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Quanto, Quanto me Queres? – António Botto (que faleceu faz hoje 50 anos) Março 17, 2009

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 1:18 am

Quanto, quanto me queres? – perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste,
A luz dos teus senti a luz da vida.

Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida…

Beijámo-nos, então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar…

Não perguntes, não sei – não sei dizer:
Um grande amôr só se avalia bem
Depois de se perder.

in Poemas de Amor, Antologia de posia portuguesa, Organização e prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

António Tomaz Botto (nasceu em Concavada (Abrantes) a 17 de Agosto de 1897 e morreu no Rio de Janeiro a 17 de Março de 1959)

Ler do mesmo autor, neste blog, Homem, que vens de humanas desventuras

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Homem, que vens de humanas desventuras – António Botto Março 17, 2008

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 1:33 am
“Paisagem de Sèvres”; óleo sobre tela 54 x 66 cm
Sílvio Pinto n. no Rio de Janeiro a 17 de março de 1918
(m. Rio de Janeiro 3 de Abril de 1997)

Homem, que vens de humanas desventuras,
que te prendes à vida e te enamoras,
que tudo sabes e que tudo ignoras,
vencido herói de todas as loucuras,

que te debruças pálido nas horas
das tuas infinitas amarguras,
e na ambição das coisas mais impuras
és grande simplesmente quando choras,

que prometes cumprir e que te esqueces,
que te dás à virtude e ao pecado,
que te exaltas e cantas e aborreces,

arquitecto do sonho e da ilusão,
ridículo fantoche articulado
− eu sou teu camarada e teu irmão.

António Tomaz Botto nasceu em Concavada (Abrantes) a 17 de Agosto de 1897 e morreu no Rio de Janeiro a 17 de Março de 1959, após vários dias em estado de coma, devido a atropelamento por uma viatura automóvel. Poeta maldito, a publicação das «Canções», em 1921, constituiu um tal escândalo que o livro foi apreendido no ano seguinte, por ordem do Governo. Eram poemas confessionais, de um erotismo anómalo exacerbado, que faziam a exaltação da beleza masculina. Homossexual assumido, o seu autor foi expulso em 1942 do funcionalismo público e, em 1947, abalou para o Brasil. Muito admirado por Fernando Pessoa, José Régio e outros, os seus versos juntavam à linearidade verbal a riqueza rítmica. Eram um misto de esteticismo e populismo, narcisismo e megalomania. O seu erotismo era triste, de tom elegíaco. O poeta foi também contista e dramaturgo, abordou o realismo social (Alfama e o fado), mas a decadência final era mais que evidente.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

 

Homem, que vens de humanas desventuras – António Botto

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 1:33 am
“Paisagem de Sèvres”; óleo sobre tela 54 x 66 cm
Sílvio Pinto n. no Rio de Janeiro a 17 de março de 1918
(m. Rio de Janeiro 3 de Abril de 1997)

Homem, que vens de humanas desventuras,
que te prendes à vida e te enamoras,
que tudo sabes e que tudo ignoras,
vencido herói de todas as loucuras,

que te debruças pálido nas horas
das tuas infinitas amarguras,
e na ambição das coisas mais impuras
és grande simplesmente quando choras,

que prometes cumprir e que te esqueces,
que te dás à virtude e ao pecado,
que te exaltas e cantas e aborreces,

arquitecto do sonho e da ilusão,
ridículo fantoche articulado
− eu sou teu camarada e teu irmão.

António Tomaz Botto nasceu em Concavada (Abrantes) a 17 de Agosto de 1897 e morreu no Rio de Janeiro a 17 de Março de 1959, após vários dias em estado de coma, devido a atropelamento por uma viatura automóvel. Poeta maldito, a publicação das «Canções», em 1921, constituiu um tal escândalo que o livro foi apreendido no ano seguinte, por ordem do Governo. Eram poemas confessionais, de um erotismo anómalo exacerbado, que faziam a exaltação da beleza masculina. Homossexual assumido, o seu autor foi expulso em 1942 do funcionalismo público e, em 1947, abalou para o Brasil. Muito admirado por Fernando Pessoa, José Régio e outros, os seus versos juntavam à linearidade verbal a riqueza rítmica. Eram um misto de esteticismo e populismo, narcisismo e megalomania. O seu erotismo era triste, de tom elegíaco. O poeta foi também contista e dramaturgo, abordou o realismo social (Alfama e o fado), mas a decadência final era mais que evidente.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

