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Natal Dezembro 25, 2008

Filed under: Jaime Cortesão,Natal,poesia — looking4good @ 12:59 am
A Virgem e o menino by Boticelli

Imagem daqui

ORAÇÃO DO DEUS-MENINO – Jaime Cortesão

Era noite; e por encanto
Eu nasci, raiou o Dia.
Sentiu meu pai que era Santo,
Minha mãe, Virgem-Maria

As palhinhas de Belém
Me serviram de mantéu;
Mas minha mãe, por ser Mãe,
É a Rainha do Céu.

Nem há graça embaladora,
Como a de mãe, quando cria;
É como Nossa Senhora,
Mãe de Deus, Ave-Maria!

Está no Céu o menino,
Quando sua mãe o embala.
Ouve-se o coro divino
Dos anjos, a acompanhá-la.

Como num altar de ermida,
Ando no teu coração;
Para ti sou mais que a vida
E trago o mundo na mão.

Não sei de pais, em verdade,
Mais pobrezinhos que os meus;
Mas o amor dá divindade,
E eu sou o filho de Deus!

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Sonho Árabe – Jaime Cortesão Abril 29, 2008

Filed under: Jaime Cortesão,poesia — looking4good @ 12:05 am
foto: Dança Árabe from here

No Dia Internacional da Dança e efeméride do nascimento de Jaime Cortesão há 124 anos, fica aqui o poema Sonho Árabe

I

Ser um árabe e ter perto
A morena companheira,
A vida um grande deserto,
Tu a única palmeira;

Manto ao vento, ir de carreira
A galope em campo aberto,
Na mão a lança guerreira…
—Assim eu sonho, desperto.

Cai a tarde. Volto a casa.
E já da planície rasa
Surge a cidade natal.

Voam cegonhas ao Sul;
Ofusca a alvura de cal;
E há minaretes no Azul.

II

E eu evoco a alcova já:
Mosaicos de lés a lés
E, para a nudez dos pés,
Alcatifas de Rabat.

Só a penumbra entra lá.
Perfumadores de aloés,
Colchas, coxins, narguilés,
E um tamborete com chá.

Das vivas cores o matiz,
O teu corpo, a tua fala,
Luz e olor, tudo condiz.

Bastam os tons: de garridos,
Entornam fogo na sala
E embebedam os sentidos.

III

Há rosas no azul do espaço;
A tarde lembra um jardim;
O deserto é d’oiro baço
E as mesquitas de marfim.

Caem flores quando passo,
Lá do alto sobre mim;
Allah abriu o regaço,
Cheira a cravos e a jasmim.

Entro na alcova, — alegrete
De cores festivas e aromas.
Tu bailas sobre um tapete.

Afago-te o seio duro,
E, ao beijar-te as duas pomas,
“Só Deus é grande!” — murmuro.

Jaime Zuzarte Cortesão (n. em Ançã, Cantanhede a 29 Abril 1884 — m. em Lisboa a 14 de Agosto de 1960)

 

Sonho Árabe – Jaime Cortesão

Filed under: Jaime Cortesão,poesia — looking4good @ 12:05 am
foto: Dança Árabe from here

No Dia Internacional da Dança e efeméride do nascimento de Jaime Cortesão há 124 anos, fica aqui o poema Sonho Árabe

I

Ser um árabe e ter perto
A morena companheira,
A vida um grande deserto,
Tu a única palmeira;

Manto ao vento, ir de carreira
A galope em campo aberto,
Na mão a lança guerreira…
—Assim eu sonho, desperto.

Cai a tarde. Volto a casa.
E já da planície rasa
Surge a cidade natal.

Voam cegonhas ao Sul;
Ofusca a alvura de cal;
E há minaretes no Azul.

II

E eu evoco a alcova já:
Mosaicos de lés a lés
E, para a nudez dos pés,
Alcatifas de Rabat.

Só a penumbra entra lá.
Perfumadores de aloés,
Colchas, coxins, narguilés,
E um tamborete com chá.

Das vivas cores o matiz,
O teu corpo, a tua fala,
Luz e olor, tudo condiz.

Bastam os tons: de garridos,
Entornam fogo na sala
E embebedam os sentidos.

III

Há rosas no azul do espaço;
A tarde lembra um jardim;
O deserto é d’oiro baço
E as mesquitas de marfim.

Caem flores quando passo,
Lá do alto sobre mim;
Allah abriu o regaço,
Cheira a cravos e a jasmim.

Entro na alcova, — alegrete
De cores festivas e aromas.
Tu bailas sobre um tapete.

Afago-te o seio duro,
E, ao beijar-te as duas pomas,
“Só Deus é grande!” — murmuro.

Jaime Zuzarte Cortesão (n. em Ançã, Cantanhede a 29 Abril 1884 — m. em Lisboa a 14 de Agosto de 1960)

 

Sonho Árabe – Jaime Cortesão

Filed under: Jaime Cortesão,poesia — looking4good @ 12:05 am
foto: Dança Árabe from here

No Dia Internacional da Dança e efeméride do nascimento de Jaime Cortesão há 124 anos, fica aqui o poema Sonho Árabe

I

Ser um árabe e ter perto
A morena companheira,
A vida um grande deserto,
Tu a única palmeira;

Manto ao vento, ir de carreira
A galope em campo aberto,
Na mão a lança guerreira…
—Assim eu sonho, desperto.

