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Já Bocage não sou!… À cova escura – Barbosa du Bocage Dezembro 21, 2007

Filed under: Bocage,poesia — looking4good @ 4:02 am
Estátua do poeta Bocage na cidade de Setúbal

«Corre o ano de 1805. Bocage jaz, moribundo, na cama que será o seu leito de morte. Percebendo serem estes os seus últimos dias, recorda a riqueza de sua vida, as raras faculdades de inspiração de que era dotado, os desvarios desregrados, vivências libertinas, mas, também, a capacidade de amar e a preocupação pelo andar do seu país e das instituições». (Texto a propósito de Já Bocage Não Sou de José Jorge Letria,Europa-América 2002).

Já Bocage não sou! …À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!…Tivera algum merecimento,
se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:

«Outro Aretino fui… A santidade
manchei…Oh!, se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na Eternidade!»

Manuel Maria Barbosa du Bocage (n. em Setúbal a 15 Set 1765; m. em Lisboa a 21 Dec. 1805)

Soneto publicado in «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004

Ler do mesmo autor:
Nascemos para amar
Ó tranças de que Amor prisão me tece
Liberdade, onde estás? Quem te demora?

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Já Bocage não sou!… À cova escura – Barbosa du Bocage

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Estátua do poeta Bocage na cidade de Setúbal

«Corre o ano de 1805. Bocage jaz, moribundo, na cama que será o seu leito de morte. Percebendo serem estes os seus últimos dias, recorda a riqueza de sua vida, as raras faculdades de inspiração de que era dotado, os desvarios desregrados, vivências libertinas, mas, também, a capacidade de amar e a preocupação pelo andar do seu país e das instituições». (Texto a propósito de Já Bocage Não Sou de José Jorge Letria,Europa-América 2002).

Já Bocage não sou! …À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!…Tivera algum merecimento,
se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:

«Outro Aretino fui… A santidade
manchei…Oh!, se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na Eternidade!»

Manuel Maria Barbosa du Bocage (n. em Setúbal a 15 Set 1765; m. em Lisboa a 21 Dec. 1805)

Soneto publicado in «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004

Ler do mesmo autor:
Nascemos para amar
Ó tranças de que Amor prisão me tece
Liberdade, onde estás? Quem te demora?

 

Já Bocage não sou!… À cova escura – Barbosa du Bocage

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Estátua do poeta Bocage na cidade de Setúbal

«Corre o ano de 1805. Bocage jaz, moribundo, na cama que será o seu leito de morte. Percebendo serem estes os seus últimos dias, recorda a riqueza de sua vida, as raras faculdades de inspiração de que era dotado, os desvarios desregrados, vivências libertinas, mas, também, a capacidade de amar e a preocupação pelo andar do seu país e das instituições». (Texto a propósito de Já Bocage Não Sou de José Jorge Letria,Europa-América 2002).

Já Bocage não sou! …À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!…Tivera algum merecimento,
se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:

«Outro Aretino fui… A santidade
manchei…Oh!, se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na Eternidade!»

Manuel Maria Barbosa du Bocage (n. em Setúbal a 15 Set 1765; m. em Lisboa a 21 Dec. 1805)

Soneto publicado in «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004

Ler do mesmo autor:
Nascemos para amar
Ó tranças de que Amor prisão me tece
Liberdade, onde estás? Quem te demora?

 

Já Bocage não sou!… À cova escura – Barbosa du Bocage

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Estátua do poeta Bocage na cidade de Setúbal

«Corre o ano de 1805. Bocage jaz, moribundo, na cama que será o seu leito de morte. Percebendo serem estes os seus últimos dias, recorda a riqueza de sua vida, as raras faculdades de inspiração de que era dotado, os desvarios desregrados, vivências libertinas, mas, também, a capacidade de amar e a preocupação pelo andar do seu país e das instituições». (Texto a propósito de Já Bocage Não Sou de José Jorge Letria,Europa-América 2002).

Já Bocage não sou! …À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!…Tivera algum merecimento,
se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:

«Outro Aretino fui… A santidade
manchei…Oh!, se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na Eternidade!»

Manuel Maria Barbosa du Bocage (n. em Setúbal a 15 Set 1765; m. em Lisboa a 21 Dec. 1805)

Soneto publicado in «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004

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Nascemos para amar
Ó tranças de que Amor prisão me tece
Liberdade, onde estás? Quem te demora?

 

Nascemos para amar – Bocage Dezembro 21, 2006

Filed under: Bocage,poesia — looking4good @ 9:46 am

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abismou na lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Manuel Maria Barbosa du Bocage (n. em Setúbal a 15 Set 1765; m. em Lisboa a 21 Dec. 1805)

Ler do mesmo autor, neste blog:

Ó tranças de que Amor prisão me tece

Liberdade, onde estás? Quem te demora?

 

Ó tranças de que Amor prisão me tece – Bocage Setembro 15, 2006

Filed under: Barbosa du Bocage,Bocage,poesia — looking4good @ 1:18 pm

Ó tranças, de que Amor prisão me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó Tesouro! ó mistério! ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!

Ó ledos olhos, cuja luz parece
Ténue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado
Por quem morrera esta alma, se pudesse!

Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!

Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois?… Sois de Vénus? – É mentira;
Sois de Marília, sois de meus amores.

Manuel Maria Ledoux de Barbosa du Bocage (n. 15 Set 1765 ; m. Lisboa, 21 Dez 1805)

 

Ó tranças de que Amor prisão me tece – Bocage

Filed under: Barbosa du Bocage,Bocage,poesia — looking4good @ 1:18 pm

Ó tranças, de que Amor prisão me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó Tesouro! ó mistério! ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!

Ó ledos olhos, cuja luz parece
Ténue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado
Por quem morrera esta alma, se pudesse!

Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!

Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois?… Sois de Vénus? – É mentira;
Sois de Marília, sois de meus amores.

Manuel Maria Ledoux de Barbosa du Bocage (n. 15 Set 1765 ; m. Lisboa, 21 Dez 1805)