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Relembrando Jorge de Sena na passagem do 31º. aniversário da sua morte Junho 4, 2009

Filed under: Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 12:37 am

Rígidos seios de redondas, brancas
frágeis e frescas inserções macias,
cinturas, coxas rodeando as ancas
em que se esconde o corredor dos dias;

torsos de finas, penugentas, frias,
enxutas linhas que nos rins se prendem,
sexos, testículos, que inertes pendem
de hirsutas liras, longas e vazias

da crepitante música tangida,
húmida e tersa, na sangrenta lida
que a inflada ponta penetrante trila;

dedos e nádegas, e pernas, dentes.
Assim no jeito infiel de adolescentes,
a carne espera, incerta, mas tranquila.

in Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Selecção, prefácio e notas de Natália Correia, Antígona Frenesi, Lisboa 2005

Jorge Cândido de Sena (n. em Lisboa a 2 Nov 1919; m. em Santa Bárbara, Califórnia a 4 Jun 1978)

Ler neste blog do mesmo autor:
O Corpo Não Espera
Amo-te muito meu amor
Como queiras amor
Glosa à chegada do Outono
Fidelidade
A diferença que há…

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O Corpo Não Espera – Jorge de Sena (no dia do 89º aniversário do poeta) Novembro 2, 2008

Filed under: Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 5:19 pm


O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo.

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge Cândido de Sena (n. em Lisboa a 2 Nov 1919; m. em Santa Bárbara, Califórnia a 4 Jun 1978)

Ler neste blog do mesmo autor:
Amo-te muito meu amor
Como queiras amor
Glosa à chegada do Outono
Fidelidade
A diferença que há…

 

O Corpo Não Espera – Jorge de Sena (no dia do 89º aniversário do poeta)

Filed under: Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 5:19 pm


O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo.

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge Cândido de Sena (n. em Lisboa a 2 Nov 1919; m. em Santa Bárbara, Califórnia a 4 Jun 1978)

Ler neste blog do mesmo autor:
Amo-te muito meu amor
Como queiras amor
Glosa à chegada do Outono
Fidelidade
A diferença que há…

 

Fidelidade – Jorge de Sena morreu há 30 anos Junho 4, 2008

Filed under: Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 12:11 am

Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como só a presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me asim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.

Jorge Cândido de Sena (n. em Lisboa a 2 Nov 1919; m. em Santa Bárbara, Califórnia a 4 Jun 1978)

Extraído de Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Organização e prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

Ler neste blog do mesmo autor:
Amo-te muito meu amor
Como queiras amor
Glosa à chegada do Outono

 

Dia da Criança Junho 1, 2008

Filed under: Dia,Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 8:43 pm

Acção de graças

Às vezes, com a minha filha no chão junto de mim
fecho os olhos numa acção de graças…

Mas logo ela galreia,nem por isso me consente.

E regresso um pouco triste a uma alegria imensa.

Jorge de Sena

 

Dia da Criança

Filed under: Dia,Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 8:43 pm

Acção de graças

Às vezes, com a minha filha no chão junto de mim
fecho os olhos numa acção de graças…

Mas logo ela galreia,nem por isso me consente.

E regresso um pouco triste a uma alegria imensa.

Jorge de Sena

 

Dia da Criança

Filed under: Dia,Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 8:43 pm

Acção de graças

Às vezes, com a minha filha no chão junto de mim
fecho os olhos numa acção de graças…

Mas logo ela galreia,nem por isso me consente.

E regresso um pouco triste a uma alegria imensa.

Jorge de Sena