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Universalidade II – Roberto de Mesquita Junho 19, 2009

Filed under: poesia,Roberto de Mesquita — looking4good @ 12:29 am
Casa de Montanha imagem daqui

Enquanto se detém o vosso olhar
à tona dos aspectos, impotente,
no âmago de tudo, claramente,
eu descubro um espirito a cismar.

Deleita-se a minha alma a respirar
os afectos das coisas: a dolente
nostalgia dum cerro olhando o mar,
a oração das paisagens ao morrente

Sim, eu respiro como essência estranha
a orfandade que exala uma montanha
quando o outono a junca de destroços.

E esses casais, dispersos pelo monte,
sinto-os pensar, cravando no horizonte
os seus olhos humanos como os nossos.

Roberto Augusto de Mesquita Henriques (nasceu em Santa Cruz das Flores, Açores a 19 de Junho de 1871 e aí faleceu, de síncope cardíaca, a 31 de Dezembro de 1923).

Ler do mesmo autor neste blog Aves do Mar; Abandonadas

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Aves do Mar – Roberto de Mesquita Junho 19, 2008

Filed under: poesia,Roberto de Mesquita — looking4good @ 1:12 am

Aves do mar que em ronda lenta
Giram no ar, à ventania,
Gritam na tarde macilenta
A sua bárbara alegria.

Incha lá fora a vaga escura,
Uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
Este ar de Inverno, este ar doente?

Alma que vogas a gemer
Na tarde anémica, de vento,
Como se infiltra no meu ser
O teu esparso sofrimento!

Que viuvez desamparada
Chora no ar, no vento frio
Por esta tarde macerada
Em que a esp’rança se esvaiu!”..

Roberto Augusto de Mesquita Henriques nasceu em Santa Cruz das Flores (Açores) a 19 de Junho de 1871 e aí faleceu, de síncope cardíaca, a 31 de Dezembro de 1923. Depois dos estudos liceais em Angra do Heroísmo e na Horta, começou como secretário de Finanças, em 1896, para chegar, em 1919, a chefe de repartição da Fazenda Pública. Era irmão de Carlos de Mesquita (1870-1916), que, além de também poeta, foi professor da universidade de Coimbra e o mais notável crítico do movimento simbolista. A poesia do irmão mais novo evoluiu do parnasianismo ao simbolismo e decadentismo, acabando por inflectir num sentido classicizante, à semelhança de Eugénio de Castro. Como o seu autor só abandonou o arquipélago natal para uma breve visita ao continente, em 1904, tal obra passou despercebida (apenas editada postumamente, «Almas Cativas», em 1931) e foi outro poeta de origem açoriana, Vitorino Nemésio, quem para ela chamou a atenção, salientando como a solidão, a sonolência e o tédio são características da insularidade.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Abandonadas

 

Aves do Mar – Roberto de Mesquita

Filed under: poesia,Roberto de Mesquita — looking4good @ 1:12 am

Aves do mar que em ronda lenta
Giram no ar, à ventania,
Gritam na tarde macilenta
A sua bárbara alegria.

Incha lá fora a vaga escura,
Uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
Este ar de Inverno, este ar doente?

Alma que vogas a gemer
Na tarde anémica, de vento,
Como se infiltra no meu ser
O teu esparso sofrimento!

Que viuvez desamparada
Chora no ar, no vento frio
Por esta tarde macerada
Em que a esp’rança se esvaiu!”..

Roberto Augusto de Mesquita Henriques nasceu em Santa Cruz das Flores (Açores) a 19 de Junho de 1871 e aí faleceu, de síncope cardíaca, a 31 de Dezembro de 1923. Depois dos estudos liceais em Angra do Heroísmo e na Horta, começou como secretário de Finanças, em 1896, para chegar, em 1919, a chefe de repartição da Fazenda Pública. Era irmão de Carlos de Mesquita (1870-1916), que, além de também poeta, foi professor da universidade de Coimbra e o mais notável crítico do movimento simbolista. A poesia do irmão mais novo evoluiu do parnasianismo ao simbolismo e decadentismo, acabando por inflectir num sentido classicizante, à semelhança de Eugénio de Castro. Como o seu autor só abandonou o arquipélago natal para uma breve visita ao continente, em 1904, tal obra passou despercebida (apenas editada postumamente, «Almas Cativas», em 1931) e foi outro poeta de origem açoriana, Vitorino Nemésio, quem para ela chamou a atenção, salientando como a solidão, a sonolência e o tédio são características da insularidade.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Abandonadas

 

Aves do Mar – Roberto de Mesquita

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Aves do mar que em ronda lenta
Giram no ar, à ventania,
Gritam na tarde macilenta
A sua bárbara alegria.

