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Jogos de sombras – Hermes Fontes (na passagem do aniversário da morte do poeta) Dezembro 25, 2008

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 4:18 pm

Sempre que me procuro e não me encontro em mim,
pois há pedaços do meu ser que andam dispersos
nas sombras do jardim,
nos silêncios da noite,
nas músicas do mar,
e sinto os olhos, sob as pálpebras, imersos
nesta serena unção crepuscular
que lhes prolonga o trágico tresnoite
da vigília sem fim,
abro meu coração, como um jardim,
e desfolho a corola dos meus versos,
faz-me lembrar a alma que esteve em mim,
e que, um dia, perdi e vivo a procurar
nos silêncios da noite,
nas sombras do jardim,
na música do mar…

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor: Mãe; Solenemente; Diário de Um Sonho (IV)

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Dário de Um Sonho (IV) – Hermes Fontes Agosto 27, 2008

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 11:44 pm
Teia (foto daqui)

É de outro artista — não me lembra o nome —
que o Poeta, no seu sonho de arte, é alguém
à parte… É como a aranha, que consome
todo o tempo, na rede a que se atém.

E, alheio ao próprio tempo, que carcome
o brilho às cousas, séculos além,
eu ia — aranha — superior à fome
e à sede, e, aranha, me sentia bem…

Na solidão, como num canto escuro,
tecia a teia rósea do Futuro,
quando me entraste, a rir, tonta de sol…

E, de então, sem te ver (e ver-te é raro!),
não sei tecer… só sei tecer no claro,
não sei tecer sem ti meu aranhol…

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor: Mãe; Solenemente

 

Dário de Um Sonho (IV) – Hermes Fontes

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 11:44 pm
Teia (foto daqui)

É de outro artista — não me lembra o nome —
que o Poeta, no seu sonho de arte, é alguém
à parte… É como a aranha, que consome
todo o tempo, na rede a que se atém.

E, alheio ao próprio tempo, que carcome
o brilho às cousas, séculos além,
eu ia — aranha — superior à fome
e à sede, e, aranha, me sentia bem…

Na solidão, como num canto escuro,
tecia a teia rósea do Futuro,
quando me entraste, a rir, tonta de sol…

E, de então, sem te ver (e ver-te é raro!),
não sei tecer… só sei tecer no claro,
não sei tecer sem ti meu aranhol…

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor: Mãe; Solenemente

 

Dário de Um Sonho (IV) – Hermes Fontes

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 11:44 pm
Teia (foto daqui)

É de outro artista — não me lembra o nome —
que o Poeta, no seu sonho de arte, é alguém
à parte… É como a aranha, que consome
todo o tempo, na rede a que se atém.

E, alheio ao próprio tempo, que carcome
o brilho às cousas, séculos além,
eu ia — aranha — superior à fome
e à sede, e, aranha, me sentia bem…

Na solidão, como num canto escuro,
tecia a teia rósea do Futuro,
quando me entraste, a rir, tonta de sol…

E, de então, sem te ver (e ver-te é raro!),
não sei tecer… só sei tecer no claro,
não sei tecer sem ti meu aranhol…

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor: Mãe; Solenemente

 

Dário de Um Sonho (IV) – Hermes Fontes

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 11:44 pm
Teia (foto daqui)

É de outro artista — não me lembra o nome —
que o Poeta, no seu sonho de arte, é alguém
à parte… É como a aranha, que consome
todo o tempo, na rede a que se atém.

E, alheio ao próprio tempo, que carcome
o brilho às cousas, séculos além,
eu ia — aranha — superior à fome
e à sede, e, aranha, me sentia bem…

Na solidão, como num canto escuro,
tecia a teia rósea do Futuro,
quando me entraste, a rir, tonta de sol…

E, de então, sem te ver (e ver-te é raro!),
não sei tecer… só sei tecer no claro,
não sei tecer sem ti meu aranhol…

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor: Mãe; Solenemente

 

Mãe – Hermes Fontes Dezembro 25, 2007

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 5:40 am
Carnaval do Arlequim – Joan Miró
m. em Palma de Maiorca, a 25 Dez. de 1983; (n. em Barcelona, a 20 de Abril de 1893)
Para dizer quem foi a minha mãe, não acho
Uma palavra própria, um pensamento bom
Diógenes — busco-o em vão; falta-me a luz de um facho
— Se acho som, falta a luz; se acho luz, falta o som!

