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A Fénix Refractária – Domingos Carvalho da Silva Junho 21, 2008

Filed under: Domingos Carvalho da Silva,poesia — looking4good @ 12:35 pm

Sobre o teu corpo nu, meus olhos frios
são corvos que se agitam impacientes.
Sob a tua pele, fervem as torrentes
do teu sangue, em murmúrio como os rios.

Não sei se são meus lábios ou os meus dentes
que procuram tua boca. Estão vazios
meus sonhos de paisagem. Desvarios
me disfarçam de iogue entre serpentes.

Não sei se te desejo ou se antes quero
violar-te as entranhas, como Nero,
ou arrancá-las, como o triste Anúbis.

Late em meu peito o coração à lua.
Do céu me vem o gume da charrua
que há-de lavrar as agras do teu púbis.

Domingos Carvalho da Silva nasceu em Pedroso (Vila Nova de Gaia) a 21 de Junho de 1915 mas, radicado desde 1924 no Brasil, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo (1937), naturalizando-se nesse mesmo ano como cidadão brasileiro. Advogado, funcionário federal e jornalista, foi também poeta, contista e ensaísta e leccionou Teoria da Literatura na universidade de Brasília. Eis alguns dos seus livros de versos: «Rosa Extinta» (1945) e «Poesia Oculta» (1949). O principal mérito da sua poesia reside na versatilidade de formas, temas e tons.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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A Fénix Refractária – Domingos Carvalho da Silva

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Sobre o teu corpo nu, meus olhos frios
são corvos que se agitam impacientes.
Sob a tua pele, fervem as torrentes
do teu sangue, em murmúrio como os rios.

Não sei se são meus lábios ou os meus dentes
que procuram tua boca. Estão vazios
meus sonhos de paisagem. Desvarios
me disfarçam de iogue entre serpentes.

Não sei se te desejo ou se antes quero
violar-te as entranhas, como Nero,
ou arrancá-las, como o triste Anúbis.

Late em meu peito o coração à lua.
Do céu me vem o gume da charrua
que há-de lavrar as agras do teu púbis.

Domingos Carvalho da Silva nasceu em Pedroso (Vila Nova de Gaia) a 21 de Junho de 1915 mas, radicado desde 1924 no Brasil, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo (1937), naturalizando-se nesse mesmo ano como cidadão brasileiro. Advogado, funcionário federal e jornalista, foi também poeta, contista e ensaísta e leccionou Teoria da Literatura na universidade de Brasília. Eis alguns dos seus livros de versos: «Rosa Extinta» (1945) e «Poesia Oculta» (1949). O principal mérito da sua poesia reside na versatilidade de formas, temas e tons.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

A Fénix Refractária – Domingos Carvalho da Silva

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Sobre o teu corpo nu, meus olhos frios
são corvos que se agitam impacientes.
Sob a tua pele, fervem as torrentes
do teu sangue, em murmúrio como os rios.

Não sei se são meus lábios ou os meus dentes
que procuram tua boca. Estão vazios
meus sonhos de paisagem. Desvarios
me disfarçam de iogue entre serpentes.

Não sei se te desejo ou se antes quero
violar-te as entranhas, como Nero,
ou arrancá-las, como o triste Anúbis.

Late em meu peito o coração à lua.
Do céu me vem o gume da charrua
que há-de lavrar as agras do teu púbis.

Domingos Carvalho da Silva nasceu em Pedroso (Vila Nova de Gaia) a 21 de Junho de 1915 mas, radicado desde 1924 no Brasil, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo (1937), naturalizando-se nesse mesmo ano como cidadão brasileiro. Advogado, funcionário federal e jornalista, foi também poeta, contista e ensaísta e leccionou Teoria da Literatura na universidade de Brasília. Eis alguns dos seus livros de versos: «Rosa Extinta» (1945) e «Poesia Oculta» (1949). O principal mérito da sua poesia reside na versatilidade de formas, temas e tons.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

A Fénix Refractária – Domingos Carvalho da Silva

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Sobre o teu corpo nu, meus olhos frios
são corvos que se agitam impacientes.
Sob a tua pele, fervem as torrentes
do teu sangue, em murmúrio como os rios.

Não sei se são meus lábios ou os meus dentes
que procuram tua boca. Estão vazios
meus sonhos de paisagem. Desvarios
me disfarçam de iogue entre serpentes.

Não sei se te desejo ou se antes quero
violar-te as entranhas, como Nero,
ou arrancá-las, como o triste Anúbis.

Late em meu peito o coração à lua.
Do céu me vem o gume da charrua
que há-de lavrar as agras do teu púbis.

Domingos Carvalho da Silva nasceu em Pedroso (Vila Nova de Gaia) a 21 de Junho de 1915 mas, radicado desde 1924 no Brasil, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo (1937), naturalizando-se nesse mesmo ano como cidadão brasileiro. Advogado, funcionário federal e jornalista, foi também poeta, contista e ensaísta e leccionou Teoria da Literatura na universidade de Brasília. Eis alguns dos seus livros de versos: «Rosa Extinta» (1945) e «Poesia Oculta» (1949). O principal mérito da sua poesia reside na versatilidade de formas, temas e tons.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.