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Sensações Desconhecidas – João Lúcio (na passagem do 90º. aniversário da morte do poeta) Outubro 27, 2008

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 1:56 am
foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira nasceu a 4 de Julho de 1880 em Olhão (Algarve), onde foi vítima de uma epidemia a 27 de Outubro de 1918. Sobrinho do pintor Henrique Pousão, formou-se em Direito por Coimbra em 1902. Jurisconsulto, orador e deputado, foi também um poeta verboso e irregular, mas com momentos fulgurantes. Na sua obra, há simbolismo, decadentismo, nefelibatismo, esteticismo, impressionismo e transcendentalismo. O seu melhor volume de poesia é de publicação póstuma: «Espalhando Fantasmas» (1921).

Ler do mesmo autor Tarde de Leite e Rosas Ouvindo Floresta

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
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Sensações Desconhecidas – João Lúcio (na passagem do 90º. aniversário da morte do poeta)

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 1:56 am
foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira nasceu a 4 de Julho de 1880 em Olhão (Algarve), onde foi vítima de uma epidemia a 27 de Outubro de 1918. Sobrinho do pintor Henrique Pousão, formou-se em Direito por Coimbra em 1902. Jurisconsulto, orador e deputado, foi também um poeta verboso e irregular, mas com momentos fulgurantes. Na sua obra, há simbolismo, decadentismo, nefelibatismo, esteticismo, impressionismo e transcendentalismo. O seu melhor volume de poesia é de publicação póstuma: «Espalhando Fantasmas» (1921).

Ler do mesmo autor Tarde de Leite e Rosas Ouvindo Floresta

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Sensações Desconhecidas – João Lúcio (na passagem do 90º. aniversário da morte do poeta)

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 1:56 am
foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira nasceu a 4 de Julho de 1880 em Olhão (Algarve), onde foi vítima de uma epidemia a 27 de Outubro de 1918. Sobrinho do pintor Henrique Pousão, formou-se em Direito por Coimbra em 1902. Jurisconsulto, orador e deputado, foi também um poeta verboso e irregular, mas com momentos fulgurantes. Na sua obra, há simbolismo, decadentismo, nefelibatismo, esteticismo, impressionismo e transcendentalismo. O seu melhor volume de poesia é de publicação póstuma: «Espalhando Fantasmas» (1921).

Ler do mesmo autor Tarde de Leite e Rosas Ouvindo Floresta

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.
 

Tarde de leite e rosas ouvindo a floresta – João Lúcio Julho 4, 2008

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 1:18 am
Floresta e rosas foto daqui
Tarde de leite e rosas. Cada aresta,
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol poente.

Tu querias sorver os poderosos
Lamentos de saudade e comoção
Que, as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, pra o clarão.

Opalescera já, o ar. O vento,
Correndo atrás da sombra, murmurou…
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento,
A floresta, cantou.

Em cada ramo, um violino havia:
Cada folha vibrava, ágil, sonora,
Par’cendo que escondia uma harmonia,
Nas sombras das ramagens, a Aurora.

Como a floresta, meu amor, eu tento,
Atirar o meu canto para a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Pra me fazer cantar, no pensamento,
Passa o sopro da tua formosura.

João Lúcio Pousão Pereira (nasceu em Olhão a 4 de Julho 1880 e aí morreu em 27 Out 1918).

 

Tarde de leite e rosas ouvindo a floresta – João Lúcio

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Floresta e rosas foto daqui
Tarde de leite e rosas. Cada aresta,
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol poente.

Tu querias sorver os poderosos
Lamentos de saudade e comoção
Que, as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, pra o clarão.

Opalescera já, o ar. O vento,
Correndo atrás da sombra, murmurou…
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento,
A floresta, cantou.

Em cada ramo, um violino havia:
Cada folha vibrava, ágil, sonora,
Par’cendo que escondia uma harmonia,
Nas sombras das ramagens, a Aurora.

Como a floresta, meu amor, eu tento,
Atirar o meu canto para a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Pra me fazer cantar, no pensamento,
Passa o sopro da tua formosura.

João Lúcio Pousão Pereira (nasceu em Olhão a 4 de Julho 1880 e aí morreu em 27 Out 1918).

 

Sensações Desconhecidas – João Lúcio Julho 4, 2007

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 12:40 pm
foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira (n. a 4 de Jul 1880 em Olhão; m. 27 de Out. 1918)

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004

 

Sensações Desconhecidas – João Lúcio

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 12:40 pm
foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira (n. a 4 de Jul 1880 em Olhão; m. 27 de Out. 1918)

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004