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Saudade – Vicente de Carvalho Abril 22, 2008

Filed under: poesia,Vicente de Carvalho — looking4good @ 12:53 am

Belos amores perdidos,
Muito fiz eu com perder-vos;
Deixar-vos, sim: esquecervos
Fora demais, não o fiz.

Tudo se arranca do seio,
— Amor, desejo, esperança…
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz.

Roseira cheia de rosas,
Roseira cheia de espinhos,
Que eu deixei pelos caminhos,
Aberta em flor, e parti:

Por me não perder, perdi-te:
Mas mal posso assegurar-me,
— Com te perder e ganhar-me,
Se ganhei, ou se perdi…

Vicente Augusto de Carvalho (n. Santos, 5 de Abr. de 1866; m. em São Paulo a 22 de Abril de 1924)

Ler do mesmo autor A Flor e a Fonte

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A Flor e a Fonte – Vicente de Carvalho Abril 5, 2008

Filed under: poesia,Vicente de Carvalho — looking4good @ 1:33 pm
Flor branca daqui

“Deixa-me, fonte!” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.

“Deixa-me, deixa-me, fonte!
” Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte…
“Não me leves para o mar”.

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

“Ai, balanços do meu galho,
“Balanços do berço meu;
“Ai, claras gotas de orvalho
“Caídas do azul do céu!…

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.

“Adeus, sombra das ramadas,
“Cantigas do rouxinol;
“Ai, festa das madrugadas,
“Doçuras do pôr do sol;

“Carícia das brisas leves
“Que abrem rasgões de luar…
“Fonte, fonte, não me leves,
“Não me leves para o mar!…”

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor…

Vicente Augusto de Carvalho (n. Santos, 5 de Abr. de 1866; m. em São Paulo a 22 de Abril de 1924)

 

A Flor e a Fonte – Vicente de Carvalho

Filed under: poesia,Vicente de Carvalho — looking4good @ 1:33 pm
Flor branca daqui

“Deixa-me, fonte!” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.

“Deixa-me, deixa-me, fonte!
” Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte…
“Não me leves para o mar”.

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

“Ai, balanços do meu galho,
“Balanços do berço meu;
“Ai, claras gotas de orvalho
“Caídas do azul do céu!…

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.

“Adeus, sombra das ramadas,
“Cantigas do rouxinol;
“Ai, festa das madrugadas,
“Doçuras do pôr do sol;

“Carícia das brisas leves
“Que abrem rasgões de luar…
“Fonte, fonte, não me leves,
“Não me leves para o mar!…”

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor…

Vicente Augusto de Carvalho (n. Santos, 5 de Abr. de 1866; m. em São Paulo a 22 de Abril de 1924)

 

A Flor e a Fonte – Vicente de Carvalho

Filed under: poesia,Vicente de Carvalho — looking4good @ 1:33 pm
Flor branca daqui

“Deixa-me, fonte!” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.

“Deixa-me, deixa-me, fonte!
” Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte…
“Não me leves para o mar”.

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

“Ai, balanços do meu galho,
“Balanços do berço meu;
“Ai, claras gotas de orvalho
“Caídas do azul do céu!…

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.

“Adeus, sombra das ramadas,
“Cantigas do rouxinol;
“Ai, festa das madrugadas,
“Doçuras do pôr do sol;

“Carícia das brisas leves
“Que abrem rasgões de luar…
“Fonte, fonte, não me leves,
“Não me leves para o mar!…”

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor…

Vicente Augusto de Carvalho (n. Santos, 5 de Abr. de 1866; m. em São Paulo a 22 de Abril de 1924)