Cai a tarde. Volto a casa.
E já da planície rasa
Surge a cidade natal.

Voam cegonhas ao Sul;
Ofusca a alvura de cal;
E há minaretes no Azul.

II

E eu evoco a alcova já:
Mosaicos de lés a lés
E, para a nudez dos pés,
Alcatifas de Rabat.

Só a penumbra entra lá.
Perfumadores de aloés,
Colchas, coxins, narguilés,
E um tamborete com chá.

Das vivas cores o matiz,
O teu corpo, a tua fala,
Luz e olor, tudo condiz.

Bastam os tons: de garridos,
Entornam fogo na sala
E embebedam os sentidos.

III

Há rosas no azul do espaço;
A tarde lembra um jardim;
O deserto é d’oiro baço
E as mesquitas de marfim.

Caem flores quando passo,
Lá do alto sobre mim;
Allah abriu o regaço,
Cheira a cravos e a jasmim.

Entro na alcova, — alegrete
De cores festivas e aromas.
Tu bailas sobre um tapete.

Afago-te o seio duro,
E, ao beijar-te as duas pomas,
“Só Deus é grande!” — murmuro.

Jaime Zuzarte Cortesão (n. em Ançã, Cantanhede a 29 Abril 1884 — m. em Lisboa a 14 de Agosto de 1960)

 

Sonho Árabe – Jaime Cortesão

Filed under: Jaime Cortesão,poesia — looking4good @ 12:05 am
foto: Dança Árabe from here

No Dia Internacional da Dança e efeméride do nascimento de Jaime Cortesão há 124 anos, fica aqui o poema Sonho Árabe

I

Ser um árabe e ter perto
A morena companheira,
A vida um grande deserto,
Tu a única palmeira;

Manto ao vento, ir de carreira
A galope em campo aberto,
Na mão a lança guerreira…
—Assim eu sonho, desperto.

Cai a tarde. Volto a casa.
E já da planície rasa
Surge a cidade natal.

Voam cegonhas ao Sul;
Ofusca a alvura de cal;
E há minaretes no Azul.

II

E eu evoco a alcova já:
Mosaicos de lés a lés
E, para a nudez dos pés,
Alcatifas de Rabat.

Só a penumbra entra lá.
Perfumadores de aloés,
Colchas, coxins, narguilés,
E um tamborete com chá.

Das vivas cores o matiz,
O teu corpo, a tua fala,
Luz e olor, tudo condiz.

Bastam os tons: de garridos,
Entornam fogo na sala
E embebedam os sentidos.

III

Há rosas no azul do espaço;
A tarde lembra um jardim;
O deserto é d’oiro baço
E as mesquitas de marfim.

Caem flores quando passo,
Lá do alto sobre mim;
Allah abriu o regaço,
Cheira a cravos e a jasmim.

Entro na alcova, — alegrete
De cores festivas e aromas.
Tu bailas sobre um tapete.

Afago-te o seio duro,
E, ao beijar-te as duas pomas,
“Só Deus é grande!” — murmuro.

Jaime Zuzarte Cortesão (n. em Ançã, Cantanhede a 29 Abril 1884 — m. em Lisboa a 14 de Agosto de 1960)

 

Canção Violeta – Jaime Cortesão Agosto 14, 2007

Filed under: Jaime Cortesão,poesia — looking4good @ 2:36 pm
foto: Dendrobium Phalaenopsis roxo from http://www.forp.usp.br/
Amo o roxo. E vai que fazes?
A luz tamisas de malva
E roxa desponta a alva
Sobre a colcha de lilases.

Roxos alastram os razes.
E tu das-te nua e alva
Lírio roxo numa salva
Sobre a colcha de lilases.

Com suas pestanas pretas
As tuas pálpebras roxas
São duas grandes violetas.

E, por mais gosto da vida,
Depois que a lâmpada afrouxa,
Fez-se a alcova de ametista.

Jaime Zuzarte Cortesão (n. em Ançã, Cantanhede a 29 de Abril de 1884; m. em Lisboa, a 14 de Agosto de 1960).

in 366 poemas que falam de amor, antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores
 

Canção Violeta – Jaime Cortesão

Filed under: Jaime Cortesão,poesia — looking4good @ 2:36 pm
foto: Dendrobium Phalaenopsis roxo from http://www.forp.usp.br/
Amo o roxo. E vai que fazes?
A luz tamisas de malva
E roxa desponta a alva
Sobre a colcha de lilases.

Roxos alastram os razes.
E tu das-te nua e alva
Lírio roxo numa salva
Sobre a colcha de lilases.

Com suas pestanas pretas
As tuas pálpebras roxas
São duas grandes violetas.

E, por mais gosto da vida,
Depois que a lâmpada afrouxa,
Fez-se a alcova de ametista.

Jaime Zuzarte Cortesão (n. em Ançã, Cantanhede a 29 de Abril de 1884; m. em Lisboa, a 14 de Agosto de 1960).

in 366 poemas que falam de amor, antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores