Nothingandall

Just another WordPress.com weblog

Recordando Augusto de Lima na passagem do 150º aniversário do seu nascimento Abril 5, 2009

Filed under: Augusto de Lima,poesia — looking4good @ 12:11 am

A Um Otimista

Pensas que são inteiramente nossos
nossos corpos de argila? Não no creias.
Para reter a vida, em vão anseias:
dela não guardarás sequer destroços.

Não tens, fingindo de herdeiro dos colossos,
destinado a guardar coisas alheias,
nem o sangue que corre em tuas veias,
nem a sutil medula de teus ossos.

Uma voz noutra voz reproduzida,
reproduzindo antiga voz perdida,
o eco responde a voz – eco também…

Riste da sombra que refletes? Ri-se
também de ti a sombra: – quem te disse
que não és – olha atrás! – sombra de alguém?

Antônio Augusto de Lima (n. Nova Lima, então Congonhas de Sabará, a 5 de Abril de 1859; m. Rio de Janeiro, 22 de Abril de 1934)

Esperança e Saudade
Serenata

Anúncios
 

Serenata – Augusto de Lima Abril 22, 2008

Filed under: Augusto de Lima,poesia — looking4good @ 12:58 am
foto daqui
Plenilúnio de maio em montanhas de Minas!
Canta ao longe uma flauta e o violoncelo chora,
perfuma-se o luar nas flores das campinas,
subtiliza-se o aroma em languidez sonora.

Ao doce encantamento azul das cavatinas,
nessas noites de luz mais belas do que a aurora,
as errantes visões das almas peregrinas
vão voando a cantar pela amplidão afora…

E chora o violoncelo e a flauta, ao longe, canta.
Das montanhas cantando, a névoa se levanta,
banhada de luar, de sonhos, de harmonia.

Com profano rumor, porém, desponta o dia
e, na última porção da névoa transparente,
a flauta e o violoncelo expiram lentamente

António Augusto de Lima nasceu em Vila Nova de Lima (MG) a 5 de Abril de 1859 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Abril de 1934. Concluída a formatura na Faculdade de Direito de São Paulo em 1882, foi magistrado, deputado por Minas Gerais e exerceu altos cargos públicos. Republicano e abolicionista, foi um poeta parnasiano de teor filosófico, que roçou o simbolismo, como bem o evidencia o soneto que inserimos nesta colectânea.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Serenata – Augusto de Lima

Filed under: Augusto de Lima,poesia — looking4good @ 12:58 am
foto daqui
Plenilúnio de maio em montanhas de Minas!
Canta ao longe uma flauta e o violoncelo chora,
perfuma-se o luar nas flores das campinas,
subtiliza-se o aroma em languidez sonora.

Ao doce encantamento azul das cavatinas,
nessas noites de luz mais belas do que a aurora,
as errantes visões das almas peregrinas
vão voando a cantar pela amplidão afora…

E chora o violoncelo e a flauta, ao longe, canta.
Das montanhas cantando, a névoa se levanta,
banhada de luar, de sonhos, de harmonia.

Com profano rumor, porém, desponta o dia
e, na última porção da névoa transparente,
a flauta e o violoncelo expiram lentamente

António Augusto de Lima nasceu em Vila Nova de Lima (MG) a 5 de Abril de 1859 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Abril de 1934. Concluída a formatura na Faculdade de Direito de São Paulo em 1882, foi magistrado, deputado por Minas Gerais e exerceu altos cargos públicos. Republicano e abolicionista, foi um poeta parnasiano de teor filosófico, que roçou o simbolismo, como bem o evidencia o soneto que inserimos nesta colectânea.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Serenata – Augusto de Lima

Filed under: Augusto de Lima,poesia — looking4good @ 12:58 am
foto daqui
Plenilúnio de maio em montanhas de Minas!
Canta ao longe uma flauta e o violoncelo chora,
perfuma-se o luar nas flores das campinas,
subtiliza-se o aroma em languidez sonora.

Ao doce encantamento azul das cavatinas,
nessas noites de luz mais belas do que a aurora,
as errantes visões das almas peregrinas
vão voando a cantar pela amplidão afora…

E chora o violoncelo e a flauta, ao longe, canta.
Das montanhas cantando, a névoa se levanta,
banhada de luar, de sonhos, de harmonia.

Com profano rumor, porém, desponta o dia
e, na última porção da névoa transparente,
a flauta e o violoncelo expiram lentamente

António Augusto de Lima nasceu em Vila Nova de Lima (MG) a 5 de Abril de 1859 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Abril de 1934. Concluída a formatura na Faculdade de Direito de São Paulo em 1882, foi magistrado, deputado por Minas Gerais e exerceu altos cargos públicos. Republicano e abolicionista, foi um poeta parnasiano de teor filosófico, que roçou o simbolismo, como bem o evidencia o soneto que inserimos nesta colectânea.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Esperança e Saudade – Augusto de Lima Abril 5, 2008

Filed under: Augusto de Lima,poesia — looking4good @ 1:48 pm

Sorte falaz a que nos guia a vida!
Por que há de ser tão rápida a ventura,
Que só a amamos quando é já perdida
Ou depende de uma época futura?

O que ao presente, mal nos afigura,
Era esperança, há pouco apetecida,
E uma vez no passado, eis que perdura
Como saudade que não mais se olvida.

Há sempre queixas do atual momento,
E entre as datas se eleva o pensamento,
Como uma ponte de sombrio aspeto.

Em busca da ventura que ignoramos,
Temos saudade ao bem que não gozamos,
Ilusão de ilusões, sonho completo.

Antônio Augusto de Lima (n. Nova Lima, então Congonhas de Sabará, a 5 de Abril de 1859; m. Rio de Janeiro, 22 de Abril de 1934)