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Melancolia – Alceu Wamosi Fevereiro 14, 2009

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 1:10 am

Mon âme est malade aujourd’hui
Mon âme est malade de absences…
Murice Maeterlinck

Uma tarde tão triste; um céu de tanta bruma;
nem um adeus de sol pela planura rasa;
nem um rumor de canto, a alegria de uma asa,
tudo se esbate em sombra e em tristeza se esfuma.

E essa ausente não vem, para alumiar-me a casa
com o seu riso leal, que o meu ermo perfuma,
e aquelas suaves mãos – carne feita de pluma –
que atenuam a febre que meu corpo abrasa…

Como eu me sinto só, dentro do fim do dia!
Todo o meu coração é uma alcova sombria.
Tenho à boca o amargor de uma taça de fel.

E este abandono… Esta incertez que me aflige…
Ó Georges Rodembach! Ó meu Cisnes de Bruges!
Ó “Crepuscule Pluvieux” de Ephraim Mikhael!

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 de Fevereiro de 1895 — m. em Santana do Livramento (RS) a 13 de Set. de 1923)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Noturno
Ária Antiga
Duas Almas

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Eterna Tarde – Alceu Wamosy Setembro 13, 2008

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 12:14 am

Foto: Praça do pôr do sol – Agnaldo Ribeiro daqui

A tarde vai morrer, calma como uma santa,
num êxtase de luz infinito e divino.
Há nas luzes do céu qualquer coisa que canta,
com músicas de cor, a tristeza de um hino.

Tudo, em torno de nós, se esbate e se quebranta.
Em nossos corações, como um dobre de sino,
e esperança agoniza; e a alma, triste, levanta
suas trêmulas mãos para o altar do destino.

Não é somente a tarde, a eterna moribunda,
que vai morrer, e espalha esta mágoa profunda
no nosso olhar, nas nossas mãos, na nossa voz…

É uma outra tarde — que nunca há de ser aurora
como a do céu será amanhã — que morre agora,
triste, dentro de nós…

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 de Fevereiro de 1895 — m. em Santana do Livramento (RS) a 13 de Set. de 1923)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Noturno
Ária Antiga
Duas Almas

 

Eterna Tarde – Alceu Wamosy

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 12:14 am

Foto: Praça do pôr do sol – Agnaldo Ribeiro daqui

A tarde vai morrer, calma como uma santa,
num êxtase de luz infinito e divino.
Há nas luzes do céu qualquer coisa que canta,
com músicas de cor, a tristeza de um hino.

Tudo, em torno de nós, se esbate e se quebranta.
Em nossos corações, como um dobre de sino,
e esperança agoniza; e a alma, triste, levanta
suas trêmulas mãos para o altar do destino.

Não é somente a tarde, a eterna moribunda,
que vai morrer, e espalha esta mágoa profunda
no nosso olhar, nas nossas mãos, na nossa voz…

É uma outra tarde — que nunca há de ser aurora
como a do céu será amanhã — que morre agora,
triste, dentro de nós…

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 de Fevereiro de 1895 — m. em Santana do Livramento (RS) a 13 de Set. de 1923)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Noturno
Ária Antiga
Duas Almas

 

Noturno – Alceu Wamosy Fevereiro 14, 2008

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 2:09 am


Tu pensarás em mim, por esta noite imensa
e erma, em que tudo é um frio e um silêncio profundo?
Tu pensarás em mim? Por esta noite, enfermo,
tendo os olhos em febre e a voz cheia de sustos,
eu penso em ti, no teu amor e na promessa
muda que o teu olhar me fez e que eu espero.

(Que dor de não saber se tu pensas em mim!)

Sob a tenda da noite estrelada de outono,
que eu contemplo através os cristais da janela,
junto ao manso tepor da lâmpada que escuta
— antiga confidente — os meus sonhos e as minhas
vigílias de tormento, eu penso em ti, divina.

(E tu talvez nem te recordes deste ausente!)

Penso em ti. Penso e evoco o teu vulto adorado.
Penso nas tuas mãos — um lis de cinco pétalas —
que, em vez de sangue, têm luar dentro das veias;
nos teus olhos, que são Noturnos de Chopin
agonizando à luz de uma tarde de sonho;
na tua voz, que lembra um beijo que se esfolha.
Penso.

