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Por amar-te tanto – Rui de Noronha Outubro 28, 2005

Filed under: poesia,Ruy de Noronha — looking4good @ 12:45 pm
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jasmins

Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei-de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei-de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob aluz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto…

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
– e eu nada tenho por amar-te tanto…

António Ruy de Noronha (n. Moçambique 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943)
in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edição UNICEPE – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL – 2004

 

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