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Saudade da Prosa – Manuel António Pina Novembro 18, 2008

Filed under: Manuel António Pina,poesia — looking4good @ 2:15 am

Rosa, flor

Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.

E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava

senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,

o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.

Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?

in Rosa do Mundo, 366 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Manuel António Pina (nasceu em 18 de Nov. 1943 no Sabugal)

Ler do mesmo autor, neste blog: Café do Molhe

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Saudade da Prosa – Manuel António Pina

Filed under: Manuel António Pina,poesia — looking4good @ 2:15 am

Rosa, flor

Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.

E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava

senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,

o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.

Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?

in Rosa do Mundo, 366 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Manuel António Pina (nasceu em 18 de Nov. 1943 no Sabugal)

Ler do mesmo autor, neste blog: Café do Molhe

 

Os deputados eunucos: a diferença entre o que se proclama e o que se faz Outubro 13, 2008

Filed under: Actualidade,Manuel António Pina,política — looking4good @ 1:12 pm
«… a maior parte das leis é feita por cérebros de aluguer que parem votos gerados em cérebros alheios sem que isso pareça incomodar ninguém, designadamente os próprios. O caso dos deputados que, dizendo-se a favor do casamento homossexual (o problema, no entanto, não é o do casamento homossexual, é o da diferença entre o que se proclama e o que se faz), votaram exactamente ao contrário, fica na história da cobardia parlamentar e explica a desprestigiante conta em que os portugueses têm hoje a política e os políticos».

Já andava para por um «post» sobre este assunto. Não podia ter encontrado melhor forma de exprimir o que que queria dizer, do que através desta passagem da crónica «Os Eunucos» de Manuel António Pina na coluna «Por Outras Palavras» da edição de hoje do JN. É caso para dizer que há muitos deputados «eunucos» de cérebro.
 

Café do Molhe – Manuel António Pina Novembro 18, 2007

Filed under: Manuel António Pina,poesia — looking4good @ 5:26 pm


Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sobre a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

Manuel António Pina (n. em 18 de Nov. 1943 no Sabugal; ~)

 

Café do Molhe – Manuel António Pina

Filed under: Manuel António Pina,poesia — looking4good @ 5:26 pm


Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sobre a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

Manuel António Pina (n. em 18 de Nov. 1943 no Sabugal; ~)

 

Café do Molhe – Manuel António Pina

Filed under: Manuel António Pina,poesia — looking4good @ 5:26 pm


Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sobre a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

Manuel António Pina (n. em 18 de Nov. 1943 no Sabugal; ~)

 

Café do Molhe – Manuel António Pina

Filed under: Manuel António Pina,poesia — looking4good @ 5:26 pm


Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sobre a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

Manuel António Pina (n. em 18 de Nov. 1943 no Sabugal; ~)