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Rios – Amadeu Amaral Outubro 24, 2008

Filed under: Amadeu Amaral,poesia — looking4good @ 1:56 am
Rio Douro imagem daqui

Almas contemplativas! Vão rolando
por esta vida, como os rios quietos…
Rolam os rios – árvores e tectos,
céus e terras, tranquilos, espelhando;

vão reflectindo todos os aspectos,
num serpentear indiferente e brando;
espreguiçam-se, límpidos, cantando,
no remanso dos sítios predilectos;

fecundam plantações, movem engenhos,
dão de beber, sustentam pescadores,
suportam barcos e carreiam lenhos…

Lá se vão, num rolar manso e tristonho,
cumprindo o seu destino sem clamores
e sonhando consigo um grande sonho.

Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado nasceu em Capivari (SP) a 6 de Novembro de 1875 e faleceu em São Paulo a 24 de Outubro de 1929. Chegou em 1888 à capital do estado e, em 1921, abordou o Rio de Janeiro, mas depressa regressou a São Paulo. Foi jornalista e conferencista, dedicou-se ao magistério particular, notabilizou-se pelos seus estudos folclóricos e foi pioneiro de estudos dialectológicos. Como poeta, integrou-se na transição do parnasianismo para o simbolismo.

Ler do mesmo autor, neste blog Lua e Voz Íntima

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
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Rios – Amadeu Amaral

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Rio Douro imagem daqui

Almas contemplativas! Vão rolando
por esta vida, como os rios quietos…
Rolam os rios – árvores e tectos,
céus e terras, tranquilos, espelhando;

vão reflectindo todos os aspectos,
num serpentear indiferente e brando;
espreguiçam-se, límpidos, cantando,
no remanso dos sítios predilectos;

fecundam plantações, movem engenhos,
dão de beber, sustentam pescadores,
suportam barcos e carreiam lenhos…

Lá se vão, num rolar manso e tristonho,
cumprindo o seu destino sem clamores
e sonhando consigo um grande sonho.

Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado nasceu em Capivari (SP) a 6 de Novembro de 1875 e faleceu em São Paulo a 24 de Outubro de 1929. Chegou em 1888 à capital do estado e, em 1921, abordou o Rio de Janeiro, mas depressa regressou a São Paulo. Foi jornalista e conferencista, dedicou-se ao magistério particular, notabilizou-se pelos seus estudos folclóricos e foi pioneiro de estudos dialectológicos. Como poeta, integrou-se na transição do parnasianismo para o simbolismo.

Ler do mesmo autor, neste blog Lua e Voz Íntima

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Voz Íntima – Amadeu Amaral Outubro 24, 2007

Filed under: Amadeu Amaral,poesia — looking4good @ 6:19 am
Dreams, Serigraph on canvas, 20″ x 24 1/2″,

Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondeante
Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido,
Muito embora, na dor de um fiei celebrante
De um estranho ritual desdenhado e esquecido!

Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido,
Deixa que voe o pó da terra em torno… Adiante!
Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido
Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.

Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma
De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,
Perpassando sem ruído a caminho do Além.

E só deixes na terra uma reminiscência:
A de alguém que assistiu à luta da existência,
Triste e só, sem fazer nenhum mal a ninguém.

Amadeu Arruda Amaral Leite Penteado (n. em Capivari, São Paulo, a 6 de
Nov. de 1875; m. em São Paulo a 24 de Out. de 1929).

Ler do mesmo autor, neste blog Lua

 

Voz Íntima – Amadeu Amaral

Filed under: Amadeu Amaral,poesia — looking4good @ 6:19 am
Dreams, Serigraph on canvas, 20″ x 24 1/2″,

Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondeante
Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido,
Muito embora, na dor de um fiei celebrante
De um estranho ritual desdenhado e esquecido!

Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido,
Deixa que voe o pó da terra em torno… Adiante!
Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido
Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.

Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma
De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,
Perpassando sem ruído a caminho do Além.

E só deixes na terra uma reminiscência:
A de alguém que assistiu à luta da existência,
Triste e só, sem fazer nenhum mal a ninguém.

Amadeu Arruda Amaral Leite Penteado (n. em Capivari, São Paulo, a 6 de Nov. de 1875; m. em São Paulo a 24 de Out. de 1929).

Ler do mesmo autor, neste blog Lua

 

Voz Íntima – Amadeu Amaral

Filed under: Amadeu Amaral,poesia — looking4good @ 6:19 am
Dreams, Serigraph on canvas, 20″ x 24 1/2″,

Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondeante
Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido,
Muito embora, na dor de um fiei celebrante
De um estranho ritual desdenhado e esquecido!

Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido,
Deixa que voe o pó da terra em torno… Adiante!
Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido
Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.

Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma
De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,
Perpassando sem ruído a caminho do Além.

E só deixes na terra uma reminiscência:
A de alguém que assistiu à luta da existência,
Triste e só, sem fazer nenhum mal a ninguém.

Amadeu Arruda Amaral Leite Penteado (n. em Capivari, São Paulo, a 6 de Nov. de 1875; m. em São Paulo a 24 de Out. de 1929).

Ler do mesmo autor, neste blog Lua

 

Voz Íntima – Amadeu Amaral

Filed under: Amadeu Amaral,poesia — looking4good @ 6:19 am
Dreams, Serigraph on canvas, 20″ x 24 1/2″,

Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondeante
Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido,
Muito embora, na dor de um fiei celebrante
De um estranho ritual desdenhado e esquecido!

Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido,
Deixa que voe o pó da terra em torno… Adiante!
Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido
Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.

Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma
De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,
Perpassando sem ruído a caminho do Além.

E só deixes na terra uma reminiscência:
A de alguém que assistiu à luta da existência,
Triste e só, sem fazer nenhum mal a ninguém.

Amadeu Arruda Amaral Leite Penteado (n. em Capivari, São Paulo, a 6 de Nov. de 1875; m. em São Paulo a 24 de Out. de 1929).

Ler do mesmo autor, neste blog Lua

 

LUA – Amadeu Amaral Outubro 24, 2006

Filed under: Amadeu Amaral,poesia — looking4good @ 6:03 pm


É nestas horas em que sofro e tento
vencer o tédio, víbora refece,
que o teu vulto à lembrança me aparece
num mais doce e maior deslumbramento.

Vem como a clara lua que esplandece,
inesperada, por um céu nevoento;
minha alma se ergue, então, no alheiamento
de uma dorida fervorosa prece.

Ó clara, ó alta, ó refulgente lua,
se te elevas meu ser também se eleva,
e onde vais flutuando ele flutua…

Rompe das nuvens o pesado véu!
És a única luz por esta treva
e o derradeiro encanto deste céu.

Amadeu Amaral (n. em Capivari, São Paulo, a 6 Nov. 1875; m. cidade de São Paulo a 24 Out. 1929)