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Um Homem Não Chora – José Craveirinha Maio 27, 2009

Filed under: José Craveirinha,poesia — looking4good @ 11:42 pm

Acreditava naquela historia
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!

José João Craveirinha (n. em Lourenço Marques, actual Maputo a 28 de Maio de 1922; m. em Maputo a 6 de Fevereiro de 2003)

Ler do mesmo autor Eu Quero Ser Tambor

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Eu Quero Ser Tambor de José Craveirinha (que faleceu faz hoje seis anos). Fevereiro 6, 2009

Filed under: José Craveirinha,poesia — looking4good @ 7:33 am

Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!

José João Craveirinha (n. em Lourenço Marques, agora Maputo em 28 Maio 1922; m. em Maputo a 6 de Fev. 2003)

Ler do mesmo autor Um Homem Não Chora

 

Um homem não chora – José Craveirinha (que desapareceu faz hoje cinco anos) Fevereiro 6, 2008

Filed under: José Craveirinha,poesia — looking4good @ 12:37 am

Acreditava naquela historia
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!

José João Craveirinha (n. em Lourenço Marques a 28 de Maio de 1922; m. em Maputo a 6 de Fevereiro de 2003)