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À Hora do Silencio – Guilherme de Azevedo Abril 6, 2009

Filed under: Guilherme de Azevedo,poesia — looking4good @ 5:27 pm
Lua imagem daqui

Eu quiz hontem sonhar, sentir como um romantico
A doce embriaguez do pallido luar,
Ouvindo em pleno azul passar o immenso cantico
Dos astros no seu giro e em sua luta o mar!

A cidade dormia o somno dos devassos;
Aquelle somno turvo, infecto e sensual:
E a lua, antiga fada, erguia nos espaços
Tranquilla e sempre ingenua a fronte de vestal!

E sobre a quietação das coisas vis e exoticas
Sentiam-se as febrís, crueis respirações,
Dos tristes hospitaes e das virgens clorothicas,
Dos amantes fataes da febre e das paixões!

A noite era em silencio, a athmosphera doce
E ria a natureza aos beijos d’um bom Deus.
De subito escutei, ao longe, o quer que fosse
D’um canto que suppuz então baixar dos céos!

Attento ao vago som, porém, a pouco e pouco
Senti que era uma voz disforme e sensual,
Soltando uma canção n’aquelle accento rouco
Da triste inspiração alcoolica e brutal!…

Ó terna vagabunda, enamorada lua!
Emquanto ias assim, diaphana e sem véo,
Uma triste mulher passava, então, na rua
Cuspindo uma porção d’infamias para o céo!

Guilherme Avelino de Azevedo Chaves nasceu em Santarém a 30 de Novembro de 1840 e morreu de um tumor em Paris a 6 de Abril de 1882.

Do mesmo autor ler Nome Muito Próprio

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Nome muito próprio – Guilherme de Azevedo Abril 6, 2008

Filed under: Guilherme de Azevedo,poesia — looking4good @ 12:33 am
Image from here
O seu nome é gracioso e muito próprio dela:
respira um vago tom de música inocente
e lembra a placidez de um lago transparente,
recorda a emanação tranquila de uma estrela.

Lembra um título bom, que logo nos revela
a ideia do poema. E todo o mundo sente
não sei que afinidade entre o seu ar dolente,
a sua «morbidezza», e o nome próprio dela.

E chego a acreditar – ingenuamente o digo –
que havia um nome em branco e Deus pensa consigo
em traduzi-lo, enfim, numa expressão qualquer:

de forma que a mulher suave e graciosa
faz parte deste nome um tanto cor-de-rosa
e este nome gentil faz parte da mulher.

Guilherme Avelino de Azevedo Chaves nasceu em Santarém a 30 de Novembro de 1840 e morreu de um tumor em Paris a 6 de Abril de 1882. Conhecido como o «Diabo Coxo» (devido ao seu espírito satânico e perna cambada, em consequência de um choque traumático sofrido aos 14 anos), tinha um temperamento melancólico e um feitio azedo e retraído. Como poeta, publicou «Aparições» (1867), «Radiações da Noite» (1871) e «Alma Nova» (1874). Poesia de combate, procurava ser a voz da Revolução, fé na Liberdade, Justiça e Democracia, mas, sob certos aspectos, precursora de Cesário Verde. Em 1871, aplaudiu a Comuna de Paris. Em 1874, chegou a Lisboa. Pertenceu ao Cenáculo e foi um dos promotores das Conferências do Casino. Foi colaborador literário do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro, nas revistas «António Maria» (1878) e «Álbum das Glórias» (1880). Nesta última data, parte para Paris, como correspondente da «Gazeta de Notícias» do Rio de Janeiro. Em Março de 1882, tem uma síncope, devida a uma úlcera gangrenosa no quadril esquerdo e morre, poucos dias depois, numa casa de saúde da capital francesa. Cronista revolucionário, não teve a sorte, como os autores d’«As Farpas» e d’«Os Gatos», de ver reunida em volume toda a sua produção jornalística.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Nome muito próprio – Guilherme de Azevedo

Filed under: Guilherme de Azevedo,poesia — looking4good @ 12:33 am
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O seu nome é gracioso e muito próprio dela:
respira um vago tom de música inocente
e lembra a placidez de um lago transparente,
recorda a emanação tranquila de uma estrela.

