Nothingandall

Just another WordPress.com weblog

Do que Nada se Sabe – Jorge Luís Borges Junho 14, 2009

Filed under: Jorge Luis Borges,poesia — looking4good @ 2:18 am

A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.

As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,

Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta

E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

(versão original)

La luna ignora que es tranquila y clara
y ni siquiera sabe que es la luna;
la arena, que es la arena. No habrá una
cosa que sepa que su forma es rara.

Las piezas de marfil son tan ajenas
al abstracto ajedrez como la mano
que las rige. Quizá el destino humano
de breves dichas y de largas penas

es instrumento de otro. Lo ignoramos;
darle nombre de Dios no nos ayuda.
Vanos también son el temor, la duda

y la trunca plegaria que iniciamos.
¿Qué arco habrá arrojado esta saeta
que soy? ¿Qué cumbre puede ser la meta?

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (nasceu em Buenos Aires, 24 de Agosto de 1899 — faleceu em Genebra, 14 de Junho de 1986)

Ler do mesmo autor neste blog: Limites; O Mar

Anúncios
 

Limites – Jorge Luís Borges Agosto 24, 2008

Filed under: Jorge Luis Borges,poesia — looking4good @ 1:25 am

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,
Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,
Há um espelho que me viu pela última vez,
Há uma porta que fechei até ao fim do mundo.
Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Este verão cumprirei cinquenta anos:
A morte me desgasta, incessante.

Versão original:

Hay una línea de Verlaine que no volveré a recordar
Hay una calle próxima que está vedada a mis pasos
hay un espejo que me ha visto por última vez,
hay una puerta que he cerrado hasta el fin del mundo.
Ente los libros de mi biblioteca (estoy viéndolos)
hay alguno que ya nunca abriré.
Este verano cumpliré cinquenta años;
La muerte me desgasta, incesante.

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo(n. Buenos Aires, Argentina 24 August 1899 – m. Geneva, 14 June 1986)

 

Limites – Jorge Luís Borges

Filed under: Jorge Luis Borges,poesia — looking4good @ 1:25 am

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,
Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,
Há um espelho que me viu pela última vez,
Há uma porta que fechei até ao fim do mundo.
Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Este verão cumprirei cinquenta anos:
A morte me desgasta, incessante.

Versão original:

Hay una línea de Verlaine que no volveré a recordar
Hay una calle próxima que está vedada a mis pasos
hay un espejo que me ha visto por última vez,
hay una puerta que he cerrado hasta el fin del mundo.
Ente los libros de mi biblioteca (estoy viéndolos)
hay alguno que ya nunca abriré.
Este verano cumpliré cinquenta años;
La muerte me desgasta, incesante.

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges (n. Buenos Aires, Argentina 24 August 1899 – m. Geneva, 14 June 1986)

 

O Mar – Jorge Luís Borges Agosto 24, 2007

Filed under: Jorge Luis Borges,poesia — looking4good @ 12:43 am


Antes que o sonho (ou o terror) tecera
mitologias e cosmogonias,
antes que o tempo se cunhasse em dias,
o mar, sempre o mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é o violento
e antigo ser que destrói os pilares
da terra, e é só um e muitos mares,
e abismo e resplendor e azar e vento?
Quem o olha vê-o pela vez primeira,
sempre. Com o assombro tal que as coisas
elementares deixam, as formosas
tardes, a lua, o fogo da fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia
que virá logo após a minha agonia.

Jorge Luis Borges (n. em Buenos Aires a 24 Ago 1899, m. em Genebra a 14 de Junho de 1986)
Trad. José Bento
in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Porto 2001, Assírio & Alvim

 

O Mar – Jorge Luís Borges

Filed under: Jorge Luis Borges,poesia — looking4good @ 12:43 am


Antes que o sonho (ou o terror) tecera
mitologias e cosmogonias,
antes que o tempo se cunhasse em dias,
o mar, sempre o mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é o violento
e antigo ser que destrói os pilares
da terra, e é só um e muitos mares,
e abismo e resplendor e azar e vento?
Quem o olha vê-o pela vez primeira,
sempre. Com o assombro tal que as coisas
elementares deixam, as formosas
tardes, a lua, o fogo da fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia
que virá logo após a minha agonia.

Jorge Luis Borges (n. em Buenos Aires a 24 Ago 1899, m. em Genebra a 14 de Junho de 1986)
Trad. José Bento
in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Porto 2001, Assírio & Alvim

 

Instantes Outubro 29, 2004

Filed under: Jorge Luis Borges — looking4good @ 1:18 pm

Si pudiera vivir nuevamente mi vida.
En la próxima, trataría de cometer más errores,
No intentaría ser tan perfecto;
Me relajaría más.
Seria más tonto de lo que he sido,
De hecho, tomaría muy pocas cosas con seriedad;
Seria menos higiénico.
Correría más riesgos, haría mas viajes,
Contemplaría más atardeceres,
Subiría mas montañas, nadaría mas ríos.
Iría a más lugares donde nunca he ido,
Comería más helados y menos habas,
Tendría más problemas reales y menos imaginarios.

Yo fui una de esas personas que vivió sensata
Y prolíficamente cada minuto de su vida,
Claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás, trataría de tener
Solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso esta hecha la vida, solo de
Momentos; no te pierdas el de ahora.
Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte
Sin un termómetro, una bolsa de agua caliente,
Un paraguas y un paracaídas, si pudiera volver a vivir
Viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir, comenzaría a andar descalzo a
Principios de la primavera, y seguiría así hasta concluir
El otoño. Daría mas vueltas en calesita, contemplaría
Mas amaneceres y jugaría con mas niños,
Si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya ven,
Tengo ochenta y cinco años y se que me estoy muriendo.

Este poema é atribuido a Jorge Luis Borges mas erradamente. Em pesquisas na net consta que a autora é americana de nome Nadine Stair, no entanto, coloca-se esta informação sob reservas