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Desolação – Mário Pederneiras Fevereiro 8, 2009

Filed under: Mário Pederneiras,poesia — looking4good @ 3:03 am

Pela Estrada da Vida ampla – coberta
de um longo velo pesaroso e baço,
hás de encontrá-la muita vez alerta
na longa rota do teu longo passo.

Por caminhos de pedras e sargaço
há de levar-te pela mão incerta,
até que, exausto em Mágoas e Cansaço,
te seja a Vida intérmina e deserta.

Verás em tudo Solidão e Escolhos
e da Tristeza a tétrica figura
estampada trarás nos próprios olhos.

E então, em Mágoas e Pavor clamando,
hás de vê-la passar na Noite escura
a mortalha dos sonhos arrastando.

Mário Veloso Paranhos Pederneiras (nasceu no Rio de Janeiro a 2 de novembro de 1867 — morreu no Rio de Janeiro a 8 de Fevereiro de 1915).

Ler do mesmo autor: Eterna; Meu Casal; Trecho Final

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Eterna – Mário Pederneiras Novembro 2, 2008

Filed under: Mário Pederneiras,poesia — looking4good @ 5:02 pm

Intérmino que fosse o Caminho da Vida
E eterno o caminhar do nosso passo incerto,
Fosse na estrada larga ou fosse no deserto,
Sem lar, sem pão, sem paz, sem sol e sem guarida;

Intérmina que fosse a estrada percorrida.
Sob o Céu todo azul ou de nuvens coberto
E, o repouso fatal nunca estivesse perto
E a distância final nunca fosse vencida;

E vencendo ao caminho as urzes e os escolhos,
As lutas, o pavor, o cansaço do dia,
A fraqueza do passo, a tristeza dos olhos;

Meu pobre coração nessa eterna ansiedade,
Nesse eterno sofrer, eterno arrastaria
Esta triste, esta longa, esta eterna Saudade.

Mário Veloso Paranhos Pederneiras (n. a 2 de Novembro de 1868 no Rio de Janeiro: m. no Rio de Janeiro a 8 de Fevereiro de 1915).

 

Meu Casal – Mário Pederneiras Fevereiro 8, 2007

Filed under: Mário Pederneiras,poesia — looking4good @ 10:55 am

Fica distante da cidade e em frente
À remansosa paz de uma enseada
Esta dos meus romântica morada,
Que olha de cheio para o Sol nascente.

Árvores dão-lhe a sombra desejada
Pela calma feição da minha gente,
E ela toda se ajusta ao tom dolente
Das cantigas que o Mar lhe chora à entrada.

Lá dentro o teu olhar de calmos brilhos,
Todo o meu bem e todo o meu empenho,
E a sonora alegria de meus filhos.

Outros que tenham com mais luxo o lar,
Que a mim me basta, Flor, o que aqui tenho,
Árvores, filhos, teu amor e o mar.

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004

Mário Veloso Paranhos Pederneiras (n. no Rio de Janeiro em 2 Nov 1868; m. Rio de Janeiro em 8 Fev 1915).

Ler do mesmo autor neste blog: Trecho final

 

Trecho Final – Mário Pederneiras Novembro 2, 2005

Filed under: Mário Pederneiras,poesia — looking4good @ 9:12 am

Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.

Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.

Mário Pederneiras (n. Rio de Janeiro, 2 Nov 1868; m. Rio de Janeiro, 8 Fev 1915)