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À sombra deste cedro venerando… – Natividade Saldanha Setembro 8, 2008

Filed under: Natividade Saldanha,poesia — looking4good @ 12:02 am
Cedro-do-mato – Juniperus brevifolia imagem daqui

À sombra deste cedro venerando,
momentos mil gozaste encantadores…
Aqui mesmo, sentado entre os verdores,
te achou mil vezes Pedro suspirando…

Parece-me que estou ‘inda escutando
teus suspiros, teus ais e teus clamores…
Parece-me que a Fonte dos Amores
‘inda está de queixosa murmurando!…

Aqui viveu Inês!…E, reclinada
à borda desta fonte clara e pura,
foi – que horrível memória! – traspassada!

Mortais, gemei de mágoa e de ternura;
nesta rara beleza, não manchada,
foi culpa amor, foi crime a formosura…

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830. Mestiço, era filho de padre e de mãe mulata. Formado em Direito (1823) pela universidade de Coimbra. Ainda estudante, publicou «Poesias dedicadas aos amigos e amantes do Brasil» (1822). Em 1824, condenado à morte por envolvimento na revolução pernambucana da Confederação do Equador, fugiu para os Estados Unidos da América do Norte e daí para França, Inglaterra, Venezuela e Colômbia, onde viveu precariamente de aulas particulares até se afogar numa vala, num dia de tempestade. Entretanto, publicara um «Discurso sobre a Tolerância» (Caracas, 1826). Mais do que um pre-romântico, foi um epígono retardatário do Arcadismo.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:
Soneto: Os teus olhos gentis encantadores…

 

À sombra deste cedro venerando… – Natividade Saldanha

Filed under: Natividade Saldanha,poesia — looking4good @ 12:02 am
Cedro-do-mato – Juniperus brevifolia imagem daqui

À sombra deste cedro venerando,
momentos mil gozaste encantadores…
Aqui mesmo, sentado entre os verdores,
te achou mil vezes Pedro suspirando…

Parece-me que estou ‘inda escutando
teus suspiros, teus ais e teus clamores…
Parece-me que a Fonte dos Amores
‘inda está de queixosa murmurando!…

Aqui viveu Inês!…E, reclinada
à borda desta fonte clara e pura,
foi – que horrível memória! – traspassada!

Mortais, gemei de mágoa e de ternura;
nesta rara beleza, não manchada,
foi culpa amor, foi crime a formosura…

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830. Mestiço, era filho de padre e de mãe mulata. Formado em Direito (1823) pela universidade de Coimbra. Ainda estudante, publicou «Poesias dedicadas aos amigos e amantes do Brasil» (1822). Em 1824, condenado à morte por envolvimento na revolução pernambucana da Confederação do Equador, fugiu para os Estados Unidos da América do Norte e daí para França, Inglaterra, Venezuela e Colômbia, onde viveu precariamente de aulas particulares até se afogar numa vala, num dia de tempestade. Entretanto, publicara um «Discurso sobre a Tolerância» (Caracas, 1826). Mais do que um pre-romântico, foi um epígono retardatário do Arcadismo.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:
Soneto: Os teus olhos gentis encantadores…

 

Soneto – Natividade Saldanha Setembro 8, 2005

Filed under: Natividade Saldanha,poesia — looking4good @ 12:00 pm

Os teus olhos gentis, encantadores,
Tua loira madeixa delicada,
Tua boca por Vênus invejada,
Onde habitam mil cândidos amores:

Os teus braços, prisões dos amadores,
Os teus globos de neve congelada,
Serão tornados breve a cinza!… a nada!…
Aos teus amantes causarão horrores!…

Céus! e hei-de eu amar uma beleza,
Que à cinza reduzida brevemente
Há-de servir de horror à Natureza!…

Ah! Mandai-me uma luz resplandecente,
Que minha alma ilumine, e com pureza
Só ame um Deus, que vive eternamente.

José da Natividade Saldanha (n. em Santo Amaro de Jaboatão, (PE), Brasil 8 Set 1795; m. em Bogotá (Colombia) 30 Mar 1830)

in Poemas oferecidos aos amantes do Brasil 1922