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O Amor do Vermelho (Nevrose de um lord) – Gomes Leal Janeiro 29, 2009

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 1:16 am

A ideia de teu corpo branco e amado,
beleza escultural e triunfante,
persegue-me, mulher, a todo o instante,
– como o assassino o sangue derramado!

Quando teu corpo pálido, beijado,
abandonas ao leito – palpitante,
quem jamais contemplou, em noite amante,
tentação mais cruel, tom mais nevado?

No entanto – duro, excêntrico desejo!
– quisera, às vezes, que a dormir te vejo,
tranquila, branca, inerme, unida a mim…

que o teu sangue corresse de repente,
fascinação da Cor! – e estranhamente,
te colorisse, pálido marfim.

(Claridades do sul )
in Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, selecção prefácio e notas de Natália Correia; Antígona Frenes, Lisboa 2005

António Gomes Leal (n. em Lisboa a 6 Jun 1848; m. 29 Jan 1921)

Ler do mesmo autor, neste blog: Romantismo; Som e Cor; O Visionário ou Som e Cor III; Cantiga de Campo

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Romantismo – Gomes Leal na passagem do 160º aniversário do nascimento Junho 6, 2008

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 12:20 am

Quando ergue o transparente da janela,
Ou que o seu quarto se inundou de luz,
Eu amo vê-la, sedutora e bela,
-Longos cabelos sobre os ombros nus.

Oh como é bela! e como fico a olhar;
Dos seus cabelos desatando a fita!…
Lembram-me as virgens que do austero Ermita
Vinham as noites de orações tentar.

Oh como é bela! – Tem na luz do olhar
Quais violeta quando as fecha o sonp,
Não sei que doce e lânguido abandono,
Não sei que vago que nos faz cismar!…

Como eu a espreito, palpitante o seio,
Como eu a sigo nos seus gestos vários,
Naquele quarto, aquele ninho cheoo
Da doce voz dos joviais canários!…

Como eu quisera ser, nos sonhos dela,
Um rei das lendas, o fatal D. Juan,
Pirata mouro, em galeões à vela,
Como minaretes sob o céu do Iran!…

Como eu quisera – e que vontade intensa! –
Só pelo brilho dessa longa trança,
Ser cavaleiro de invencível lança,
Ou rei normando duma ilha imensa!…

Como eu quisera, no eu pensamento,
Ser o rei bardo no rovhedo duro,
E ambos, fugindo, recortar o vento,
Sobre a garoupa dum cavalo escuro!…

Se me morresse, que comprido choro!
Como vergara sob a cruz de Malta!
Como eu deitara a minha trança d’ouro,
Por causa dela, duma torre alta!…

… … … …

E assim por ela fico preso, enquanto
O sol se esconde no ocidente triste…
Um cravo murcha, numa jarra, a um canto,
-E as aves voam, debicando o alpiste.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal editores

António Duarte Gomes Leal (n. em Lisboa a 6 de Junho de 1848; m. em Lisboa a 29 de Janeiro de 1921).

 

Romantismo – Gomes Leal na passagem do 160º aniversário do nascimento

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 12:20 am

Quando ergue o transparente da janela,
Ou que o seu quarto se inundou de luz,
Eu amo vê-la, sedutora e bela,
-Longos cabelos sobre os ombros nus.

Oh como é bela! e como fico a olhar;
Dos seus cabelos desatando a fita!…
Lembram-me as virgens que do austero Ermita
Vinham as noites de orações tentar.

Oh como é bela! – Tem na luz do olhar
Quais violeta quando as fecha o sonp,
Não sei que doce e lânguido abandono,
Não sei que vago que nos faz cismar!…

Como eu a espreito, palpitante o seio,
Como eu a sigo nos seus gestos vários,
Naquele quarto, aquele ninho cheoo
Da doce voz dos joviais canários!…

Como eu quisera ser, nos sonhos dela,
Um rei das lendas, o fatal D. Juan,
Pirata mouro, em galeões à vela,
Como minaretes sob o céu do Iran!…

Como eu quisera – e que vontade intensa! –
Só pelo brilho dessa longa trança,
Ser cavaleiro de invencível lança,
Ou rei normando duma ilha imensa!…

Como eu quisera, no eu pensamento,
Ser o rei bardo no rovhedo duro,
E ambos, fugindo, recortar o vento,
Sobre a garoupa dum cavalo escuro!…

Se me morresse, que comprido choro!
Como vergara sob a cruz de Malta!
Como eu deitara a minha trança d’ouro,
Por causa dela, duma torre alta!…

… … … …

E assim por ela fico preso, enquanto
O sol se esconde no ocidente triste…
Um cravo murcha, numa jarra, a um canto,
-E as aves voam, debicando o alpiste.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal editores

António Duarte Gomes Leal (n. em Lisboa a 6 de Junho de 1848; m. em Lisboa a 29 de Janeiro de 1921).

 

Romantismo – Gomes Leal na passagem do 160º aniversário do nascimento

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 12:20 am

Quando ergue o transparente da janela,
Ou que o seu quarto se inundou de luz,
Eu amo vê-la, sedutora e bela,
-Longos cabelos sobre os ombros nus.

Oh como é bela! e como fico a olhar;
Dos seus cabelos desatando a fita!…
Lembram-me as virgens que do austero Ermita
Vinham as noites de orações tentar.

Oh como é bela! – Tem na luz do olhar
Quais violeta quando as fecha o sonp,
Não sei que doce e lânguido abandono,
Não sei que vago que nos faz cismar!…

Como eu a espreito, palpitante o seio,
Como eu a sigo nos seus gestos vários,
Naquele quarto, aquele ninho cheoo
Da doce voz dos joviais canários!…

Como eu quisera ser, nos sonhos dela,
Um rei das lendas, o fatal D. Juan,
Pirata mouro, em galeões à vela,
Como minaretes sob o céu do Iran!…

Como eu quisera – e que vontade intensa! –
Só pelo brilho dessa longa trança,
Ser cavaleiro de invencível lança,
Ou rei normando duma ilha imensa!…

Como eu quisera, no eu pensamento,
Ser o rei bardo no rovhedo duro,
E ambos, fugindo, recortar o vento,
Sobre a garoupa dum cavalo escuro!…

Se me morresse, que comprido choro!
Como vergara sob a cruz de Malta!
Como eu deitara a minha trança d’ouro,
Por causa dela, duma torre alta!…

… … … …

E assim por ela fico preso, enquanto
O sol se esconde no ocidente triste…
Um cravo murcha, numa jarra, a um canto,
-E as aves voam, debicando o alpiste.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal editores

António Duarte Gomes Leal (n. em Lisboa a 6 de Junho de 1848; m. em Lisboa a 29 de Janeiro de 1921).

 

Romantismo – Gomes Leal na passagem do 160º aniversário do nascimento

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 12:20 am

Quando ergue o transparente da janela,
Ou que o seu quarto se inundou de luz,
Eu amo vê-la, sedutora e bela,
-Longos cabelos sobre os ombros nus.

Oh como é bela! e como fico a olhar;
Dos seus cabelos desatando a fita!…
Lembram-me as virgens que do austero Ermita
Vinham as noites de orações tentar.

Oh como é bela! – Tem na luz do olhar
Quais violeta quando as fecha o sonp,
Não sei que doce e lânguido abandono,
Não sei que vago que nos faz cismar!…

Como eu a espreito, palpitante o seio,
Como eu a sigo nos seus gestos vários,
Naquele quarto, aquele ninho cheoo
Da doce voz dos joviais canários!…

Como eu quisera ser, nos sonhos dela,
Um rei das lendas, o fatal D. Juan,
Pirata mouro, em galeões à vela,
Como minaretes sob o céu do Iran!…

Como eu quisera – e que vontade intensa! –
Só pelo brilho dessa longa trança,
Ser cavaleiro de invencível lança,
Ou rei normando duma ilha imensa!…

Como eu quisera, no eu pensamento,
Ser o rei bardo no rovhedo duro,
E ambos, fugindo, recortar o vento,
Sobre a garoupa dum cavalo escuro!…

Se me morresse, que comprido choro!
Como vergara sob a cruz de Malta!
Como eu deitara a minha trança d’ouro,
Por causa dela, duma torre alta!…

… … … …

E assim por ela fico preso, enquanto
O sol se esconde no ocidente triste…
Um cravo murcha, numa jarra, a um canto,
-E as aves voam, debicando o alpiste.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal editores

António Duarte Gomes Leal (n. em Lisboa a 6 de Junho de 1848; m. em Lisboa a 29 de Janeiro de 1921).

 

Som e Cor – Gomes Leal Janeiro 29, 2008

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 1:26 am
Cacto com flores vermelhas

Alucina-me a cor! A rosa é como a lira,
a lira pelo tempo há muito engrinaldada,
e é já velha a união, a núpcia sagrada,
entre a cor que nos prende e a nota que suspira.

Se a terra, às vezes, cria a flor que não inspira,
a teatral camélia, a branca enfastiada,
muitas vezes, no ar, perpassa a nota alada
como a perdida cor dalguma flor, que expira…

Há plantas ideais dum cântico divino,
irmãs do oboé, gémeas do violino,
há gemidos no azul, gritos no carmesim…

A magnólia é uma harpa etérea e perfumada
e o cacto, a larga flor, vermelha, ensanguentada,
tem notas marciais: soa como um clarim!

António Duarte GOMES LEAL nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1848 e aí faleceu, meio louco, a 29 de Janeiro de 1921. Passou meteoricamente pelo Curso Superior de Letras. Panfletário e anticlerical, sofreu a morte da irmã Maria Fausta (1875), do pai (1876) e da mãe (5 de Maio de 1910), após o que, solitário e desamparado, se converteu ao catolicismo. Para não morrer de fome, o Parlamento atribuiu-lhe uma pensão de 600 mil réis anuais. É autor de uma obra desigual, que vai desde o ultra-romantismo ao surrealismo, passando pelo realismo, parnasianismo e simbolismo. O seu principal título de glória é «Claridades do Sul» (1875; reed., revista e aumentada, em 1901), donde extraímos «Som e Cor»

Soneto e ficha bibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004»

Ler do mesmo autor : Gomes Leal: Cantiga do Campo
 

Som e Cor – Gomes Leal

Filed under: Gomes Leal,poesia — looking4good @ 1:26 am
Cacto com flores vermelhas

Alucina-me a cor! A rosa é como a lira,
a lira pelo tempo há muito engrinaldada,
e é já velha a união, a núpcia sagrada,
entre a cor que nos prende e a nota que suspira.

Se a terra, às vezes, cria a flor que não inspira,
a teatral camélia, a branca enfastiada,
muitas vezes, no ar, perpassa a nota alada
como a perdida cor dalguma flor, que expira…

Há plantas ideais dum cântico divino,
irmãs do oboé, gémeas do violino,
há gemidos no azul, gritos no carmesim…

A magnólia é uma harpa etérea e perfumada
e o cacto, a larga flor, vermelha, ensanguentada,
tem notas marciais: soa como um clarim!

António Duarte GOMES LEAL nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1848 e aí faleceu, meio louco, a 29 de Janeiro de 1921. Passou meteoricamente pelo Curso Superior de Letras. Panfletário e anticlerical, sofreu a morte da irmã Maria Fausta (1875), do pai (1876) e da mãe (5 de Maio de 1910), após o que, solitário e desamparado, se converteu ao catolicismo. Para não morrer de fome, o Parlamento atribuiu-lhe uma pensão de 600 mil réis anuais. É autor de uma obra desigual, que vai desde o ultra-romantismo ao surrealismo, passando pelo realismo, parnasianismo e simbolismo. O seu principal título de glória é «Claridades do Sul» (1875; reed., revista e aumentada, em 1901), donde extraímos «Som e Cor»

Soneto e ficha bibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004»

Ler do mesmo autor : Gomes Leal: Cantiga do Campo