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Além Ainda… – Luís Murat Julho 3, 2008

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 12:33 am

Caminheiro que vais ao fim do dia
Demandando o crespúsculo das dores,
Não te percas na lágrima sombria
Da tormenta de anseios e amargores!

Além da sepultura principia
O caminho dos sonhos redentores,
Na alvorada perene da harmonia,
Aureolada de eternos resplendores.

Desolado viajor, ergue teus olhos!
Não te prendas somente ao chão tristonho,
Guarda a esperança carinhosa e linda!

Vence a longa jornada dos abrolhos,
Que o país luminoso do teu sonho
Fica ao alto… distante… além ainda…

Luís Morton Barreto Murat (n. em Resende, RJ, em 4 de Maio de 1861; m. no Rio de Janeiro, RJ, em 3 de Julho de 1920)

Do mesmo autor ler: O Poder das Lágrimas; Ironia do Coração

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O Poder das Lágrimas – Luís Murat Maio 4, 2008

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 12:47 am

Com que saudade para o céu não olhas,
vendo de nuvens todo o céu coberto
e engastadas de pérolas as folhas
e o coração das árvores deserto!

Como uma grande rosa, a alma desfolhas
dentro do seio, inteiramente aberto,
e esses restos de flor passando molhas
n’água do arroio, que coleia perto.

Molha-as, sim, nessa linfa algente e casta!
Que uma só gota cristalina basta
para o calor em chuva ir transformando.

Hás de ficar com olhos rasos d’água,
a dor há de acalmar, que a própria mágoa
tem dó de ver uma mulher chorando.

LUÍS Norton Barreto MURAT nasceu em Itaguaí (RJ) a 4 de Maio de 1861 e morreu hemiplégico no Rio de Janeiro a 3 de Julho de 1929. Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1885, foi republicano e abolicionista. Participante do movimento revolucionário de 1893, andou refugiado e exilou-se em Buenos Aires mas, depois de julgado, foi absolvido. Indiferente ao parnasianismo, então vigente, estabeleceu a ponte entre o Romantismo e o Simbolismo. Influenciado a princípio por Victor Hugo, acabou dominado pela ideologia do místico sueco Swedenborg. Ninguém diria, ao ler «O Poder das Lágrimas», que transcrevemos, que o seu autor detestava os sonetos.

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

O Poder das Lágrimas – Luís Murat

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 12:47 am

Com que saudade para o céu não olhas,
vendo de nuvens todo o céu coberto
e engastadas de pérolas as folhas
e o coração das árvores deserto!

Como uma grande rosa, a alma desfolhas
dentro do seio, inteiramente aberto,
e esses restos de flor passando molhas
n’água do arroio, que coleia perto.

Molha-as, sim, nessa linfa algente e casta!
Que uma só gota cristalina basta
para o calor em chuva ir transformando.

Hás de ficar com olhos rasos d’água,
a dor há de acalmar, que a própria mágoa
tem dó de ver uma mulher chorando.

LUÍS Norton Barreto MURAT nasceu em Itaguaí (RJ) a 4 de Maio de 1861 e morreu hemiplégico no Rio de Janeiro a 3 de Julho de 1929. Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1885, foi republicano e abolicionista. Participante do movimento revolucionário de 1893, andou refugiado e exilou-se em Buenos Aires mas, depois de julgado, foi absolvido. Indiferente ao parnasianismo, então vigente, estabeleceu a ponte entre o Romantismo e o Simbolismo. Influenciado a princípio por Victor Hugo, acabou dominado pela ideologia do místico sueco Swedenborg. Ninguém diria, ao ler «O Poder das Lágrimas», que transcrevemos, que o seu autor detestava os sonetos.

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

O Poder das Lágrimas – Luís Murat

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 12:47 am

Com que saudade para o céu não olhas,
vendo de nuvens todo o céu coberto
e engastadas de pérolas as folhas
e o coração das árvores deserto!

Como uma grande rosa, a alma desfolhas
dentro do seio, inteiramente aberto,
e esses restos de flor passando molhas
n’água do arroio, que coleia perto.

Molha-as, sim, nessa linfa algente e casta!
Que uma só gota cristalina basta
para o calor em chuva ir transformando.