(E nem sei se tu também pensas em mim!)

Talvez não. No tranquilo altar da tua alcova,
onde se extingue a luz de um velho candelabro
como uma lâmpada votiva, tu adormeces
sorrindo ao Anjo fiel que as tuas pálpebras fecha
para que tu não tenhas sonhos maus.
E eu penso
em ti, sem sono, a sós, angustiado e febril,
em ti, que nem eu sei se te lembras de mim…

ALCEU WAMOSY (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 Fev. 1895; m. em Livramento (RS), em 13 Set.1923).

 

Noturno – Alceu Wamosy

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 2:09 am


Tu pensarás em mim, por esta noite imensa
e erma, em que tudo é um frio e um silêncio profundo?
Tu pensarás em mim? Por esta noite, enfermo,
tendo os olhos em febre e a voz cheia de sustos,
eu penso em ti, no teu amor e na promessa
muda que o teu olhar me fez e que eu espero.

(Que dor de não saber se tu pensas em mim!)

Sob a tenda da noite estrelada de outono,
que eu contemplo através os cristais da janela,
junto ao manso tepor da lâmpada que escuta
— antiga confidente — os meus sonhos e as minhas
vigílias de tormento, eu penso em ti, divina.

(E tu talvez nem te recordes deste ausente!)

Penso em ti. Penso e evoco o teu vulto adorado.
Penso nas tuas mãos — um lis de cinco pétalas —
que, em vez de sangue, têm luar dentro das veias;
nos teus olhos, que são Noturnos de Chopin
agonizando à luz de uma tarde de sonho;
na tua voz, que lembra um beijo que se esfolha.
Penso.

(E nem sei se tu também pensas em mim!)

Talvez não. No tranquilo altar da tua alcova,
onde se extingue a luz de um velho candelabro
como uma lâmpada votiva, tu adormeces
sorrindo ao Anjo fiel que as tuas pálpebras fecha
para que tu não tenhas sonhos maus.
E eu penso
em ti, sem sono, a sós, angustiado e febril,
em ti, que nem eu sei se te lembras de mim…

ALCEU WAMOSY (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 Fev. 1895; m. em Livramento (RS), em 13 Set.1923).

 

Ária Antiga – Alceu Wamosy Setembro 13, 2007

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 12:48 pm
Quietud en el Atardecer Oil On Canvas 24″ x 29″
by Ramon Vilanova

Chora o orvalho da luz sobre a rosa do dia
que se fecha. O jardim todo lembra um altar
para o qual sobe o incenso azul da nostalgia,
e onde os lírios estão de joelhos, a rezar.

Tu cantas para mim. Tua voz, triste e mansa,
vem trazendo, a gemer, dos confins da lembrança,
qualquer coisa de velho, onde a vida se esfume.

Quando a voz adormece um fantasma desperta.
A tua boca é como uma rosa entreaberta
que a saudade acalante e o passado perfume.

E essa velha canção que o teu lábio cicia,
no momento em que a tarde adormece no olhar,
enche o meu coração de uma vaga harmonia,
de um desejo pueril de ser bom, e chorar

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana (RS) a 14 de Fev 1895, m. em Livramento (RS) a 13 Set 1923)

 

Ária Antiga – Alceu Wamosy

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 12:48 pm
Quietud en el Atardecer Oil On Canvas 24″ x 29″
by Ramon Vilanova

Chora o orvalho da luz sobre a rosa do dia
que se fecha. O jardim todo lembra um altar
para o qual sobe o incenso azul da nostalgia,
e onde os lírios estão de joelhos, a rezar.

Tu cantas para mim. Tua voz, triste e mansa,
vem trazendo, a gemer, dos confins da lembrança,
qualquer coisa de velho, onde a vida se esfume.

Quando a voz adormece um fantasma desperta.
A tua boca é como uma rosa entreaberta
que a saudade acalante e o passado perfume.

E essa velha canção que o teu lábio cicia,
no momento em que a tarde adormece no olhar,
enche o meu coração de uma vaga harmonia,
de um desejo pueril de ser bom, e chorar

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana (RS) a 14 de Fev 1895, m. em Livramento (RS) a 13 Set 1923)