Lembra um título bom, que logo nos revela
a ideia do poema. E todo o mundo sente
não sei que afinidade entre o seu ar dolente,
a sua «morbidezza», e o nome próprio dela.

E chego a acreditar – ingenuamente o digo –
que havia um nome em branco e Deus pensa consigo
em traduzi-lo, enfim, numa expressão qualquer:

de forma que a mulher suave e graciosa
faz parte deste nome um tanto cor-de-rosa
e este nome gentil faz parte da mulher.

Guilherme Avelino de Azevedo Chaves nasceu em Santarém a 30 de Novembro de 1840 e morreu de um tumor em Paris a 6 de Abril de 1882. Conhecido como o «Diabo Coxo» (devido ao seu espírito satânico e perna cambada, em consequência de um choque traumático sofrido aos 14 anos), tinha um temperamento melancólico e um feitio azedo e retraído. Como poeta, publicou «Aparições» (1867), «Radiações da Noite» (1871) e «Alma Nova» (1874). Poesia de combate, procurava ser a voz da Revolução, fé na Liberdade, Justiça e Democracia, mas, sob certos aspectos, precursora de Cesário Verde. Em 1871, aplaudiu a Comuna de Paris. Em 1874, chegou a Lisboa. Pertenceu ao Cenáculo e foi um dos promotores das Conferências do Casino. Foi colaborador literário do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro, nas revistas «António Maria» (1878) e «Álbum das Glórias» (1880). Nesta última data, parte para Paris, como correspondente da «Gazeta de Notícias» do Rio de Janeiro. Em Março de 1882, tem uma síncope, devida a uma úlcera gangrenosa no quadril esquerdo e morre, poucos dias depois, numa casa de saúde da capital francesa. Cronista revolucionário, não teve a sorte, como os autores d’«As Farpas» e d’«Os Gatos», de ver reunida em volume toda a sua produção jornalística.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Nome muito próprio – Guilherme de Azevedo

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O seu nome é gracioso e muito próprio dela:
respira um vago tom de música inocente
e lembra a placidez de um lago transparente,
recorda a emanação tranquila de uma estrela.

Lembra um título bom, que logo nos revela
a ideia do poema. E todo o mundo sente
não sei que afinidade entre o seu ar dolente,
a sua «morbidezza», e o nome próprio dela.

E chego a acreditar – ingenuamente o digo –
que havia um nome em branco e Deus pensa consigo
em traduzi-lo, enfim, numa expressão qualquer:

de forma que a mulher suave e graciosa
faz parte deste nome um tanto cor-de-rosa
e este nome gentil faz parte da mulher.

Guilherme Avelino de Azevedo Chaves nasceu em Santarém a 30 de Novembro de 1840 e morreu de um tumor em Paris a 6 de Abril de 1882. Conhecido como o «Diabo Coxo» (devido ao seu espírito satânico e perna cambada, em consequência de um choque traumático sofrido aos 14 anos), tinha um temperamento melancólico e um feitio azedo e retraído. Como poeta, publicou «Aparições» (1867), «Radiações da Noite» (1871) e «Alma Nova» (1874). Poesia de combate, procurava ser a voz da Revolução, fé na Liberdade, Justiça e Democracia, mas, sob certos aspectos, precursora de Cesário Verde. Em 1871, aplaudiu a Comuna de Paris. Em 1874, chegou a Lisboa. Pertenceu ao Cenáculo e foi um dos promotores das Conferências do Casino. Foi colaborador literário do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro, nas revistas «António Maria» (1878) e «Álbum das Glórias» (1880). Nesta última data, parte para Paris, como correspondente da «Gazeta de Notícias» do Rio de Janeiro. Em Março de 1882, tem uma síncope, devida a uma úlcera gangrenosa no quadril esquerdo e morre, poucos dias depois, numa casa de saúde da capital francesa. Cronista revolucionário, não teve a sorte, como os autores d’«As Farpas» e d’«Os Gatos», de ver reunida em volume toda a sua produção jornalística.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.