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Ironia de Lágrimas – Cruz e Sousa (no dia em que se completa 111 anos após a sua morte) Março 19, 2009

Filed under: Cruz e Sousa,morte,poesia — looking4good @ 1:15 am

Junto da morte é que floresce a vida!
Andamos rindo junto a sepultura.
A boca aberta, escancarada, escura
Da cova é como flor apodrecida.

A Morte lembra a estranha Margarida
Do nosso corpo, Fausto sem ventura…
Ela anda em torno a toda criatura
Numa dança macabra indefinida.

Vem revestida em suas negras sedas
E a marteladas lúgubres e tredas
Das Ilusões o eterno esquife prega.

E adeus caminhos vãos mundos risonhos!
Lá vem a loba que devora os sonhos,
Faminta, absconsa, imponderada cega!

João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), Santa Catarina em 24 de novembro de 1861 —m. Estação do Sítio, Minas Gerais a 19 de março de 1898).

Ler do mesmo autor:
Inefável
Vida Obscura
Silêncios
Sorriso Interior

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Inefável – Cruz e Sousa Novembro 24, 2008

Filed under: Cruz e Sousa,poesia — looking4good @ 1:32 am

Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda…
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje Florianópolis (SC), a 24 de Novembro de 1861 e faleceu na Estação de Sítio (MG) a 19 de Março de 1898.

Ler do mesmo autor:
Vida Obscura
Silêncios
Sorriso Interior

 

Inefável – Cruz e Sousa

Filed under: Cruz e Sousa,poesia — looking4good @ 1:32 am

Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda…
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje Florianópolis (SC), a 24 de Novembro de 1861 e faleceu na Estação de Sítio (MG) a 19 de Março de 1898.

Ler do mesmo autor:
Vida Obscura
Silêncios
Sorriso Interior

 

Vida Obscura – Cruz e Sousa Março 19, 2008

Filed under: Cruz e Sousa,poesia — looking4good @ 2:20 am
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
o mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
a vida presa a trágicos deveres
e chegaste ao saber de altos saberes,
tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
magoado, oculto e aterrador, secreto,
que o coração te apunhalou no mundo,

mas eu, que sempre te segui os passos,
sei que cruz infernal prendeu-te os braços
e o teu suspiro como foi profundo!

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje Florianópolis (SC), a 24 de Novembro de 1861 e faleceu na Estação de Sítio (MG) a 19 de Março de 1898. Filho de escravos alforriados, foi educado pelos antigos senhores de seus pais. Completou o curso secundário, mas viu-se travado em suas aspirações de ascensão social, encarnando o drama do homem de cor numa sociedade eivada de preconceitos. Não teve, assim, profissão certa. Percorreu o Brasil como ponto e secretário de uma companhia teatral, até que fixou residência no Rio, em 1890. Aí viveu, cheio de privações, quase na miséria, fazendo biscates e dedicando-se ao jornalismo. Casou, em 1893, com uma poetisa negra e conseguiu o modesto cargo de arquivista da Estrada de Ferro Central. Entretanto, três dos seus filhos tuberculizaram e a esposa enlouqueceu. Ele próprio, também atingido pela tuberculose, veio a morrer em Minas Gerais, aonde fora em busca de alívio para o seu precário estado de saúde. O cadáver veio para o Rio de Janeiro num vagão destinado ao transporte de gado. Pária social, o maior poeta simbolista brasileiro só conheceu sofrimento, angústia, revolta e desespero. Viveu «emparedado», mas a sua poesia metafísica, visão interiorizada do mundo exterior, transcende a literatura brasileira para atingir o plano da poesia universal.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

 

Silêncios – João da Cruz e Sousa Março 19, 2007

Filed under: Cruz e Sousa,poesia — looking4good @ 7:53 pm

Em homenagem ao poeta, considerado o maior simbolista brasileiro, na data do aniversário da sua morte:

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, lágrima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

Ó Silêncios! ó cândidos desmaios,
Vácuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais límpido cortejo…

Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inefáveis
O glorioso esplendor de um grande beijo!

João da Cruz e Sousa (n. em Desterro, hoje Florianópolis a 24 Nov 1861; m. na Estação de Sítio, Minas Gerais a 19 Mar 1898)

Ler também do mesmo autor neste blog Sorriso Interior

 

Silêncios – João da Cruz e Sousa

Filed under: Cruz e Sousa,poesia — looking4good @ 7:53 pm

Em homenagem ao poeta, considerado o maior simbolista brasileiro, na data do aniversário da sua morte:

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, lágrima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

Ó Silêncios! ó cândidos desmaios,
Vácuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais límpido cortejo…

Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inefáveis
O glorioso esplendor de um grande beijo!

João da Cruz e Sousa (n. em Desterro, hoje Florianópolis a 24 Nov 1861; m. na Estação de Sítio, Minas Gerais a 19 Mar 1898)

Ler também do mesmo autor neste blog Sorriso Interior

 

Sorriso Interior – Cruz e Sousa Novembro 24, 2006

Filed under: Cruz e Sousa,poesia — looking4good @ 10:05 am

E na efeméride do nascimento do considerado «o maior poeta do Simbolismo brasileiro», João da Cruz e Sousa, aqui fica, um soneto:

O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo esse brasão augusto
Do grande amor, da nobre fé tranqüila.

Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsias e sem custo…
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.

Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe essa glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.

O ser que é ser transforma tudo em flores…
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio

João da Cruz e Sousa (n. Desterro, hoje Florianopolis (SC), a 24 Nov 1861; m. Estação do Sítio (MG) a 19 Mar 1898)