Nothingandall

Just another WordPress.com weblog

Nasci para ser ignorante… – Sebastião da Gama (na passagem do 57º. aniversário da morte do poeta) Fevereiro 7, 2009

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 1:07 am

Nasci para ser ignorante
mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.

Que remédio? Obedeci.
Há já três lustros que estudo.
Aprender, aprendi tudo,
mas tudo desaprendi.

Perdi o nome às Estrelas,
aos nossos rios e aos de fora.
Confundo fauna com flora.
Atrapalham-me as parcelas.

Mas passo dias inteiros
a ver um rio passar.
Com aves e ondas do Mar
tenho amores verdadeiros.

Rebrilha sempre uma Estrela
por sobre o meu parapeito;
pois não sou eu que me deito
sem ter falado com ela.

Conheço mais de mil flores.
Elas conhecem-me a mim.
Só não sei como em latim
as crismaram os doutores.

No entanto sou promovido,
mal haja lugar aberto,
a mestre: julgam-me esperto,
inteligente e sabido.

O pior é se um director
espreita p’la fechadura:
lá se vai licenciatura
se ouve as lições do doutor.

Lá se vai o ordenado
de tuta-e-meia por mês.
Lá fico eu de uma vez
um Poeta desempregado.

Se me não lograr o fado
porém, com tais directores,
e de rios, aves e flores
somente for vigiado,

enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal
Poema da Minha Esperança

Anúncios
 

Poema da minha esperança – Sebastião da Gama Abril 10, 2008

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 12:44 am
Foto by: Everwatchingeye daqui
Que bom ter o relógio adiantado!…
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.

O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!…

Tic-tac… Tic-tac…
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)

Tic-tac…
(Como eu rio, cá p’ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal

 

Poema da minha esperança – Sebastião da Gama

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 12:44 am
Foto by: Everwatchingeye daqui
Que bom ter o relógio adiantado!…
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.

O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!…

Tic-tac… Tic-tac…
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)

Tic-tac…
(Como eu rio, cá p’ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal

 

Poema da minha esperança – Sebastião da Gama

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 12:44 am
Foto by: Everwatchingeye daqui
Que bom ter o relógio adiantado!…
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.

O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!…

Tic-tac… Tic-tac…
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)

Tic-tac…
(Como eu rio, cá p’ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal

 

Poema da minha esperança – Sebastião da Gama

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 12:44 am
Foto by: Everwatchingeye daqui
Que bom ter o relógio adiantado!…
A gente assim, por saber
que tem sempre tempo a mais,
não se rala nem se apressa.

O meu sorriso de troça,
Amigos!,
quando vejo o meu relógio
com três quartos de hora a mais!…

Tic-tac… Tic-tac…
(Lá pensa ele
que é já o fim dos meus dias.)

Tic-tac…
(Como eu rio, cá p’ra dentro,
de esta coisa divertida:
ele a julgar que é já o resto
e eu a saber que tenho sempre mais
três quartos de hora de vida.)

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Do mesmo autor ler os belíssimos poemas:
Pequeno Poema
O Sonho
Madrigal

 

Madrigal – Sebastião da Gama Fevereiro 7, 2008

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 2:06 am

A minha história é simples.
A tua, meu Amor,
é bem mais simples ainda:

“Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta…”

Vês como é simples e linda?

(O resto conto depois;
mas tão a sós, tão de manso
que só escutemos os dois).

Sebastião Artur Cardoso da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, a 10 de Abril de 1924; m. em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1952)

Ler do mesmo autor: Pequeno Poema; O Sonho

 

Pequeno Poema – Sebastião da Gama Fevereiro 7, 2007

Filed under: poesia,Sebastião da Gama — looking4good @ 3:30 pm

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

Sebastião da Gama (n. em Vila Nogueira de Azeuitão, Setúbal a 19 Abr 1924; m. 7 Fev. 1952)

Ler do mesmo autor: O Sonho