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Faz hoje 58 anos quer faleceu o poeta popular António Aleixo Novembro 16, 2007

Filed under: António Aleixo,poesia — looking4good @ 8:28 pm
Desapareceu do mundo dos vivos, em Loulé, há 58 anos o poeta português, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, António Aleixo.

António Fernandes Aleixo nasceu em Vila Real de Santo António a 18 de Fevereiro de 1899 e faleceu em Loulé a 16 de Novembro de 1949. foi um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos.

Deixamos aqui algumas das suas famosas quadras:

Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.

Porque será que nós temos
na frente, aos montes, aos molhos,
tantas coisas que não vemos
nem mesmo perto dos olhos?

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu’rer um mundo novo a sério.

Sei que pareço um ladrão…
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.

Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.

Não é só na grande terra
que os poetas cantam bem:
os rouxinóis são da serra
e cantam como ninguém

Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.

Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão

Uma mosca sem valor
Poisa c’o a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.

P’ra mentira ser segura
e atingir profundidade
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Sem que discurso eu pedisse,
ele falou, e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
do que disse não gostei.

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Poesia de António Aleixo na Unicepe Outubro 24, 2007

Filed under: António Aleixo,poesia — looking4good @ 6:15 am
Hoje há poesia de António Aleixo na Unicepe, no Porto, das 21h30 às 23h00.

«A ideia é cada mês homenagear um poeta e criar o gosto de partilhar a leitura.
José Alves Silva faz a “apresentação” sucinta do evocado e os presentes lêem poemas seus.
Entremeando os poemas haverá canções. Este mês por ANA RIBEIRO.
Porto POÇAS oferece um cálice».

Para mais informações veja http://www.unicepe.com/
 

Quadras Populares – António Aleixo Fevereiro 18, 2007

Filed under: António Aleixo,poesia — looking4good @ 2:05 pm

Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando, a beijar
a mão que brande o chicote
que tanto me faz penar.

Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.

Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
– Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!

Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias

António Aleixo (n. em 18 de Fev. de 1899 em Vila Real de Santo António; m. em 16 de Nov. de 1949 em Loulé).