Nothingandall

Just another WordPress.com weblog

Chave – Carlos de Oliveira Julho 1, 2008

Filed under: Carlos de Oliveira,poesia — looking4good @ 1:03 am
Arte do vidro daqui

Se uma película de vidro
adere à pele da pedra; se algum
Vento vier.

Afere-lhe o esplendor; martela,
fere: um som de ferro
no exterior; por dentro
outra textura mais espessa. Poisa
como um verniz depois o ar
suave a sua
laca no esmalte fracturado

E levanta-se então.
Minuciosamente. Ergueu-se
o halo
das colinas; a lenta beleza
levitada em cada grão
de pedra. Irradiando as lanças
que o brilho do vento
restituiu à luz, no aro
mais espesso do ar.

Rodar a chave do poema
e fecharmo-nosno seu fulgor
por sobre o vale glaciar. Reler
o frio recordado.

in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Carlos Alberto Serra de Oliveira (n. em Belém do Pará, a 10 de Agosto de 1921 e morreu em Lisboa a 1 de Julho de 1981)

Anúncios
 

Chave – Carlos de Oliveira

Filed under: Carlos de Oliveira,poesia — looking4good @ 1:03 am
Arte do vidro daqui

Se uma película de vidro
adere à pele da pedra; se algum
Vento vier.

Afere-lhe o esplendor; martela,
fere: um som de ferro
no exterior; por dentro
outra textura mais espessa. Poisa
como um verniz depois o ar
suave a sua
laca no esmalte fracturado

E levanta-se então.
Minuciosamente. Ergueu-se
o halo
das colinas; a lenta beleza
levitada em cada grão
de pedra. Irradiando as lanças
que o brilho do vento
restituiu à luz, no aro
mais espesso do ar.

Rodar a chave do poema
e fecharmo-nosno seu fulgor
por sobre o vale glaciar. Reler
o frio recordado.

in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Carlos Alberto Serra de Oliveira (n. em Belém do Pará, a 10 de Agosto de 1921 e morreu em Lisboa a 1 de Julho de 1981)

 

Chave – Carlos de Oliveira

Filed under: Carlos de Oliveira,poesia — looking4good @ 1:03 am
Arte do vidro daqui

Se uma película de vidro
adere à pele da pedra; se algum
Vento vier.

Afere-lhe o esplendor; martela,
fere: um som de ferro
no exterior; por dentro
outra textura mais espessa. Poisa
como um verniz depois o ar
suave a sua
laca no esmalte fracturado

E levanta-se então.
Minuciosamente. Ergueu-se
o halo
das colinas; a lenta beleza
levitada em cada grão
de pedra. Irradiando as lanças
que o brilho do vento
restituiu à luz, no aro
mais espesso do ar.

Rodar a chave do poema
e fecharmo-nosno seu fulgor
por sobre o vale glaciar. Reler
o frio recordado.

in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Carlos Alberto Serra de Oliveira (n. em Belém do Pará, a 10 de Agosto de 1921 e morreu em Lisboa a 1 de Julho de 1981)

 

Chave – Carlos de Oliveira

Filed under: Carlos de Oliveira,poesia — looking4good @ 1:03 am
Arte do vidro daqui

Se uma película de vidro
adere à pele da pedra; se algum
Vento vier.

Afere-lhe o esplendor; martela,
fere: um som de ferro
no exterior; por dentro
outra textura mais espessa. Poisa
como um verniz depois o ar
suave a sua
laca no esmalte fracturado

E levanta-se então.
Minuciosamente. Ergueu-se
o halo
das colinas; a lenta beleza
levitada em cada grão
de pedra. Irradiando as lanças
que o brilho do vento
restituiu à luz, no aro
mais espesso do ar.

Rodar a chave do poema
e fecharmo-nosno seu fulgor
por sobre o vale glaciar. Reler
o frio recordado.

in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Carlos Alberto Serra de Oliveira (n. em Belém do Pará, a 10 de Agosto de 1921 e morreu em Lisboa a 1 de Julho de 1981)

 

Carta a Ângela – Carlos de Oliveira Agosto 10, 2007

Filed under: Carlos de Oliveira,poesia — looking4good @ 6:01 pm

Para ti, meu amor, é cada sonho
de todas as palavras que escrever,
cada imagem de luz e de futuro,
cada dia dos dias que viver.

Os abismos das coisas, quem os nega,
se em nós abertos inda em nós persistem?
Quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!

Quantas vezes chorando te alcancei
e em lágrimas de sombra nos perdemos!
As mesmas que contigo regressei
ao ritmo da vida que escolhemos!

Mais humana da terra dos caminhos
e mais certa, dos erros cometidos,
foste de novo, e de sempre, a mão da esperança
nos meus versos errantes e perdidos.

Transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
aqui te deixo tudo, meu amor!

Carlos Alberto Serra de Oliveira (n.em Belém do Pará a 10 de Ago 1921, m. em Lisboa a 1 Jul de 1981)

 

Sonnet – Carlos de Oliveira Julho 1, 2007

Filed under: Carlos de Oliveira,poetry,sitemeter,technorati — looking4good @ 3:56 pm

I’m accused of being bitter, inclined
to despair, as if my poetry’s pain
weren’t your flesh, O scattered men,
and my sorrow your sorrow, O mind.

Beauty? One day I will sing of it,
when the light I don’t disbelieve in falls
on the dark that hems us in like a wall
and you reach, O joy, your kingdom.

In the meantime let me speak:
let sadness be the revenge I drink
until the wall cracks and the night bursts.

My voice of death is the voice of struggle:
those who, trusting, delve into their suffering,
have a hope whose glory is of higher worth.

Translation from Portuguese by Richard Zenith

Carlos de Oliveira (n. em Belém do Pará, Brazil em 1921; m. em Lisboa a 1 Jul 1981)

 

Soneto – Carlos de Oliveira

Filed under: Carlos de Oliveira,poesia — looking4good @ 3:48 pm

Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.

Carlos de Oliveira (n. em Belém do Pará, Brazil em 1921; m. em Lisboa a 1 Jul 1981)