
Por toda a sonolência que me abriga…
Obrigado!

E tu, que hoje és meu íntimo contraste,
Ó mão que beijo por me haver cegado!
Ai! Pelo sonho intato que salvaste,
Obrigado! Obrigado! Obrigado!

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de Setembro de 1904 – m. Porto, 5 de Março de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Povo que lavas no rio
Fado
Não choreis os mortos
Revelação

 

Poema – Pedro Homem de Mello Setembro 6, 2007

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 1:29 am
Starry Night Over the Rhone, Vincent van Gogh, 1888
Oil on canvas, 72.5 × 92 cm, Musée d’Orsay, Paris
Noite. Fundura. A treva
E mais doce talvez…
E uma ânsia de nudez
Sacode os filhos de Eva.

Não a nudez apenas
Dos corpos sofredores
Mas a das almas plenas
De indecisos amores.

A voz do sangue grita
E a das almas responde!
Labareda infinita
Que nas sombras se esconde.

Mas quase sem ruído,
Na carne ao abandono
O hálito do sono
Desce como um vestido…

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de Setembro de 1904 – m. Porto, 5 de Março de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Povo que lavas no rio
Fado
Não choreis os mortos
Revelação

 

Uma Ânsia de Nudez – Pedro Homem de Mello

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 1:29 am
Starry Night Over the Rhone, Vincent van Gogh, 1888
Oil on canvas, 72.5 × 92 cm, Musée d’Orsay, Paris
Noite. Fundura. A treva
E mais doce talvez…
E uma ânsia de nudez
Sacode os filhos de Eva.

Não a nudez apenas
Dos corpos sofredores
Mas a das almas plenas
De indecisos amores.

A voz do sangue grita
E a das almas responde!
Labareda infinita
Que nas sombras se esconde.

Mas quase sem ruído,
Na carne ao abandono
O hálito do sono
Desce como um vestido…

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de Setembro de 1904 – m. Porto, 5 de Março de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Povo que lavas no rio
Fado
Não choreis os mortos
Revelação

 

Uma Ânsia de Nudez – Pedro Homem de Mello

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 1:29 am
Starry Night Over the Rhone, Vincent van Gogh, 1888
Oil on canvas, 72.5 × 92 cm, Musée d’Orsay, Paris
Noite. Fundura. A treva
E mais doce talvez…
E uma ânsia de nudez
Sacode os filhos de Eva.

Não a nudez apenas
Dos corpos sofredores
Mas a das almas plenas
De indecisos amores.

A voz do sangue grita
E a das almas responde!
Labareda infinita
Que nas sombras se esconde.

Mas quase sem ruído,
Na carne ao abandono
O hálito do sono
Desce como um vestido…

Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (n. Porto em 6 de Setembro de 1904 – m. Porto, 5 de Março de 1984).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Povo que lavas no rio
Fado
Não choreis os mortos
Revelação

 

Pedro Homem de Mello morreu há 23 anos – Povo que lavas no rio Março 5, 2007

Filed under: Pedro Homem de Mello,poesia — looking4good @ 1:29 am

«Poeta de eleição de muitos fadistas, foi através do seu poema “Povo Que Lavas no Rio”, cantado por Amália Rodrigues, que alcançou a glória. Formado em Direito, exerceu as funções de advogado, magistrado e professor de liceu. Publicou extensa obra poética, e, como especialista do cantar popular, foi reconhecida a sua intervenção como folclorista. Tornou-se familiar ao público quando apresentou programas sobre folclore na televisão portuguesa» (in RTP Grandes Portugueses)

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura em fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

Pedro Homem de Mello (n. Porto, 6 de Set 1904, m. 5 Mar 1984)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Fado
Não choreis os mortos
Revelação