Teu nome — ó minha mãe — tem o sabor de um cacho
De uvas diáfanas, cor de ouro e pérola, com
Polpa de beijos de anjo… ouvi-lo é ouvir um sacho
Merencóreo, a rezar, no seu eterno tom. ..

Minha mãe! Minha mãe! Eu não fui qual devera.
Morreste e eu não bebi nos teus lábios de cera
A doçura que as mães, ainda mortas, contêm…

Ao pé de nossas mães — todos nós somos crentes…
Um filho que tem mãe — tem todos os parentes…
— E eu não tenho por mim, ó minha mãe, ninguém!

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor neste blog: Solenemente

Nota biobibliográfica:
HERMES Floro Bartolomeu Martins de Araújo FONTES nasceu em Buquim (SE) a 28 de Agosto de 1888 e suicidou-se no Rio de Janeiro a 25 de Dezembro de 1930. De origem humilde, revelou desde menino tal inteligência que o governador do estado o levou para o Rio, onde se bacharelou em Direito em 1911, embora nunca tenha exercido a advocacia, dedicando-se antes a uma intensa actividade jornalística e política. Como poeta, entre parnasianismo e simbolismo, foi um autor ecléctico. A revolução de 1830 demitiu-o de todos os cargos. Sentindo-se perseguido politicamente, abandonado sentimentalmente (divorciara-se há pouco) e cada vez mais isolado pela surdez, desfechou um tiro no peito no dia de Natal.

(nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004».

 

Mãe – Hermes Fontes

Filed under: Hermes Fontes,poesia — looking4good @ 5:40 am
Carnaval do Arlequim – Joan Miró
m. em Palma de Maiorca, a 25 Dez. de 1983; (n. em Barcelona, a 20 de Abril de 1893)
Para dizer quem foi a minha mãe, não acho
Uma palavra própria, um pensamento bom
Diógenes — busco-o em vão; falta-me a luz de um facho
— Se acho som, falta a luz; se acho luz, falta o som!

Teu nome — ó minha mãe — tem o sabor de um cacho
De uvas diáfanas, cor de ouro e pérola, com
Polpa de beijos de anjo… ouvi-lo é ouvir um sacho
Merencóreo, a rezar, no seu eterno tom. ..

Minha mãe! Minha mãe! Eu não fui qual devera.
Morreste e eu não bebi nos teus lábios de cera
A doçura que as mães, ainda mortas, contêm…

Ao pé de nossas mães — todos nós somos crentes…
Um filho que tem mãe — tem todos os parentes…
— E eu não tenho por mim, ó minha mãe, ninguém!

Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (n. em Boquim, Sergipe, a 28 de Ago 1888; m. no Rio de Janeiro (suicidio) a 25 Dez 1930).

Ler do mesmo autor neste blog: Solenemente

Nota biobibliográfica:
HERMES Floro Bartolomeu Martins de Araújo FONTES nasceu em Buquim (SE) a 28 de Agosto de 1888 e suicidou-se no Rio de Janeiro a 25 de Dezembro de 1930. De origem humilde, revelou desde menino tal inteligência que o governador do estado o levou para o Rio, onde se bacharelou em Direito em 1911, embora nunca tenha exercido a advocacia, dedicando-se antes a uma intensa actividade jornalística e política. Como poeta, entre parnasianismo e simbolismo, foi um autor ecléctico. A revolução de 1830 demitiu-o de todos os cargos. Sentindo-se perseguido politicamente, abandonado sentimentalmente (divorciara-se há pouco) e cada vez mais isolado pela surdez, desfechou um tiro no peito no dia de Natal.

(nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004».