Incha lá fora a vaga escura,
Uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
Este ar de Inverno, este ar doente?

Alma que vogas a gemer
Na tarde anémica, de vento,
Como se infiltra no meu ser
O teu esparso sofrimento!

Que viuvez desamparada
Chora no ar, no vento frio
Por esta tarde macerada
Em que a esp’rança se esvaiu!”..

Roberto Augusto de Mesquita Henriques nasceu em Santa Cruz das Flores (Açores) a 19 de Junho de 1871 e aí faleceu, de síncope cardíaca, a 31 de Dezembro de 1923. Depois dos estudos liceais em Angra do Heroísmo e na Horta, começou como secretário de Finanças, em 1896, para chegar, em 1919, a chefe de repartição da Fazenda Pública. Era irmão de Carlos de Mesquita (1870-1916), que, além de também poeta, foi professor da universidade de Coimbra e o mais notável crítico do movimento simbolista. A poesia do irmão mais novo evoluiu do parnasianismo ao simbolismo e decadentismo, acabando por inflectir num sentido classicizante, à semelhança de Eugénio de Castro. Como o seu autor só abandonou o arquipélago natal para uma breve visita ao continente, em 1904, tal obra passou despercebida (apenas editada postumamente, «Almas Cativas», em 1931) e foi outro poeta de origem açoriana, Vitorino Nemésio, quem para ela chamou a atenção, salientando como a solidão, a sonolência e o tédio são características da insularidade.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Abandonadas

 

Aves do Mar – Roberto de Mesquita

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Aves do mar que em ronda lenta
Giram no ar, à ventania,
Gritam na tarde macilenta
A sua bárbara alegria.

Incha lá fora a vaga escura,
Uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
Este ar de Inverno, este ar doente?

Alma que vogas a gemer
Na tarde anémica, de vento,
Como se infiltra no meu ser
O teu esparso sofrimento!

Que viuvez desamparada
Chora no ar, no vento frio
Por esta tarde macerada
Em que a esp’rança se esvaiu!”..

Roberto Augusto de Mesquita Henriques nasceu em Santa Cruz das Flores (Açores) a 19 de Junho de 1871 e aí faleceu, de síncope cardíaca, a 31 de Dezembro de 1923. Depois dos estudos liceais em Angra do Heroísmo e na Horta, começou como secretário de Finanças, em 1896, para chegar, em 1919, a chefe de repartição da Fazenda Pública. Era irmão de Carlos de Mesquita (1870-1916), que, além de também poeta, foi professor da universidade de Coimbra e o mais notável crítico do movimento simbolista. A poesia do irmão mais novo evoluiu do parnasianismo ao simbolismo e decadentismo, acabando por inflectir num sentido classicizante, à semelhança de Eugénio de Castro. Como o seu autor só abandonou o arquipélago natal para uma breve visita ao continente, em 1904, tal obra passou despercebida (apenas editada postumamente, «Almas Cativas», em 1931) e foi outro poeta de origem açoriana, Vitorino Nemésio, quem para ela chamou a atenção, salientando como a solidão, a sonolência e o tédio são características da insularidade.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Abandonadas

 

Abandonadas – Roberto de Mesquita Junho 19, 2007

Filed under: poesia,Roberto de Mesquita — looking4good @ 12:40 pm
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Old abandoned house

A velha casa, onde eu morei outrora
e que há muito está desabitada,
silenciosa envolveu-me, ao ver-me agora,
num triste olhar de amante abandonada.

Com que amargor no íntimo lhe chora
uma alma sensitiva e ignorada,
que não tem voz para queixar-se, embora
se veja só, de todos olvidada!

Casa deserta e fria, que envelheces
ao desamparo sem uma afeição,
bem sinto que me vês, que me conheces

e relembras os dias que lá vão…
Eu esqueci-te, amiga, e tu pareces
toda magoada dessa ingratidão.

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edição Unicepe, Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL , 2004

Roberto Augusto de Mesquita Henriques (n. em Santa Cruz das Flores, Açores a 19 de Jun 1871; m. 31 Dez 1923)