 

Homem, que vens de humanas desventuras – António Botto

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 1:33 am
“Paisagem de Sèvres”; óleo sobre tela 54 x 66 cm
Sílvio Pinto n. no Rio de Janeiro a 17 de março de 1918
(m. Rio de Janeiro 3 de Abril de 1997)

Homem, que vens de humanas desventuras,
que te prendes à vida e te enamoras,
que tudo sabes e que tudo ignoras,
vencido herói de todas as loucuras,

que te debruças pálido nas horas
das tuas infinitas amarguras,
e na ambição das coisas mais impuras
és grande simplesmente quando choras,

que prometes cumprir e que te esqueces,
que te dás à virtude e ao pecado,
que te exaltas e cantas e aborreces,

arquitecto do sonho e da ilusão,
ridículo fantoche articulado
− eu sou teu camarada e teu irmão.

António Tomaz Botto nasceu em Concavada (Abrantes) a 17 de Agosto de 1897 e morreu no Rio de Janeiro a 17 de Março de 1959, após vários dias em estado de coma, devido a atropelamento por uma viatura automóvel. Poeta maldito, a publicação das «Canções», em 1921, constituiu um tal escândalo que o livro foi apreendido no ano seguinte, por ordem do Governo. Eram poemas confessionais, de um erotismo anómalo exacerbado, que faziam a exaltação da beleza masculina. Homossexual assumido, o seu autor foi expulso em 1942 do funcionalismo público e, em 1947, abalou para o Brasil. Muito admirado por Fernando Pessoa, José Régio e outros, os seus versos juntavam à linearidade verbal a riqueza rítmica. Eram um misto de esteticismo e populismo, narcisismo e megalomania. O seu erotismo era triste, de tom elegíaco. O poeta foi também contista e dramaturgo, abordou o realismo social (Alfama e o fado), mas a decadência final era mais que evidente.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

 

Não me peças mais canções – António Botto Agosto 17, 2007

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 12:38 am

Se passares pelo adro
No dia do meu enterro,
Dize à terra que não coma
Os anéis do meu cabelo.

Já não digo que viesses
Cobrir de rosas meu rosto,
Ou que num choro dissesses
A qualquer do teu desgosto;

Nem te lembro que beijasses
Meu corpo delgado e belo,
Mas que sempre me guardasses
Os anéis do meu cabelo.

Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo;
Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

Se a minha voz conseguisse
Dissuadir essa frieza
E a tua boca sorrisse !
Mas sóbria por natureza

Não a posso renovar
E o brilho vai-se perdendo…
– Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

António Tomaz Botto (n. em Concavada, Abrantes em 17 de Agosto de 1897; m. no Rio de Janeiro a 17 de Mar 1959)

 

Envolve-me amorosamente Março 17, 2007

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 8:17 pm

Envolve-me amorosamente
Na cadeia de teus braços
Como naquela tardinha…
Não tardes, amor ausente;
Tem pena da minha mágoa,
Vida minha!

Vai a penumbra desabrochando
Na alcova
Aonde estou aguardando
A tua vinda…
Não tardes, amor ausente!
Anoitece. O dia finda…
E as rosas desfalecendo
Vão caindo e murmurando:
– Queremos que Ele nos pise!
Mas, quando vem Ele, quando?…

António Botto (n. em Alvega, Abrantes 17 Ago 1897, m. no Brasil em 17 Mar 1959)

 

Homem que vens de humanas desventuras… – António Botto Março 17, 2006

Filed under: António Botto,poesia — looking4good @ 1:36 pm

Homem que vens de humanas desventuras,
Que te prendes à vida, te enamoras,
Que tudo sabes mas que tudo ignoras,
Vencido herói de todas as loucuras.

Que te ajoelhas pálido nas horas
Das tuas infinitas amarguras
E na ambição das causas mais impuras
És grande simplesmente quando choras.

Que prometes cumprir para esquecer,
E trocando a virtude no pecado
Ficas brutal se ele não der prazer.

Arquitecto do crime e da ilusão,
Ridículo palhaço articulado,
Eu sou teu companheiro, teu irmão.

António Tomaz Botto (n. em Concavada, Abrantes a 17 Ago 1897 , m. no Rio de Janeiro a 17 Mar 1959)