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Thirteen Ways of Looking at a Blackbird / Treze Maneiras de Contemplar um Melro – Wallace Stevens Outubro 2, 2006

Filed under: poesia,Steven Wallace — looking4good @ 12:53 pm

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A red winged blackbird Photo from here

I
Among twenty snowy mountains,
The only moving thing
Was the eye of the blackbird.

II
I was of three minds,
Like a tree
In which there are three blackbirds.

III
The blackbird whirled in the autumn winds.
It was a small part of the pantomime.

IV
A man and a woman
Are one.
A man and a woman and a blackbird
Are one.

V
I do not know which to prefer,
The beauty of inflections
Or the beauty of innuendoes,
The blackbird whistling
Or just after.

VI
Icicles filled the long window
With barbaric glass.
The shadow of the blackbird
Crossed it, to and fro.
The mood
Traced in the shadow
An indecipherable cause.

VII
O thin men of Haddam,
Why do you imagine golden birds?
Do you not see how the blackbird
Walks around the feet
Of the women about you?

VIII
I know noble accents
And lucid, inescapable rhythms;
But I know, too,
That the blackbird is involved
In what I know.

IX
When the blackbird flew out of sight,
It marked the edge
Of one of many circles.

X
At the sight of blackbirds
Flying in a green light,
Even the bawds of euphony
Would cry out sharply.

XI
He rode over Connecticut
In a glass coach.
Once, a fear pierced him,
In that he mistook
The shadow of his equipage
For blackbirds.

XII
The river is moving.
The blackbird must be flying.

XIII
It was evening all afternoon.
It was snowing
And it was going to snow.
The blackbird sat
In the cedar-limbs.

Em português

Treze Maneiras de Contemplar um Melro

I
Entre as vinte montanhas nevadas
A única coisa movendo-se
Era o olho do melro.

II
Eu tinha três almas
Como a árvore
Em que há três melros.

III
Os melros rodopiaram nos ventos outonais.
O que era uma pequena parte da pantomima.

IV
Um homem e uma mulher
São um.
Um homem e uma mulher e um melro,
São um.

V
Não sei que preferir –
A beleza das inflexões
Ou a beleza das insinuações,
O melro que gorjeia,
Ou o depois.

VI
Pingos de gelo enchiam a vasta janela
De vidro bárbaro.
A sombra do melro
Cruzava-a, de cá para lá, de lá para cá,
A situação
Traçava uma sombra
Um curso indecifrável.

VII
Ó homens magros de Haddam,
Porque imaginais pássaros de ouro?
Não vêdes como o melro
Passeia à volta dos pés
Das mulheres à vossa volta?

VIII
Sei de nobres tons
E de lúcidos inescapáveis ritmos;
Mas também sei
Que o melro está envolvido
No que eu sei.

IX
Quando o melro desapareceu da vista,
Marcou o limite
De um de vários círculos.

X
À vista de melros
Voando na luz verde
Até os alcoviteiros da eufonia
Gritariam desafinados.

XI
O homem atravessou o Connecticut
Num coche de vidro.
Uma vez, um terror o trespassou,
E foi quando tomou
A sombra dos cavalos
Por melros.

XII
O rio move-se.
O melro deve estar a voar.

XIII
Foi entardecer toda a tarde.
Nevava
E estava a ponto de nevar.
O melro pousado
Nos ramos do cedro.

(Tradução de Jorge de Sena, in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Porto 2001, Assírio & Alvim)

Steven Wallace (b. 2 Oct 1879 in Reading, Pennsylvania; d. 2 Aug 1955)

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