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Sem Que Soubesses – Fernando Assis Pacheco Fevereiro 1, 2009

Filed under: Fernando Assis Pacheco,poesia — looking4good @ 1:52 am

Falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior.
Fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,
tropeçavas em mim e eu era uma sombra
ali posta para não reparares em mim.

Andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada.
Em tudo o mais usei da parcimónia
a que me forçava aquele ardor exclusivo.

Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (n. Coimbra, 1 de Fevereiro de 1937; m. em Lisboa a 30 de Novembro de 1995)

Ler do mesmo autor neste blog
Um Vento Leve Uma Espuma
O Dia em Que Nasci

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Um vento leve, uma espuma – Fernando Assis Pacheco Fevereiro 1, 2008

Filed under: Fernando Assis Pacheco,poesia — looking4good @ 12:48 am
The Kiss – Gustave Klimt
Óleo sobre Tela 180×180 cm
Österreichische Galerie T

Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.
Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (n. em Coimbra a 1 de Fev. de 1937 — n. em Lisboa a 30 de Nov. de 1995)

 

Um vento leve, uma espuma – Fernando Assis Pacheco

Filed under: Fernando Assis Pacheco,poesia — looking4good @ 12:48 am
The Kiss – Gustave Klimt
Óleo sobre Tela 180×180 cm
Österreichische Galerie T

Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.
Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (n. em Coimbra a 1 de Fev. de 1937 — n. em Lisboa a 30 de Nov. de 1995)

 

Um vento leve, uma espuma – Fernando Assis Pacheco

Filed under: Fernando Assis Pacheco,poesia — looking4good @ 12:48 am
The Kiss – Gustave Klimt
Óleo sobre Tela 180×180 cm
Österreichische Galerie T

Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.
Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (n. em Coimbra a 1 de Fev. de 1937 — n. em Lisboa a 30 de Nov. de 1995)

 

O dia em que nasci … – Assis Pacheco Novembro 30, 2005

Filed under: Fernando Assis Pacheco,poesia — looking4good @ 2:01 pm
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Guardando o Rebanho – pintura de Silva Porto

O dia em que nasci meu pai cantava
versos que inventam os pastores do monte
com palavras de lã fiada fina
cordeiro lírio neve tojo fonte

esta é uma velha história de família
para dizer como ele e eu chegámos
à raiz mais profunda do afecto
da qual nunca jamais nos separámos

nem Deus feito menino teve um pai
que o abraçasse e lhe cantasse assim
desde a primeira hora até ao fim

fui vê-lo ao hospital quando morria
olhos parados num sorriso leve
tojo cordeiro lírio fonte neve

Fernando Assis Pacheco (n. Coimbra, 1 Fev 1937; m. Lisboa, 30 Nov. 1995)
in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edição UNICEPE, 2004.