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Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos Julho 22, 2008

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 1:15 am

Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.

I
Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.

Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.

Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!

Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.

E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal…

Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.

A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.

Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.

As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes…
Adejam os milhafres junto ao ninho…
Onde as aguias reaes?

Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.

O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins…
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!

Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—

E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes…

E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão…

E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.

Tres seculos havia… Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.

II

A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!

Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,

E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!

Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões

Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse…
E á espada a mão levou!

Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições

Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do msmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
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Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

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Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.


I


Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.


Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!


Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.


E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal...


Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.


A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.


Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.


As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes...
Adejam os milhafres junto ao ninho...
Onde as aguias reaes?


Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.


O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins...
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!


Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—


E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes...


E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão...


E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.


Tres seculos havia... Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


II


A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!


Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,


E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!


Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões


Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse...
E á espada a mão levou!
Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 1:15 am

Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.


I


Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.


Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!


Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.


E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal...


Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.


A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.


Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.


As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes...
Adejam os milhafres junto ao ninho...
Onde as aguias reaes?


Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.


O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins...
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!


Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—


E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes...


E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão...


E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.


Tres seculos havia... Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


II


A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!


Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,


E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!


Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões


Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse...
E á espada a mão levou!
Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 1:15 am

Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.


I


Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.


Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!


Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.


E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal...


Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.


A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.


Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.


As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes...
Adejam os milhafres junto ao ninho...
Onde as aguias reaes?


Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.


O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins...
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!


Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—


E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes...


E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão...


E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.


Tres seculos havia... Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


II


A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!


Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,


E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!


Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões


Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse...
E á espada a mão levou!
Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Ao ver essa criança, adormecida.. – Joaquim de Araújo Maio 11, 2007

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 12:45 pm
foto: Criança dormindo ao colo da mãe

Ao ver essa criança, adormecida
no teu colo suave e alabastrino,
vibra em mim como um cântico divino
duma santa saudade indefinida.

Era assim que eu dormia, quando a vida
me envolvia num sonho cristalino;
era assim que eu dormia, em pequenino,
nos braços de uma mãe estremecida.

Que doce quadro, meu amor! Eu dava
os altos ideais, que fantasiava
em não sei que recônditos espaços,

a troco simplesmente, da ventura
de ser a pequenina criatura
que adormece embalada nos teus braços.

Joaquim de Araújo (n. em Penafiel a 22 Jul 1858; m. em Sintra a 11 Maio 1917)

 

Ao ver essa criança, adormecida.. – Joaquim de Araújo

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 12:45 pm
foto: Criança dormindo ao colo da mãe

Ao ver essa criança, adormecida
no teu colo suave e alabastrino,
vibra em mim como um cântico divino
duma santa saudade indefinida.

Era assim que eu dormia, quando a vida
me envolvia num sonho cristalino;
era assim que eu dormia, em pequenino,
nos braços de uma mãe estremecida.

Que doce quadro, meu amor! Eu dava
os altos ideais, que fantasiava
em não sei que recônditos espaços,

a troco simplesmente, da ventura
de ser a pequenina criatura
que adormece embalada nos teus braços.

Joaquim de Araújo (n. em Penafiel a 22 Jul 1858; m. em Sintra a 11 Maio 1917)

 

Ao ver essa criança, adormecida.. – Joaquim de Araújo

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 12:45 pm
foto: Criança dormindo ao colo da mãe

Ao ver essa criança, adormecida
no teu colo suave e alabastrino,
vibra em mim como um cântico divino
duma santa saudade indefinida.

Era assim que eu dormia, quando a vida
me envolvia num sonho cristalino;
era assim que eu dormia, em pequenino,
nos braços de uma mãe estremecida.

Que doce quadro, meu amor! Eu dava
os altos ideais, que fantasiava
em não sei que recônditos espaços,

a troco simplesmente, da ventura
de ser a pequenina criatura
que adormece embalada nos teus braços.

Joaquim de Araújo (n. em Penafiel a 22 Jul 1858; m. em Sintra a 11 Maio 1917)