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Página Desconhecida – Adelino Fontoura Maio 2, 2009

Filed under: Adelino Fontoura,poesia — looking4good @ 12:31 am

À brisa, ao sol, à serra, à flor silvestre
Ao ribeiro que corre cristalino,
Ao canto alegre e doce, matutino,
Das aventuras no arvoredo agreste;

À campina que do orvalho a manhã veste,
Eu, sem de Homero for o alto destino,
Um conto fui pedir áureo, divino,
Radiante dessa luz alva e celeste!

Com ele ornar quisera, alegremente,
O teu álbum mimoso — onde o talento
Do teu gênio se curva ao foto ingente;

Mas, não tenho de Dante o pensamento,
Não acho inspiração na luz fulgente
Pra um canto te ofertar com sentimento.

Adelino da Fontoura Chaves (n. em Axixá /Mranhão, em 30 Mar 1859; m. em Lisboa, Portugal, a 02 Maio 1884).

Ler do mesmo autor:
Atracção e Repulsa
Jornada
Celeste

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Atração e Repulsa – Adelino Fontoura Maio 2, 2008

Filed under: Adelino Fontoura,poesia — looking4good @ 6:14 am

Eu nada mais sonhava nem queria
Que de ti não viesse, ou não falasse;
E como a ti te amei, que alguém te amasse,
Coisa incrível até me parecia.

Uma estrela mais lúcida eu não via
Que nesta vida os passos me guiasse,
E tinha fé, cuidando que encontrasse,
Após tanta amargura, uma alegria.

Mas tão cedo extinguiste este risonho,
Este encantado e deleitoso engano,
Que o bem que achar supus, já não suponho.

Vejo, enfim, que és um peito desumano;
Se fui té junto a ti de sonho em sonho,
Voltei de desengano em desengano.

Adelino da Fontoura Chaves (n. em Axixá /MA, em 30 Mar 1859; m. em Lisboa, Portugal, a 02 Maio 1884).

Ler do mesmo autor:
Jornada
Celeste

 

Jornada – Adelino Fontoura Março 30, 2008

Filed under: Adelino Fontoura,poesia — looking4good @ 1:26 am

Fui átomo, vibrando entre as forças do Espaço,
Devorando amplidões, em longa e ansiosa espera…
Partícula, pousei… Encarcerado, eu era
Infusório do mar em montões de sargaço.

Por séculos fui planta em movimento escasso,
Sofri no inverno rude e amei na primavera;
Depois, fui animal, e no instinto da fera
Achei a inteligência e avancei passo a passo…

Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,
Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,
A lutar e chorar para, então, compreendê-las!…

Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,
Vivo de corpo em corpo a forjar o destino
Que me leve a transpor o clarão das estrelas!…

Adelino da Fontoura Chaves (n. em Axixá, Maranhão, Brasil a 30 Mar.1859 – m. em Lisboa, Portugal a 02 Maio 1884)

 

Celeste – Adelino Fontoura Maio 2, 2007

Filed under: Adelino Fontoura,poesia — looking4good @ 5:39 pm

É tão divina a angélica aparência
E a graça que ilumina o rosto dela,
Que eu concebera o tipo da inocência
Nessa criança imaculada e bela.

Peregrina do céu, pálida estrela,
Exilada da etérea transparência,
Sua origem não pode ser aquela
Da nossa triste e mísera existência.

Tem a celeste e ingênua formosura
E a luminosa auréola sacrossanta
De uma visão do céu, cândida e pura.

E quando os olhos para o céu levanta,
Inundados de mística doçura,
Nem parece mulher — parece santa.

Adelino Fontoura (Adelino da Fontoura Chaves) (n. em Axixá, Maranhão, Brasil a 30 Mar.1859 – m. em Lisboa, Portugal a 02 Maio 1884)