Hás de ficar com olhos rasos d’água,
a dor há de acalmar, que a própria mágoa
tem dó de ver uma mulher chorando.

LUÍS Norton Barreto MURAT nasceu em Itaguaí (RJ) a 4 de Maio de 1861 e morreu hemiplégico no Rio de Janeiro a 3 de Julho de 1929. Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1885, foi republicano e abolicionista. Participante do movimento revolucionário de 1893, andou refugiado e exilou-se em Buenos Aires mas, depois de julgado, foi absolvido. Indiferente ao parnasianismo, então vigente, estabeleceu a ponte entre o Romantismo e o Simbolismo. Influenciado a princípio por Victor Hugo, acabou dominado pela ideologia do místico sueco Swedenborg. Ninguém diria, ao ler «O Poder das Lágrimas», que transcrevemos, que o seu autor detestava os sonetos.

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

O Poder das Lágrimas – Luís Murat

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 12:47 am

Com que saudade para o céu não olhas,
vendo de nuvens todo o céu coberto
e engastadas de pérolas as folhas
e o coração das árvores deserto!

Como uma grande rosa, a alma desfolhas
dentro do seio, inteiramente aberto,
e esses restos de flor passando molhas
n’água do arroio, que coleia perto.

Molha-as, sim, nessa linfa algente e casta!
Que uma só gota cristalina basta
para o calor em chuva ir transformando.

Hás de ficar com olhos rasos d’água,
a dor há de acalmar, que a própria mágoa
tem dó de ver uma mulher chorando.

LUÍS Norton Barreto MURAT nasceu em Itaguaí (RJ) a 4 de Maio de 1861 e morreu hemiplégico no Rio de Janeiro a 3 de Julho de 1929. Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1885, foi republicano e abolicionista. Participante do movimento revolucionário de 1893, andou refugiado e exilou-se em Buenos Aires mas, depois de julgado, foi absolvido. Indiferente ao parnasianismo, então vigente, estabeleceu a ponte entre o Romantismo e o Simbolismo. Influenciado a princípio por Victor Hugo, acabou dominado pela ideologia do místico sueco Swedenborg. Ninguém diria, ao ler «O Poder das Lágrimas», que transcrevemos, que o seu autor detestava os sonetos.

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Além ainda – Luís Murat Julho 11, 2007

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 11:55 am

Caminheiro que vais ao fim do dia
Demandando o crespúsculo das dores,
Não te percas na lágrima sombria
Da tormenta de anseios e amargores!

Além da sepultura principia
O caminho dos sonhos redentores,
Na alvorada perene da harmonia,
Aureolada de eternos resplendores.

Desolado viajor, ergue teus olhos!
Não te prendas somente ao chão tristonho,
Guarda a esperança carinhosa e linda!

Vence a longa jornada dos abrolhos,
Que o país luminoso do teu sonho
Fica ao alto… distante… além ainda…

Luís Morton Barreto Murat (n. em Resende, RJ, em 4 de Mai de 1861; m. no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de Jul de 1929.

Ler do mesmo autor: Ironia do coração

 

Ironia do coração – Luis Murat Julho 11, 2006

Filed under: Luis Murat,poesia — looking4good @ 1:16 pm

Como estavas formosa entre o mar e a minh’alma!
Ias partir… no céu vinha rompendo a aurora.
Eu te pedia – luz, tu me pedias – calma;
Eu te dizia: – “Crê”; tu me dizias: – “Chora!”

Beijei-te as mãos, beijei-te os pequeninos pés,
Como os lábios de um padre um assoalho sagrado.
Longe, ouvia-se ainda, entre os caramanchéis,
A melodiosa voz do luar apaixonado.

“É a voz do nosso amor, nos esponsais das flores.
Não chores mais, acalma a tua ansiedade.
Assim, como hei de eu dar tréguas às minhas dores,
E recalcar no peito esta amarga saudade?”

Partiste… Sobre mim cerrou-se a escuridão.
E eu não ouso subir aos meus sonhos agora,
Porque, irônico e mau, me grita o coração,
Quando não creio: “crê!”, quando não choro: “chora!”

(Poesias escolhidas, 1917)

Luís Murat (n. Resende, Rio de Janeiro, 4 Mai 1861; m. Rio de Janeiro, a 3 Jul 1929)