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Ironia de Lágrimas – Cruz e Sousa (no dia em que se completa 111 anos após a sua morte) Março 19, 2009

Filed under: Cruz e Sousa,morte,poesia — looking4good @ 1:15 am

Junto da morte é que floresce a vida!
Andamos rindo junto a sepultura.
A boca aberta, escancarada, escura
Da cova é como flor apodrecida.

A Morte lembra a estranha Margarida
Do nosso corpo, Fausto sem ventura…
Ela anda em torno a toda criatura
Numa dança macabra indefinida.

Vem revestida em suas negras sedas
E a marteladas lúgubres e tredas
Das Ilusões o eterno esquife prega.

E adeus caminhos vãos mundos risonhos!
Lá vem a loba que devora os sonhos,
Faminta, absconsa, imponderada cega!

João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), Santa Catarina em 24 de novembro de 1861 —m. Estação do Sítio, Minas Gerais a 19 de março de 1898).

Ler do mesmo autor:
Inefável
Vida Obscura
Silêncios
Sorriso Interior

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Recordando José Gomes Ferreira que faleceu há 24 anos Fevereiro 8, 2009

Filed under: José Gomes Ferreira,morte,poesia — looking4good @ 3:45 am

Um dia virás, hora doce e calma
sem as espadas dolorosas
que me sangram a alma
quando cismo…

Eu que até nas rosas
procuro um abismo.

************

Vive em cada minuto
a tua eternidade
– sem luto
nem saudade.

Vive-a, pleno e forte,
num frenesim
de arremesso.

Para que a tua morte
seja sempre um fim
e nunca um começo

in Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, Um Panorama, Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno Lacerda Editores

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Taxa de suicídios aumenta com a crise Janeiro 8, 2009

Filed under: Actualidade,morte — looking4good @ 5:57 pm

Os suicídios aumentam: é a perda do emprego, a desvalorização das carteiras de títulos, a perda de valor, quando não, falência das empresas. E principalmente a perda de auto-estima.

 

Soneto do amor e da morte – Vasco da Graça Moura Janeiro 3, 2009

Filed under: amor,morte,poesia,Vasco da Graça Moura — looking4good @ 1:51 pm

Na passagem do 67º. aniversário do poeta

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura (nsceu na Foz do Douro, Porto, a 3 de Janeiro de 1942)

 

Soneto do amor e da morte – Vasco da Graça Moura

Filed under: amor,morte,poesia,Vasco da Graça Moura — looking4good @ 1:51 pm

Na passagem do 67º. aniversário do poeta

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura (nsceu na Foz do Douro, Porto, a 3 de Janeiro de 1942)

 

Morte Sucessiva – Mauro Mota (no 24º. aniversário da sua morte) Novembro 22, 2008

Filed under: Mauro Mota,morte,poesia — looking4good @ 7:57 pm

Não tenhas medo.
Tudo já aconteceu. Agora
será menos do que a cena final.
Apenas o cair das cortinas,
os dedos fechando as pálpebras antepostas
à derradeira paisagem
longe, cada vez mais longe, diluída quase na incolor distância.
Sentes na boca
o sangue dos princípios e esse gosto
de fim nunca sentido antes.
Não tenhas medo,
tudo já aconteceu. Agora
será somente a conclusão.
Esquece as gravuras do catecismo da infância
nos claros domingos de sinos paroquiais.
O diabo de espeto furando os olhos dos pecadores,
e eles caindo nas caldeiras infernais.
Partiste suave
que nem sentiste quase, mais suave
ainda será daqui a pouco.
Não tenhas medo da viagem sem volta e sem saber para onde
pois várias vezes já habitas lá.
Talvez tenhas perdido a memória
da casa de alpendres da cidadezinha,
o menino debaixo dos cajueiros.
Foi ele quem te deu a primeira
noção de saída do mundo, o primeiro
conhecimento da morte sucessiva e múltipla.
O piano do sobrado de azulejo
e a moça tocando a valsa do mês de maio,
a mãe, a mulher, as rosas
na jarra azul abrindo,
os ponteiros
como uma pinça
extraindo
as horas felizes do relógio da sala,
não se foram sós, foram levando a tua vida fugitiva.
Não tenhas medo
do instante derradeiro,
e que de ti encontrará bem pouco,
criatura dispersa tantas vezes
e tantas vezes morta.
Perdeste a integridade primitiva,
sombra do corpo ausente e do espírito distante,
não tenhas medo,
tudo já aconteceu.

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (nasceu em 16 Ago. 1911 no Recife, Pernambuco, Brasil; m. Recife, em 22 Nov. 1984)

 

Eterna Amália Rodrigues faleceu há nove anos Outubro 6, 2008

Filed under: Amália Rodrigues,efemerides,Fado,morte,Music,Musica,poesia — looking4good @ 12:21 am


Amália Rodrigues faleceu faz hoje nove anos. Faleceu em 6 de Outubro de 1999 a musa do Fado, no dia em que passava dez anos sobre a morte de Bette Davies outra musa, esta do cinema.

Fica aqui a poesia e o Fado da grande artista portuguesa:

Horas De Vida Perdida – poema de Amália Rodrigues

Horas de vida perdida
à procura de viver
Vai-se à procura da vida
Não a encontra quem quer

Quem sou eu para dizer
Quem sou eu para o saber
Nem sei se sou ou não sou
Ninguém pode conhecer
Isto de ser e não ser

Sem saber sei entender
Assim sei o que não sei
Sinto que sou e não sou
Entre o que sei e não ei
A minha vida gastei
Sem conseguir entender

Ai quemme dera encontrar
As rimas da poesia
Ai se eu soubesse rimar
Tantas coisas que eu dizia

in Versos de Amália Rodrigues – Livros Cotovia
E agora ouçámo-la naquilo que sempre fez bem : Cantar o Fado